Palmas recebe a II Feira da Reforma Agrária e Agricultura Familiar entre 27 e 29 de março

A capital tocantinense se prepara para receber, entre os dias 27 e 29 de março, a II Feira Estadual da Reforma Agrária e Agricultura Familiar do Tocantins, evento que transforma o Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas, em vitrine da produção camponesa, do agroextrativismo e da economia popular do estado. A programação foi divulgada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em 11 de março e prevê a participação de agricultores, agroextrativistas, assentados, acampados e comunidades tradicionais de diferentes territórios tocantinenses. A feira será realizada em um dos principais equipamentos culturais da capital e deve reforçar o diálogo entre o campo e a cidade, ao aproximar a produção rural do público urbano em uma programação que combina comercialização, cultura e debate público.
Mais do que uma feira de venda direta, o evento se apresenta como um espaço de integração entre produção de alimentos, soberania alimentar, valorização de territórios e fortalecimento da agricultura familiar no Tocantins. A proposta da segunda edição é ampliar o alcance social e econômico do encontro realizado em 2025, quando mais de 3 mil pessoas passaram pelo evento e foram comercializadas 7 toneladas de alimentos, segundo a organização. O balanço da primeira edição ajuda a dimensionar o peso da iniciativa em um estado onde a agricultura familiar ainda enfrenta desafios de escala, logística e acesso mais amplo ao mercado consumidor.
Neste ano, a feira reunirá camponeses e camponesas de regiões como Bico do Papagaio, Cantão, Médio Araguaia, Sudeste e Jalapão, consolidando uma presença territorial ampla e diversa. O público encontrará mais de 200 variedades de produtos, com destaque para alimentos e itens ligados à biodiversidade local, como babaçu, jatobá, bacuri, buriti, açaí e artesanato em capim dourado. A proposta é oferecer ao consumidor uma experiência de compra ligada a circuitos curtos de comercialização, com alimentos produzidos em pequena escala, vinculados a práticas sustentáveis e aos saberes de comunidades tradicionais.
A feira também reforça um debate que vem ganhando espaço no país: o papel da agricultura familiar na segurança alimentar e no abastecimento. Embora o Tocantins seja fortemente associado ao agronegócio em larga escala, eventos como esse reposicionam a atenção para outro lado do campo, o da produção familiar, do agroextrativismo e do cooperativismo. Na prática, a iniciativa cria uma ponte entre pequenos produtores e consumidores urbanos, ao mesmo tempo em que fortalece renda, visibilidade e autonomia econômica para trabalhadores rurais, assentados e comunidades tradicionais.
A edição de 2026 também destaca a diversidade do público participante. A programação envolve mulheres agroextrativistas, agricultores familiares, acampados e assentados da reforma agrária, além de povos e comunidades tradicionais. Segundo Joice Santos, da Coordenação Nacional do MST, a iniciativa busca manter o incentivo às trabalhadoras e trabalhadores do campo, reforçando a luta por igualdade nos territórios por meio da agricultura familiar. A declaração foi reproduzida na divulgação oficial do evento e reforça o caráter social e político da feira, que vai além da comercialização e se coloca também como espaço de afirmação territorial e econômica.
Além da exposição e venda de alimentos e produtos agroextrativistas, a programação inclui a chamada “Culinária da Terra”, com pratos típicos da gastronomia camponesa, apresentações de artistas regionais e coletivos culturais, oficinas e rodas de conversa sobre soberania alimentar. Esse formato amplia o papel da feira e transforma o evento em uma experiência mais completa, unindo consumo, formação, cultura popular e valorização de identidades do campo tocantinense.
A realização é fruto de uma articulação coletiva entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Instituto de Cooperação Solidária (ICAT) e a Cooperativa dos Agricultores da Reforma Agrária e de Pequenos Produtores (COOPERAMAZÔNIA). O evento conta ainda com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Incra, da Conab e da Prefeitura de Palmas, responsáveis por garantir a estrutura necessária para a participação dos produtores e a realização da programação.
O local escolhido para sediar a segunda edição também reforça a dimensão simbólica do encontro. O Espaço Cultural José Gomes Sobrinho é um dos principais centros de cultura e eventos da capital tocantinense, reunindo equipamentos como o Theatro Fernanda Montenegro, o Cine Cultura, a Biblioteca Municipal Jornalista Jaime Câmara e a Galeria Municipal de Artes. Frequentemente utilizado para feiras, mostras e apresentações, o espaço amplia a visibilidade da iniciativa e ajuda a consolidar a proposta de aproximar o universo rural do cotidiano da cidade.
A II Feira Estadual da Reforma Agrária e Agricultura Familiar do Tocantins será realizada de 27 a 29 de março, no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, localizado na 302 Sul, Avenida Siqueira Campos, s/n, no Plano Diretor Sul, em Palmas. No dia 27, a programação ocorre das 10h à meia-noite. No dia 28, das 9h à meia-noite. No dia 29, das 9h às 12h. As informações de serviço foram confirmadas na divulgação oficial do evento.
Em um momento em que o debate sobre alimentação, sustentabilidade e origem dos alimentos ganha cada vez mais espaço, a feira chega a Palmas como um encontro que reúne economia, cultura e identidade. Para o público, a programação oferece acesso direto a alimentos e produtos regionais. Para os produtores, representa oportunidade de renda e visibilidade. Para o Tocantins, funciona como uma vitrine de um campo que nem sempre aparece nas grandes narrativas do setor, mas que segue essencial para a produção de alimentos, a preservação de saberes e a manutenção de comunidades em diferentes territórios do estado.