Uma operação da Polícia Federal realizada nas primeiras horas desta quinta-feira (12/03), em Colinas do Tocantins, provocou forte repercussão no meio político e digital do município. Segundo informações preliminares, os mandados começaram a ser cumpridos por volta das 5h30 e, até o momento das primeiras apurações, os policiais ainda seguiam em diligência. A investigação se deu por conta da vereadora Naiara Miranda (MDB) ao qual ele teria usado a tribuna para disparar contra ela e até falar ‘Comigo a Bala Troca’.
Veja o que disse o gestor em post em redes sociais, que não teria sido feito do seu celular ao qual está com a Polícia Federal e ele também não falou dos equipamentos eletrônicos que foram levados.
De acordo com as informações iniciais, a investigação cita três envolvidos, entre eles o prefeito Kasarin (UB), que também é apontado no cenário local como pré-candidato a deputado estadual. Ainda segundo os relatos preliminares, aparelhos celulares teriam sido apreendidos durante a ação, medida normalmente adotada quando a autoridade policial busca preservar provas, verificar comunicações, mensagens, arquivos, registros e demais elementos que possam ajudar no esclarecimento dos fatos.
A Polícia Federal confirmou ao Diário Tocantinense, nesta quinta-feira, 12 de março, que deflagrou a Operação Cortina Digital com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de praticar violência política de gênero em âmbito eleitoral no município de Colinas do Tocantins.
Segundo a resposta oficial repassada à reportagem, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO). A corporação informou que a investigação teve início a partir de um discurso feito por um agente público durante a abertura do ano legislativo na Câmara Municipal de Colinas do Tocantins, ocasião em que, de acordo com a apuração, uma vereadora teria sido ameaçada e constrangida no exercício do mandato.
Ainda conforme a Polícia Federal, as investigações apontaram que redes sociais controladas por servidores públicos teriam sido utilizadas para disseminar informações inverídicas em uma suposta campanha difamatória contra a vereadora e também contra outros agentes políticos ligados à vítima.
Na manifestação enviada ao Diário Tocantinense, a PF destacou que, se houver condenação, os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelo crime de violência política de gênero contra detentora de cargo político. Esse tipo de crime se caracteriza por atos de constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato eletivo, com uso de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena pode chegar a quatro anos de reclusão, além de multa.
A Polícia Federal também explicou o significado do nome da operação. Segundo a corporação, “Cortina Digital” faz referência à expressão “cortina de fumaça”, usada para definir ações criadas para desviar a atenção, gerar distração artificial e ocultar interesses escusos, com o objetivo de influenciar ou ludibriar a opinião pública.
A resposta oficial não detalha, ao menos até este momento, os nomes dos alvos, nem individualiza publicamente as condutas atribuídas a cada investigado. Por isso, o caso segue cercado de cautela jurídica e jornalística, já que o cumprimento de mandados não significa condenação, e todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
O espaço permanece aberto para manifestação do prefeito Kasarin, dos demais citados, de suas defesas e das autoridades responsáveis pela investigação, para que apresentem esclarecimentos sobre o caso.