BASTIDOR: PT nacional quer apoiar Dorinha e já referendou, decisão no Tocantins agora cabe a uma ala estadual e a outra resiste a Dorinha; Amélio pode redesenhar disputa de 2026 e mudar projeto

BASTIDOR: PT nacional quer apoiar Dorinha e já referendou, decisão no Tocantins agora cabe a uma ala estadual e a outra resiste a Dorinha; Amélio pode redesenhar disputa de 2026 e mudar projeto
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 12 de março de 2026 21

A nota pública divulgada por Diego Montelo, membro da Executiva Estadual do PT Tocantins, escancarou o incômodo interno com manifestações isoladas de apoio à pré-candidatura de Dorinha Seabra ao Governo do Tocantins. O texto deixa claro que o apoio do prefeito Manoel Moura seria individual e sem autorização partidária, além de reforçar que o PT estadual e nacional ainda não definiram o palanque de Lula no estado. Ao mesmo tempo, nos bastidores, nomes influentes do partido em Brasília, como Gleisi Hoffmann, André Ceciliano e o próprio presidente Lula, acompanham com cautela os movimentos locais. No Tocantins, a leitura é de que o cenário também depende do destino político de Amélio Cayres, que pode até recalibrar seu projeto ao governo e disputar outro espaço em 2026.

A temperatura política subiu no PT do Tocantins, e não foi por acaso. A nota pública assinada por Diego Montelo, liderança ligada à Executiva Estadual do partido e membro do PT de Abreulândia e Superintende do MDA no Tocantins, jogou luz sobre uma divisão que já corria em conversas reservadas: parte da legenda não aceita que gestos isolados sejam tratados como posição oficial em favor da senadora Professora Dorinha Seabra na corrida ao Palácio Araguaia.

O recado foi direto. Ao afirmar que o apoio do prefeito Manoel Moura à pré-candidatura de Dorinha é “exclusivamente individual” e “não autorizado pelo Partido dos Trabalhadores”, a manifestação escancara que o debate interno está longe de ser encerrado. Mais do que isso: revela que há resistência concreta dentro do PT estadual à ideia de vincular automaticamente o projeto lulista no Tocantins a uma composição com Dorinha.

Em Brasília, porém, o cenário ainda é tratado com toda certeza estratégica. Lideranças nacionais do partido sabem que o Tocantins exige montagem cuidadosa de palanque, avaliação de alianças e leitura regional dos interesses eleitorais. É nesse ambiente que entram nomes como Gleisi Hoffmann, André Ceciliano e o próprio presidente Lula, que acompanham o xadrez e querem fechar com Dorinha. A ordem, por enquanto e se alinhar a ela independente do desenho nacional e quer fazer palanque a Lula.

O ponto central é que o PT  quer, neste momento, fechar o palanque de Lula no Tocantins negociando com Dorinha. E isso inclui tanto conversas institucionais quanto avaliações sobre quem, de fato, oferecerá densidade política, capilaridade regional e alinhamento nacional em 2026.

No plano estadual, o pano de fundo é ainda mais delicado. Há petistas que enxergam a aliança com Dorinha com forte desconfiança, sobretudo pela leitura de que sua composição pode dialogar com setores mais conservadores e com forças já posicionadas no campo adversário ao PT em nível nacional. Esse sentimento aparece claramente na nota de Diego Montelo quando menciona que a chapa da senadora teria relação com candidaturas da direita no país. E alas que já defendem fortemente o nome dela e querem estar com ela.

Ao mesmo tempo, o jogo no Tocantins não depende apenas do PT. Um fator observado com atenção é o futuro político de Amélio Cayres. Hoje colocado como uma peça de peso no tabuleiro estadual, ele pode, dependendo dos arranjos, deixar de perseguir uma candidatura ao governo para disputar outro espaço estratégico em 2026. Se isso ocorrer, a rearrumação poderá ser profunda, abrindo novas margens de composição, tensionando alianças e obrigando partidos a refazerem cálculos e tentar qualquer outro cargo menos de governador.

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