Do supermercado à Ceasa: quanto custa hoje encher a mesa com arroz, feijão, abóbora, melão e banana no Tocantins
Com a inflação ainda pressionando o bolso, o consumidor tocantinense segue fazendo conta no corredor do supermercado e olhando com mais atenção para feiras, atacados e a Ceasa
Quanto custa hoje colocar o básico na mesa de uma família no Tocantins? A pergunta parece simples, mas a resposta mostra por que o orçamento doméstico continua apertado, mesmo em um momento de desaceleração parcial de alguns itens. No arroz e no feijão, a diferença entre o menor e o maior preço encontrado no varejo ainda é alta. No hortifrúti, produtos como banana, abóbora e melão seguem variando conforme oferta, safra, logística e ponto de venda.
Um levantamento oficial de preços de produtos de cesta básica realizado no Tocantins entre 9 e 10 de fevereiro de 2026 mostra que o arroz tipo 1 (pacote de 5 kg) foi encontrado entre R$ 10,99 e R$ 21,99, enquanto o feijão carioca (1 kg) variou de R$ 3,49 a R$ 7,99 nos supermercados pesquisados. No mesmo levantamento, a banana nanicaapareceu entre R$ 2,69 e R$ 5,99 o quilo, uma diferença de 122,68% entre o menor e o maior preço.
A fotografia reforça o que já vinha sendo indicado pelo Dieese em Palmas. Em fevereiro de 2026, o custo da cesta básica na capital tocantinense ficou em R$ 695,28, com queda de 0,74% em relação a janeiro, mas ainda em um patamar alto para a renda média das famílias.
O que custa hoje levar o básico para casa no Tocantins
Se a família tocantinense quiser montar uma compra simples com arroz, feijão, banana, abóbora e melão, o valor final pode mudar bastante dependendo de onde ela compra.
Pelos dados oficiais disponíveis no varejo tocantinense, já é possível afirmar com segurança que:
Arroz tipo 1, 5 kg
Menor preço: R$ 10,99
Maior preço: R$ 21,99
Variação: 100,09%
Feijão carioca, 1 kg
Menor preço: R$ 3,49
Maior preço: R$ 7,99
Variação: 128,94%
Banana nanica, 1 kg
Menor preço: R$ 2,69
Maior preço: R$ 5,99
Variação: 122,68%
Somando apenas esses três itens, o consumidor pode gastar:
No cenário mais barato: R$ 17,17
No cenário mais caro: R$ 35,97
Ou seja: só arroz, feijão e banana podem custar mais que o dobro, dependendo do supermercado escolhido.
A Ceasa continua sendo o termômetro do hortifrúti, mas o varejo segue com margem alta
Na parte de frutas e hortaliças, o comportamento costuma ser diferente do varejo tradicional. Enquanto arroz e feijão sofrem mais influência de indústria, empacotamento, marca e política comercial do supermercado, itens como banana, abóbora e melão respondem muito mais rapidamente a:
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safra e entressafra
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clima
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logística e frete
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volume de entrada no entreposto
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perda de qualidade e perecibilidade
É por isso que a Ceasa costuma funcionar como o “preço de referência” do dia, especialmente para feirantes, pequenos comerciantes e consumidores que compram em volume.
A Conab, por meio do Prohort, mantém justamente esse acompanhamento diário dos mercados atacadistas hortigranjeiros e indica, em sua própria estrutura oficial, que o portal reúne dados de mercado atacadista hortigranjeiro, servindo como base para leitura de preços e oferta.
Na prática, isso significa que, para produtos como banana, melão e abóbora, a Ceasa tende a trabalhar com preço mais competitivo do que o varejo final, porque o supermercado adiciona:
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margem de revenda
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custo de quebra e descarte
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embalagem e reposição
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custo operacional da loja
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precificação por conveniência
Onde o consumidor sente mais diferença: no arroz e no feijão ou no hortifrúti?
A resposta depende do item.
No caso de arroz e feijão, a diferença mais forte aparece entre redes e formatos de loja. O mesmo arroz de 5 kg, por exemplo, variou de R$ 10,99 a R$ 21,99, uma diferença superior a 100%. Já o feijão carioca foi de R$ 3,49 a R$ 7,99, com variação de quase 129%.
Isso mostra que o consumidor perde dinheiro quando:
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compra sem comparar
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compra por conveniência de bairro
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não acompanha promoção
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não diferencia atacarejo de supermercado tradicional
Já no hortifrúti, a diferença tende a ser mais sensível entre:
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supermercado
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feira livre
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sacolão
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Ceasa
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revenda de bairro
A banana nanica, por exemplo, teve variação superior a 122% dentro do próprio varejo pesquisado no Tocantins. Isso, sozinho, já indica que o consumidor que compara ponto de compra consegue economizar de forma relevante.
A cesta básica em Palmas segue alta, mesmo com leve recuo
Outro dado importante para contextualizar a reportagem é o custo geral da alimentação.
Segundo o Dieese, a cesta básica em Palmas fechou fevereiro de 2026 em R$ 695,28, com recuo de 0,74% sobre janeiro. Em janeiro, a mesma cesta havia custado R$ 700,44, após alta de 3,37% sobre dezembro.
Isso mostra duas coisas:
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houve uma pequena trégua no curto prazo
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o patamar ainda continua elevado para a renda do trabalhador
Em linguagem de vida real: a cesta pode até ter parado de subir no mesmo ritmo, mas ela continua cara.
Quanto pode custar uma “mesa simples” no Tocantins hoje
Se a gente transformar essa pauta em algo concreto para o leitor, uma compra básica com:
1 pacote de arroz 5 kg
1 pacote de feijão 1 kg
1 kg de banana
1 unidade média de abóbora (ou fração de compra equivalente)
1 unidade de melão
tende a gerar três cenários de bolso:
Cenário econômico
Compra feita com foco em menor preço, atacarejo, promoção e Ceasa/feira
Faixa estimada: de R$ 30 a R$ 45
Cenário intermediário
Compra em supermercado de bairro + parte do hortifrúti em feira
Faixa estimada: de R$ 40 a R$ 60
Cenário mais caro
Compra integral em supermercado tradicional, sem promoção
Faixa estimada: de R$ 55 a R$ 75
Importante: arroz, feijão e banana têm base oficial de varejo levantada no Tocantins. Já abóbora e melão, nesta matéria, entram como faixa de mercado e referência prática de compra, porque o painel dinâmico da Ceasa/Conab não liberou extração pública direta pelo navegador no momento da apuração. Ainda assim, a metodologia permanece correta: a Ceasa é referência de atacado, e o supermercado, de varejo final.
Por que o supermercado ainda pesa mais no bolso
O consumidor costuma imaginar que a inflação dos alimentos é um fenômeno único, mas na prática ela se divide em duas pressões:
A primeira é a inflação do produto em si
Produção, safra, insumo, frete, câmbio, combustível.
A segunda é a inflação do canal de venda
Margem, aluguel, operação, perda, logística urbana, reposição e posicionamento comercial.
Por isso, muitas vezes, o produto até chega mais barato na origem ou no atacado, mas o consumidor não sente isso integralmente na gôndola.
É justamente nesse intervalo que a Ceasa e as feiras livres ganham relevância: elas reduzem parte dessa cadeia de custo.
Onde compensa comprar hoje no Tocantins
Com base no comportamento de preços observado no estado, a lógica mais racional para o consumidor é esta:
Arroz e feijão
Compensa priorizar atacarejo, encarte promocional e compra por marca substituta.
Banana, melão e abóbora
Compensa priorizar Ceasa, feira livre e sacolão, especialmente em dias de maior oferta.
Compra híbrida
É hoje a estratégia mais eficiente para famílias que querem reduzir gasto sem perder variedade:
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seco no atacado
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hortifrúti na feira ou Ceasa
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reposição emergencial no supermercado só quando necessário
O que a reportagem mostra, na prática
O retrato é claro.
No Tocantins, o consumidor ainda está pagando caro para montar uma mesa simples, e a diferença entre comprar bem e comprar mal é muito maior do que muita gente imagina.
Só no varejo oficial pesquisado:
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o arroz pode custar o dobro
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o feijão pode variar quase 129%
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a banana pode sair mais de 120% mais cara dependendo da loja
E isso sem contar o impacto do hortifrúti comprado fora dos canais mais competitivos.
A inflação dos alimentos continua pesando no Tocantins, mesmo com sinais de desaceleração pontual. Em uma compra básica, o consumidor que não compara preços pode pagar mais que o dobro em itens essenciais como arroz, feijão e banana. O levantamento oficial de preços no estado mostra que o arroz tipo 1 (5 kg) variou de R$ 10,99 a R$ 21,99, o feijão carioca (1 kg) foi de R$ 3,49 a R$ 7,99, e a banana nanica (1 kg) oscilou entre R$ 2,69 e R$ 5,99.
Ao mesmo tempo, a cesta básica em Palmas fechou fevereiro de 2026 em R$ 695,28, mostrando que, mesmo com leve recuo mensal, o custo da alimentação ainda segue alto.
A conclusão prática é direta: quem separa a compra entre supermercado, atacarejo e Ceasa continua economizando mais.