Bastidor: Republicanos com Dorinha, Gaguim e Gomes põe fim ao suspense como antecipado pelo DT: agora o Palácio precisa entrar inteiro no jogo e se entregar

Bastidor: Republicanos com Dorinha, Gaguim e Gomes põe fim ao suspense como antecipado pelo DT: agora o Palácio precisa entrar inteiro no jogo e se entregar
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 17 de março de 2026 11

A entrada do Republicanos no ato do dia 27, ao lado de União Brasil, PL, PP e partidos aliados, muda o tom da disputa de 2026 no Tocantins. Não é mais apenas um gesto de bastidor: é um sinal político visível de que a pré-candidatura de Dorinha Seabra ganhou eixo, abrigo institucional e perspectiva real de chapa com Eduardo Gomes e Carlos Gaguim ao Senado. Se o Republicanos está no convite e o governador Wanderlei Barbosa preside a sigla no Estado, o recado é claro: o Palácio já não pode fingir neutralidade sem pagar preço político.

E é justamente aí que mora o ponto central deste editorial: em eleição majoritária, governo que “faz fantasma” enfraquece a própria estratégia. Apoio pela metade não consolida chapa; apenas alimenta ansiedade na base, abre espaço para dissidências e espalha a sensação de que a candidatura tem foto, mas não tem comando. Na política real, sobretudo em ano pré-eleitoral, isso se traduz em algo muito concreto: presença do governador, coordenação política, ocupação legítima dos espaços de governo, articulação com prefeitos, deputados e vereadores, e uma base tratada com responsabilidade e pé no chão. Governador precisa termina de entregar os cargos a Senadora para ajudar na caminhada rumo ao pleito eleitoral.

Há musculatura objetiva para essa construção. Wanderlei Barbosa foi reeleito em 2022 com 481.496 votos, 58,14% dos válidos, e venceu em 130 dos 139 municípios tocantinenses. Mais recentemente, pesquisa Lucro Ativo registrada no TRE-TO mostrou 73% de aprovação da gestão, 71,06% de confiança no governo e mais de 63% de avaliação pessoal positiva do governador. Isso significa que, embora ele não possa disputar um terceiro mandato, o capital político do Palácio continua sendo um dos ativos mais relevantes da sucessão.

Dorinha, por sua vez, não chega fraca à largada. Ela venceu a eleição ao Senado em 2022 com 395.408 votos, 50,42% dos válidos, e ficou à frente em 109 dos 139 municípios, incluindo os cinco maiores colégios do Estado. Hoje, além de senadora, preside a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado no biênio 2025-2026. Nas sondagens para 2026, ela aparece em posição competitiva: na pesquisa Lucro Ativo, lidera a espontânea para governador com 36,31% e a estimulada com 48,44%; num eventual segundo turno contra Laurez Moreira, marca 57,19%. Já a Exata, também registrada, mostra um quadro mais apertado, com Dorinha em 22,93%, Vicentinho Júnior em 19,33%, Laurez em 9,72% e Amélio Cayres em 6,13%, além de índices altos de indecisos e votos em “nenhum”.

Eduardo Gomes é outro pilar dessa engenharia. Ele é senador pelo Tocantins no período 2019-2027 e hoje ocupa a 1ª Vice-Presidência do Senado. Na Lucro Ativo, aparece com 20,31% na espontânea para o Senado e lidera a estimulada com 37,13%, o que o coloca como nome de alta densidade na chapa. Num desenho em que o governo quer transmitir segurança e experiência institucional, Eduardo agrega lastro em Brasília e densidade política no Estado.

Dorinha, por sua vez, chega com densidade própria. Em 2022, foi eleita senadora com 395.408 votos, 50,42% dos válidos, vencendo em 109 dos 139 municípios. Nos principais colégios e centros de influência, ela mostrou capilaridade: teve 72.268 votos em Palmas, 30.584 em Araguaína, 17.530 em Porto Nacional, 16.861 em Gurupi, 12.367 em Paraíso do Tocantins e 8.938 em Colinas do Tocantins. Hoje, além do mandato no Senado, preside a Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo no biênio 2025-2026, o que amplia sua vitrine institucional.

Eduardo Gomes completa esse desenho com peso nacional e experiência de articulação. Ele é senador do Tocantins no período 2019-2027, foi eleito em 2018 com 248.358 votos, 19,48% dos válidos, e hoje ocupa a 1ª Vice-Presidência do Senado. Em uma chapa com Dorinha e Gaguim, ele entrega densidade em Brasília, trânsito institucional e força de composição num momento em que a disputa exigirá muito mais do que carisma regional.

Carlos Gaguim também pesa na equação. Reeleito deputado federal em 2022, ele integra a bancada tocantinense na Câmara e aparece no tabuleiro de 2026 como nome para o Senado, inclusive com movimentações envolvendo o Progressistas. Na geografia do voto recente, teve 52.203 votos no estado e mostrou presença em colégios relevantes, com 3.445 votos em Palmas, 2.204 em Gurupi, 1.595 em Colinas do Tocantins, 1.586 em Xambioá, 1.550 em Barrolândia e 743 em Araguaína. É um nome que soma volume eleitoral, especialmente se encaixado numa aliança bem gerida.

Já Amélio Cayres é peça de grande peso político, mas seu peso hoje parece mais de soma e lastro partidário do que de cabeça de chapa. Ele foi reeleito deputado estadual em 2022 com 22.921 votos e reconduzido à presidência da Assembleia para o biênio 2025-2026 com 22 votos. Sua força está muito concentrada no interior e, especialmente, no Bico: em 2022 obteve 3.202 votos em Augustinópolis, 2.724 em São Miguel do Tocantins, 2.098 em Buriti do Tocantins, 1.521 em Praia Norte, 1.215 em Araguatins, 1.162 em Esperantina, 1.024 em Goiatins e 1.023 em Riachinho. Nos grandes centros, sua votação foi bem menor, como 762 em Palmas, 95 em Araguaína e 49 em Colinas. Isso não o diminui; ao contrário, mostra que ele é fortíssimo como operador de base, articulador e fiador interno do Republicanos, mas não necessariamente o nome mais largo para liderar uma majoritária estadual neste momento.

A densidade eleitoral reforça esse raciocínio. O Tocantins teve 1.171.342 eleitores aptos nas eleições municipais de 2024. Em 2022, os três maiores colégios do estado — Palmas, Araguaína e Gurupi — somavam 369.339 eleitores, cerca de 33,76% do eleitorado daquele ciclo. Palmas sozinha chegou a 209.524 eleitores em 2024. Isso significa que nenhuma chapa competitiva pode viver apenas de simbolismo palaciano ou só do interior: é preciso combinar máquina política, mensagem urbana, palanque regional e presença municipal.

Gaguim também deixou de ser hipótese para virar peça declarada. Deputado federal, eleito em 2022 com 52.203 votos, ele reiterou que sua candidatura ao Senado é “irreversível” e que a executiva nacional do União Brasil não aceita uma engenharia com três nomes ao Senado na majoritária de Dorinha. A leitura política é simples: se a chapa majoritária do grupo

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