ANÁLISE: Fábio Vaz tem tamanho para deputado federal, mas só vira candidatura grande se deixar para dar espaço para outros grupos para evitar a guerra assim ocorre com Felinto e Edmilson
Fábio Vaz não é um nome improvisado no tabuleiro de 2026. Ele chega ao debate como professor efetivo da rede estadual, ex-vereador de Palmeirópolis por dois mandatos, ex-prefeito por dois mandatos consecutivos e atual secretário de Estado da Educação. Esse histórico pesa porque mistura base municipal, experiência legislativa, vivência administrativa e presença num dos setores mais capilares do Estado. Não é um pré-candidato de gabinete puro; é alguém que já passou pela política de chão e pela máquina pública de grande escala. Contudo, ele nunca foi testado nas urnas e não se sabe o tamanho do que ele pode aparecer e ele com certeza precisará de apoios em todas as esferas.
O que fortalece seu nome, de fato, é que ele pode vender resultado e não apenas currículo. Sob a gestão estadual da educação, o Tocantins saiu de 14% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2021 para 61% em 2025, superando a meta do MEC e conquistando, pela segunda vez consecutiva, o Selo Ouro, sendo o único estado da Região Norte com essa certificação. Além disso, o próprio Fábio já relatou que assumiu uma estrutura com orçamento de cerca de R$ 2 bilhões e mais de 20 mil servidores, o que o colocou numa vitrine de gestão muito acima da média de um secretário comum.
Há outro ponto importante: Fábio não construiu a imagem de secretário isolado da política. Ele próprio afirmou que força política foi decisiva para fazer a pasta andar e vinculou isso à proximidade com o governador Wanderlei Barbosa. Nos bastidores, seu nome já aparece entre os auxiliares cotados para a Câmara Federal, e a agenda institucional nas 13 Superintendências Regionais de Educação amplia sua presença territorial justamente no momento em que o calendário eleitoral aperta. Isso lhe dá uma vantagem: ele consegue falar com educadores, prefeitos, secretários municipais, vereadores e lideranças regionais em praticamente todo o mapa tocantinense.
Também pesa a leitura de que Fábio, o governo e a equipe palaciana têm atendido pleitos que vieram não apenas de deputados estaduais, mas também da bancada federal. Na Educação, o Estado garantiu mais de R$ 26 milhões em parceria com parlamentares, com Dorinha destacando o compromisso da bancada; o governo assinou convênio superior a R$ 47 milhões para escolas em Palmas e Gurupi com recursos do Novo PAC; e o próprio Fábio agradeceu publicamente a Vicentinho Júnior e à bancada federal pela obra da escola de tempo integral de Luzimangues. Isso ajuda a consolidar a imagem de que ele dialoga com quem pede obra, estrutura e investimento — e não apenas com a bolha interna do Palácio.
Na engrenagem maior do governo, essa articulação não passa só por Fábio. Carlos Felinto Júnior ocupa hoje a Secretaria da Saúde e, em agenda oficial em Brasília, agradeceu o apoio da bancada tocantinense na ampliação de recursos do SUS. No Ruraltins, o presidente atual é Edmilson Rodrigues de Sousa. E, no centro da máquina, Deocleciano Gomes Filho segue como secretário chefe da Casa Civil, posição decisiva para nomeações, acomodações e mediação política do governo. Na prática, isso significa que uma candidatura de Fábio só ganha corpo de verdade se a estrutura inteira funcionar em sintonia — Educação, Saúde, órgãos estratégicos e Casa Civil.
Mas é justamente aí que aparece o maior risco. Fábio pode ser forte para fora e problemático para dentro. Houve ruídos públicos recentes envolvendo a deputada Janad Valcari e outros parlamentares reclamam do não acolhimento de indicados na SEDUC, assim como no Ruraltins, Casa Civil e com o Carlos Felinto na SES, ouvidos pelo DT. Em coluna de bastidor, surgiram relatos de que apoiadores da parlamentar acusavam o secretário de tentar avançar sobre bases de prefeitos e vereadores com uso da estrutura governamental. Depois, tanto Janad quanto Fábio negaram desavença e falaram em relação respeitosa. Ainda assim, o episódio acendeu um alerta importante: candidatura proporcional competitiva não pode nascer com fama de invasão de território. Pode até render musculatura no curtíssimo prazo, mas cria rejeição onde mais se precisa de soma.
E aqui entra o ponto mais analítico do seu texto: Fábio não vence uma disputa federal apenas com a rede da Educação e com o prestígio do cargo. Ele precisa de líderes de peso, porque no Tocantins voto para federal continua sendo uma equação de estrutura, densidade regional e alianças. Janad Valcari teve 31.587 votos para deputada estadual em 2022 e chegou a 69.684 votos no segundo turno para prefeita de Palmas em 2024; Amélio Cayres foi reeleito deputado estadual com 22.921 votos e hoje preside a Aleto; Jair Farias foi reeleito com 31.442 votos; Ricardo Ayres chegou à Câmara com 45.880 votos; Carlos Gaguim teve 52.203; e Antonio Andrade foi o mais votado para federal em 2022, com 63.813 votos. Esses números mostram que ninguém chega grande na federal sem conversar com quem já provou ter voto, base e municipalismo de verdade.
Por isso, o desafio de Fábio não é apenas crescer; é crescer sem hostilizar. Amélio, por exemplo, continua se movendo para preservar protagonismo e já disse que precisa comandar uma legenda para viabilizar seu projeto ao governo, além de afirmar contar com apoio expressivo entre deputados estaduais. Isso quer dizer que a base governista está viva, competitiva e cheia de interesses próprios. Se Fábio for visto como candidato que agrega, ele entra no jogo com muito peso. Se for visto como candidato que atropela, vira problema antes de virar solução.
Há ainda um fator a favor dele: o governador Wanderlei Barbosa segue com capital político alto. A gestão aparece com 73% de aprovação em levantamento estadual, e Wanderlei foi reeleito em 2022 com 58,14% dos votos. Em português claro: o guarda-chuva do governo ainda protege. Só que proteção não substitui coordenação. O Palácio precisa decidir se quer Fábio como nome competitivo de verdade ou apenas como peça de composição. Se quiser de verdade, terá de entrar com método, distribuir apoio com pé no chão, conter ruídos internos e usar a Casa Civil para harmonizar, não para incendiar.
No fim, a síntese é dura e simples: Fábio Vaz é, sim, nome forte para a Câmara Federal porque reúne história política, vitrine administrativa, resultado concreto e presença estadual. Mas força não é o mesmo que viabilidade plena. Para sair da condição de nome promissor e entrar na faixa dos realmente competitivos, ele precisa do governo do Tocantins por inteiro, da coordenação de Deocleciano Gomes, da boa vontade institucional de áreas como Saúde e Ruraltins, e principalmente de uma costura honesta com líderes que já têm voto e território. Candidatura federal no Tocantins não se impõe. Candidatura federal no Tocantins se constrói.