Operação “Fica Amélio” trava ida ao PRD e ao MDB, e grupo fecha fileiras para mantê-lo com Dorinha e o Palácio
Deputados e líderes ouvidos pelo Diário Tocantinense relatam que articulação política conteve movimento de saída de Amélio Cayres, reforçou o eixo governista e esfriou alternativas fora da aliança com Dorinha Seabra e o Palácio Araguaia.
A chamada operação “Fica Amélio” ganhou corpo nos bastidores da política tocantinense e passou a redesenhar o espaço do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, dentro do xadrez de 2026. Após movimentos de aproximação com o MDB e também com a federação que reúne PRD e Solidariedade, o ambiente político ao redor do deputado mudou, e a pressão pela permanência no campo governista aumentou. Segundo deputados e líderes ouvidos pelo Diário Tocantinense, prevaleceu a avaliação de que uma saída neste momento enfraqueceria o próprio grupo e abriria uma fissura desnecessária no bloco hoje alinhado ao governador Wanderlei Barbosa e à senadora Dorinha Seabra.
Nos bastidores, a leitura é de que Amélio buscou testar caminhos, medir espaço e avaliar até onde poderia avançar fora do núcleo central da base. O MDB apareceu como uma alternativa real de abrigo político, especialmente por oferecer estrutura partidária e discurso de protagonismo. Já o PRD também entrou no radar como possibilidade de construção mais independente. Ainda assim, as conversas não avançaram como o esperado, tanto por resistência de setores partidários quanto pela percepção de que uma mudança brusca poderia isolá-lo em vez de fortalecê-lo.
Lideranças ouvidas pela reportagem afirmam que o entorno de Dorinha e o Palácio atuaram diretamente para esfriar a movimentação e convencer Amélio de que o melhor caminho segue sendo a permanência no campo governista. O argumento central foi político: neste momento, romper significaria sair de uma aliança robusta para entrar em terreno incerto, sem garantia de musculatura eleitoral suficiente para sustentar uma candidatura majoritária de grande porte com segurança.
Na avaliação reservada de parte dos aliados, Amélio ainda não reúne densidade eleitoral consolidada para uma disputa dessa dimensão, especialmente se o projeto for apresentado fora do guarda-chuva principal do grupo palaciano. O entendimento entre interlocutores ouvidos pelo Diário Tocantinense é de que, fora da aliança central, ele até poderia receber apoio pontual para uma candidatura avulsa ao Senado, mas não haveria hoje lastro político amplo para bancar com força uma empreitada maior e competitiva no topo da chapa.
Essa percepção ajudou a fortalecer a estratégia de contenção. Em vez de estimular aventura partidária, o grupo preferiu preservar Amélio dentro de uma construção em que ele continue relevante, com espaço institucional, poder de articulação e capacidade de negociação. A mensagem transmitida por aliados foi clara: ainda há jogo para ele, mas o jogo mais seguro e racional está dentro da base, não fora dela.
O movimento também expõe um dado importante do atual momento político do Tocantins. Em vez de apostar em rupturas, o núcleo mais próximo do governo trabalha para reduzir ruídos, impedir dispersão e manter coeso o bloco que deverá sustentar o projeto de 2026. Nesse desenho, Amélio continua sendo peça importante, mas com papel calibrado pela realidade das forças em campo e pela necessidade de preservar unidade.
Com isso, a tentativa de buscar novos caminhos em siglas como MDB e PRD perdeu fôlego, e a operação “Fica Amélio” passou a prevalecer como saída mais viável. No bastidor, o recado é de que ainda há espaço para composição, prestígio e protagonismo, desde que ele permaneça no trilho da base. Fora desse eixo, avaliam deputados e líderes ouvidos pelo Diário Tocantinense, sobraria visibilidade, mas faltaria sustentação real para um voo mais alto.