Quem está mais forte na disputa pelo governo do Tocantins em 2026

Quem está mais forte na disputa pelo governo do Tocantins em 2026
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 20 de março de 2026 8
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A sucessão estadual de 2026 no Tocantins ainda não entrou na fase formal da campanha, mas já saiu do campo da especulação leve e entrou numa etapa em que estrutura partidária, capacidade de atrair aliados, presença regional e posicionamento no imaginário do eleitor começam a produzir diferença real. Hoje, olhando pesquisas disponíveis, movimentações partidárias e sinais emitidos pelos principais grupos políticos do Estado, a conclusão mais consistente é a seguinte: Professora Dorinha aparece na dianteira. Ela não tem a eleição resolvida, mas é o nome que, neste momento, reúne o conjunto mais sólido entre intenção de voto, articulação partidária e centralidade política.

Esse diagnóstico exige cuidado. Liderar agora não significa vencer depois. Em março de 2026, a eleição tocantinense ainda convive com um volume alto de eleitores sem nome definido e com muito espaço para rearranjo. A própria pesquisa Exata divulgada em fevereiro mostra percentuais relevantes de “nenhum” e “não sabe”, o que indica um ambiente ainda aberto, com baixa cristalização do voto e margem para crescimento de candidaturas que consigam converter presença institucional em sentimento eleitoral.

Mesmo assim, Dorinha parte na frente por uma razão objetiva. Ela conseguiu unir, ao mesmo tempo, três ativos que os demais nomes ainda não conseguiram combinar com a mesma força. O primeiro é o ativo eleitoral. A pesquisa Exata.GO a colocou com 22,93 por cento na espontânea, à frente de Vicentinho Júnior, com 19,33 por cento, Laurez Moreira, com 7,38 por cento, e Amélio Cayres, com 6,13 por cento. Nos cenários estimulados presentes no PDF da pesquisa, Dorinha também aparece à frente quando testada contra Vicentinho e Amélio.

O segundo ativo é o partidário. O ato marcado para 27 de março, em Palmas, deixou de ser um simples encontro de pré campanha e passou a funcionar como demonstração de força. A mobilização pró Dorinha já conta com confirmações de siglas como União Brasil, PL, PP, PRD, Cidadania e Republicanos, segundo a cobertura local. O detalhe mais importante aí não é apenas o número de partidos, mas o peso específico do Republicanos. Como Wanderlei Barbosa preside o partido no Estado, a presença da legenda no ato foi lida como sinal de aproximação entre o governador e o campo dorinhista.

O terceiro ativo é a centralidade narrativa. Hoje, o debate sucessório gira em torno de Dorinha mesmo quando a pauta é sobre os outros. Laurez se movimenta tentando construir alternativa. Amélio reage para não ser comprimido. Vicentinho se preserva e mede o tempo de mostrar suas cartas. O Republicanos discute seu lugar. O PSD busca demonstrar musculatura. Em todos esses movimentos, Dorinha aparece como referência implícita. Quando um nome passa a funcionar como eixo organizador da conversa política, isso significa que ele deixou de ser apenas um pré candidato e virou polo de gravidade. Essa é a posição que ela ocupa agora.

O segundo nome mais relevante do tabuleiro hoje é Laurez Moreira. A força de Laurez não nasce, neste momento, da pesquisa, mas da combinação entre cargo, capilaridade institucional e organização partidária. Vice governador, filiado ao PSD e articulado com Gilberto Kassab, ele trabalha para transformar o partido em plataforma efetiva de candidatura. O encontro do PSD marcado para 25 de março, com presença de Kassab, foi organizado justamente para exibir estrutura, filiações e capacidade de montagem regional. Além disso, Laurez declarou que quatro partidos já gravitam em torno de sua pré candidatura.

Mas a dificuldade de Laurez é clara. Ele tem estrutura, porém ainda não conseguiu converter estrutura em sensação de dianteira. Na política estadual, isso faz diferença. Ter partido forte ajuda, ter vice governadoria ajuda, ter agenda com Kassab ajuda, mas nada disso substitui a percepção pública de que uma candidatura está crescendo. Hoje, a candidatura percebida como ascendente é a de Dorinha, não a de Laurez. A vantagem comparativa dele é outra. Ele continua sendo o nome com melhores condições de se consolidar como polo alternativo caso o campo governista não feche de forma orgânica com a senadora. Ou seja, ele talvez não seja o mais forte hoje, mas é um dos que mais podem crescer se houver fissura relevante no bloco dominante.

Vicentinho Júnior ocupa uma posição peculiar e, por isso mesmo, perigosa para os adversários. Ele aparece melhor nas pesquisas do que parte do bastidor gostaria de admitir. Na espontânea da Exata, ficou em segundo lugar, com 19,33 por cento, e nos cenários estimulados do PDF mantém patamares competitivos. Isso mostra que seu nome circula no eleitorado com uma força que vai além do noticiário de bastidor.

Ao mesmo tempo, Vicentinho adota uma estratégia de retenção. Como presidente do PSDB no Tocantins, afirmou que pretende mostrar nomes e composição “na hora que tem que ser mostrado”, segundo a Gazeta do Cerrado. Em outra frente, voltou a se posicionar junto ao setor produtivo com o compromisso de extinguir a cobrança do FET, tentando ocupar um espaço de oposição ao governo com linguagem voltada ao agro e à economia regional. Também recebeu apoio de uma liderança evangélica relevante, o bispo Guaracy Silveira, o que reforça sua capacidade de diálogo com bases organizadas.

A limitação de Vicentinho hoje não está no recall, mas no bloco. Ele tem voto potencial e presença pública, mas ainda não exibe uma coligação com a mesma robustez visual do entorno de Dorinha. Em outras palavras, é um nome eleitoralmente vivo, porém politicamente mais reservado. Isso não o enfraquece necessariamente. Em certos cenários, até preserva margem de manobra. Mas significa que, neste momento, ele corre mais como candidatura competitiva individual do que como frente amplamente consolidada.

Amélio Cayres, por sua vez, vive talvez o quadro mais delicado entre os nomes centrais. Ele reafirmou publicamente a disposição de disputar o governo, fez agendas com imprensa em Palmas e Gurupi e tenta passar a mensagem de que seu projeto continua de pé. Isso mostra que não saiu do jogo e nem pretende aceitar redução automática de espaço.

O problema de Amélio é que sua pré candidatura amadurece justamente no instante em que o Republicanos, seu partido, emite sinais de proximidade com Dorinha. Quando o partido do governador aparece confirmado num ato que fortalece uma adversária interna de projeto, o efeito político é inevitável. A candidatura de Amélio não morre por isso, mas fica pressionada. Ela deixa de depender apenas da capacidade de crescer e passa a depender também da capacidade de resistir à compressão do próprio campo. O que antes era construção virou também disputa por sobrevivência interna.

Há ainda um componente importante. A força de Amélio é mais institucional do que popular neste momento. Presidir a Assembleia é um ativo relevante porque oferece interlocução, visibilidade e trânsito. Só que, em eleição majoritária, cargo sozinho não resolve. É preciso transformar centralidade institucional em sentimento social. Até agora, os números disponíveis mostram que ele ainda não conseguiu fazer essa travessia na mesma intensidade dos concorrentes mais bem colocados.

Ataídes Oliveira volta ao radar com sua pré candidatura pelo Novo e tenta ocupar o espaço de crítica moral do sistema político. Nos últimos dias, reafirmou publicamente que disputar o governo não seria, segundo ele, um ato de ambição, mas de sacrifício e doação. Também tem usado o discurso anticorrupção como eixo de posicionamento.

Só que, olhando friamente, Ataídes está longe da primeira linha da disputa. Na pesquisa Exata, aparece com 3,33 por cento. Isso o mantém no radar, mas não no centro do tabuleiro. Seu desafio é o mais difícil entre todos os nomes citados, porque precisa construir simultaneamente densidade eleitoral, capilaridade partidária e presença regional competitiva. Até agora, os sinais públicos mostram mais reposicionamento de discurso do que crescimento efetivo de viabilidade.

A grande variável de toda essa equação continua sendo Wanderlei Barbosa. Ele não é candidato ao governo, mas continua sendo um dos principais detentores de poder real no processo sucessório. Seu comportamento é decisivo porque ele influencia não apenas o destino do Republicanos, mas também o grau de coesão ou fragmentação da base governista. Se Wanderlei entrar de forma mais clara e integral no eixo de Dorinha, a senadora amplia sua dianteira política e passa a reunir algo raro em sucessão estadual: pesquisa favorável, bloco partidário e chancela do principal polo administrativo do momento. Se optar por maior ambiguidade, o jogo volta a abrir espaço para Laurez, Amélio e até para candidaturas de oposição organizada. Hoje, porém, os sinais disponíveis apontam mais para aproximação do que para neutralidade.

A análise profunda do quadro, portanto, leva a uma distinção importante. Existe uma diferença entre estar no páreo e estar forte. Estar no páreo é aparecer nas conversas, dar entrevistas, organizar atos, circular pelo Estado e sinalizar intenção. Estar forte é outra coisa. É conseguir fazer com que pesquisa, aliança, narrativa e expectativa de poder caminhem na mesma direção. Hoje, Dorinha é a única que apresenta esse pacote de modo mais visível. Laurez tem estrutura, mas ainda busca converter isso em ritmo. Vicentinho tem voto e recall, mas ainda preserva demais o bloco. Amélio tem cargo e presença institucional, mas enfrenta estrangulamento no próprio ambiente. Ataídes existe no debate, porém ainda sem massa crítica suficiente.

A conclusão mais honesta, neste 20 de março de 2026, é que Dorinha está na dianteira, mas ainda não há fechamento de eleição. O que existe é fechamento gradual de campo. Isso é politicamente relevante porque eleição estadual costuma ser decidida menos pela quantidade de nomes e mais pela qualidade das convergências. E, nesse quesito, a senadora construiu até aqui a posição mais vantajosa do tabuleiro tocantinense.

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