R$ 73,8 milhões, delação sob pressão e Buriti em disputa: caso Ibaneis embaralha sucessão no DF e projeta Celina Leão

A crise política em torno do caso Banco Master ganhou uma nova camada de desgaste em Brasília após a revelação de que o Escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 73,8 milhões pela venda de honorários de precatórios em 13 contratos assinados entre 2008 e 2024. Segundo a apuração, a banca comercializou cerca de R$ 155 milhões em créditos com deságio, incluindo negócios ligados a fundos administrados pela Reag, empresa liquidada pelo Banco Central e investigada pela Polícia Federal no caso Master.
O tema amplia a pressão sobre o entorno do governador Ibaneis Rocha (MDB) num momento sensível da política do Distrito Federal. Em nota, o escritório afirmou que as operações são regulares, lícitas e comuns no mercado de cessão de créditos. Em outra manifestação, a defesa de Ibaneis disse ao Metrópoles que o governador está afastado do escritório desde 2018 e que não tem informações sobre negociações feitas anos depois de seu afastamento.
Nos bastidores de Brasília, outro ponto elevou a temperatura: a negociação de uma possível delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Reportagens da CNN mostram que PF, PGR e alas do STF endureceram o recado e só admitem uma colaboração completa, sem poupar envolvidos, o que indica que a eventual delação está sendo tratada com forte cautela institucional e sem espaço para acordo parcial.
Esse ambiente de tensão coincide com a decisão de Ibaneis Rocha de deixar o governo do DF em 28 de março para disputar o Senado. A saída ocorre em meio ao avanço das investigações e ao desgaste político provocado pelo caso Master, o que transforma a sucessão no Palácio do Buriti em uma das disputas mais observadas de 2026.
É nesse cenário que Celina Leão (PP) sobe de patamar. Apontada como nome do grupo governista para a sucessão de Ibaneis, a vice-governadora entra no centro do tabuleiro justamente quando a crise encurta a margem de manobra do atual governador. Em levantamento do Instituto Veritá, divulgado pelo Jornal de Brasília, Celina aparece na liderança da corrida, com 32,7% das menções entre os eleitores que já declaram voto na espontânea, embora 90% ainda digam não saber em quem votar.
A disputa, porém, está longe de encerrada. Além de Celina Leão, aparecem no radar do DF nomes como José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). Em outro recorte da pesquisa Veritá, divulgado pela imprensa local, Arruda (24%), Celina (22%), Izalci Lucas (21,5%) e Leandro Grass (21,4%) surgem em empate técnico, mostrando que a corrida pode mudar bastante conforme o caso Ibaneis evoluir e conforme Celina assumir mais protagonismo institucional.
No resumo do momento político, o Distrito Federal vive uma combinação explosiva: revelações financeiras que atingem o escritório ligado a Ibaneis, uma delação tratada com cautela máxima por PF e PGR, e uma sucessão aberta em que Celina Leão passa a ser a principal vitrine do grupo governista. Em Brasília, o caso já não mexe apenas com investigações — mexe diretamente com a eleição para o governo do DF.