Quinta do Agro: arroba do boi gordo reage no Tocantins, chega a R$ 328 e mercado segue firme, diz Scot Consultoria

Quinta do Agro: arroba do boi gordo reage no Tocantins, chega a R$ 328 e mercado segue firme, diz Scot Consultoria
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 26 de março de 2026 2

Com pasto favorecido pelas chuvas, pecuarista segura o animal, frigorífico melhora oferta e mercado do boi gordo volta a ganhar tração no Tocantins

O mercado do boi gordo no Tocantins voltou a dar sinais concretos de reação e reacendeu o otimismo do setor pecuário em um momento em que o produtor rural acompanha com atenção o comportamento da arroba. Depois de um período marcado por pressão de baixa e tentativas de recuo nas negociações, a arroba voltou a ganhar sustentação e já é negociada entre R$ 322 e R$ 328 no estado, dependendo da praça, do padrão dos animais e da estratégia de compra da indústria. A avaliação é do engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria, Pedro Gonçalves, em análise exclusiva ao Diário Tocantinense.

Segundo o especialista, o Tocantins acompanha um movimento mais amplo observado no mercado nacional, mas com um componente local decisivo: as chuvas seguem ajudando a segurar a oferta. Com pastagens em condição mais favorável, muitos pecuaristas conseguem manter os animais por mais tempo nas propriedades, o que reduz a urgência de venda e fortalece o poder de barganha no momento da negociação com os frigoríficos.

“Há cerca de dez dias existia uma pressão de baixa sobre a formação dos preços da arroba do boi gordo, não só no Tocantins, mas no Brasil de forma geral. De lá para cá, tivemos praticamente uma estabilidade, com agora uma alta de aproximadamente R$ 3, sendo negociada entre R$ 322 e R$ 328 por arroba”, afirmou Pedro Gonçalves, em entrevista ao Diário Tocantinense.

O movimento pode parecer pequeno no número absoluto, mas tem peso importante na leitura de mercado. Em um setor em que oscilações de poucos reais por arroba alteram a margem de venda, o custo de retenção e o ritmo de comercialização, uma recuperação de R$ 3 em poucos dias é interpretada como sinal de firmeza — especialmente após um ciclo recente de pressão por preços menores.

Pasto melhora e muda a correlação de forças

Na prática, o fator climático tem sido um dos principais responsáveis pela mudança no humor do mercado. Com chuvas mais regulares e melhor condição das pastagens, o pecuarista ganha tempo. E, no mercado do boi gordo, tempo significa poder.

Quando o produtor não precisa tirar o animal rapidamente da fazenda, ele deixa de negociar pressionado. Isso muda a correlação de forças com a indústria frigorífica, que continua precisando preencher escala de abate. O resultado é direto: o frigorífico precisa subir a proposta para convencer o produtor a vender.

“O cenário de chuvas ainda positivo permite que o pecuarista segure o animal dentro da propriedade e faça negociações mais tranquilas com a unidade frigorífica. E a indústria, por sua vez, precisa comprar esses bovinos, então acaba ofertando um pouco mais e negociando melhor nesse período”, explicou o analista da Scot Consultoria.

Esse tipo de cenário é particularmente relevante no Tocantins, onde a pecuária tem peso estratégico na economia regional e onde a decisão do produtor sobre vender ou segurar o boi impacta não apenas a renda da fazenda, mas o comportamento de toda a cadeia: confinamento, recria, frigoríficos, transporte, reposição e mercado futuro.

Demanda interna e exportações ajudam a sustentar o mercado

Além do fator climático, outro elemento ajuda a explicar a reação da arroba: a demanda segue aquecida, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.

Segundo Pedro Gonçalves, o ambiente atual combina dois vetores positivos: de um lado, a indústria continua ativa, buscando animais para compor escala; de outro, a oferta de boi terminado depende cada vez mais da decisão do produtor, que, diante de pasto e cenário favorável, evita negociações precipitadas.

“Estamos com demandas bastante aquecidas, tanto no mercado interno quanto no externo. Ao mesmo tempo, a oferta de animais terminados depende muito da vontade do pecuarista de tirar esse animal da propriedade. Isso acaba dando firmeza ao mercado”, reforçou.

Esse equilíbrio entre oferta mais controlada e demanda ativa é exatamente o tipo de combinação que costuma dar sustentação à arroba no curto prazo. E, no atual momento, esse arranjo vem favorecendo o Tocantins, que aparece em um patamar de preço competitivo e em linha com o movimento de recuperação observado em outras regiões pecuárias do país.

Mercado firme, mas com olho no segundo semestre

A leitura da Scot Consultoria é de que o cenário segue positivo no curto e médio prazo, com viés de manutenção da firmeza nas próximas semanas. O produtor, segundo a análise, tem evitado vender de forma precipitada, o que ajuda a impedir recuos mais fortes e reforça um ambiente de negociação mais equilibrado.

Ao mesmo tempo, o setor já começa a olhar para um fator que pode influenciar o comportamento do mercado mais adiante: o mercado internacional, especialmente a relação com a China.

Pedro Gonçalves pondera que, embora o quadro atual seja favorável, os desdobramentos ligados às cotas chinesas e à dinâmica das exportações devem ser monitorados com mais atenção ao longo do segundo semestre, quando o mercado tradicionalmente passa a reagir a outros vetores de oferta, demanda e fluxo internacional.

“Esse cenário deve se desenhar bastante positivo, pelo menos para o curto e médio prazo. É claro que as cotas chinesas devem impactar um pouco mais, mas isso é um assunto mais próximo do segundo semestre”, concluiu.

Produtor ganha fôlego e mercado entra no radar

No Tocantins, a reação da arroba é recebida como um sinal importante em um momento em que o pecuarista vinha acompanhando, com cautela, as tentativas de redução nas ofertas da indústria. A recuperação recente, ainda que moderada, devolve fôlego à negociação e reforça a percepção de que o mercado segue mais firme do que indicavam os movimentos de baixa de dias atrás.

Para a cadeia pecuária, o momento é de atenção e leitura estratégica. Com pasto sustentado, demanda ativa e frigorífico precisando comprar, o produtor ganha espaço para negociar melhor. E, no agro, esse detalhe vale muito.

No fim, o que o mercado do boi gordo mostra neste momento no Tocantins é simples: quando o pasto segura, o produtor escolhe a hora de vender — e, quando isso acontece, a arroba reage.

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