Médico brasileiro desenvolve método inédito para aplicação do balão intragástrico

Médico brasileiro desenvolve método inédito para aplicação do balão intragástrico
Direto de PEPor Direto de PE 30 de março de 2026 2
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O médico gastroenterologista brasileiro Mauro Lúcio Jácome irá apresentar um estudo de caso com resultados inéditos em um congresso nos Estados Unidos, em abril. Em resumo, a pesquisa apresenta uma estratégia inovadora para o uso do balão intragástrico ajustável no tratamento da obesidade. Método que não é frequentemente utilizado nas clínicas especializadas e, após acompanhamento clínico em cerca de mil pacientes, demonstrou uma eficácia quase que de 100%.

No dia 5 de abril, o especialista estará no “Digestive Disease Week, em Chicago, nos Estados Unidos, para apresentar os resultados do seu estudo. A demonstração ocorre durante esse evento, que na realidade é o congresso americano de endoscopia e gastroenterologia, um dos mais relevantes hoje em dia. Mauro é natural de Caeté, em Minas Gerais, e há mais de 20 anos se dedica a estudos e a aplicação de balões intragástricos em pacientes de todo o mundo. 

Tradicionalmente, esse dispositivo é implantado com volumes elevados de líquido, entre 600 ml e 750 ml, o que pode aumentar a perda de peso, mas também está associado a efeitos adversos relevantes, como intolerância, úlceras e migração do balão. A proposta dos autores consiste em iniciar o tratamento com um volume reduzido, em torno de 350 ml, seguido de dois aumentos progressivos ao longo do tempo, até atingir o volume final desejado.

“Trata-se de um estudo observacional retrospectivo com 323 pacientes atendidos em um ambulatório especializado, dos quais 63 completaram o protocolo. A maioria era composta por mulheres, com média de idade de aproximadamente 40 anos. Os participantes apresentaram redução significativa de peso e do índice de massa corporal ao final de 12 meses, com perda média de 18% do peso total e 66,3% do excesso de peso. Os resultados indicaram ainda que volumes finais maiores do balão estiveram associados a uma leve redução na perda percentual de peso, enquanto idade, sexo e IMC inicial não tiveram impacto significativo nos desfechos”, explica Mauro Jácome.

A estratégia de iniciar com baixo volume e realizar ajustes sequenciais demonstrou eficácia clínica relevante, boa tolerância por parte dos pacientes e baixa taxa de complicações. Apenas um caso exigiu retirada precoce do dispositivo por intolerância. Os autores concluem que o protocolo é seguro e apresenta resultados comparáveis aos métodos tradicionais descritos na literatura, configurando uma alternativa viável no manejo da obesidade.

“Estou muito feliz. Primeiro pelo fato de levar a bandeira do nosso país a mais um púlpito internacional e poder demonstrar o quanto a medicina do Brasil é séria. E segundo porque é um feito pessoal que trabalhei muito para construir e poder tornar isso público é bastante gratificante”, completa o médico.

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