Saída em série no Palácio agita 2026 e coloca Fábio Vaz, Atos Gomes e Kátia Chaves no centro da disputa eleitoral

Saída em série no Palácio agita 2026 e coloca Fábio Vaz, Atos Gomes e Kátia Chaves no centro da disputa eleitoral
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Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de março de 2026 7

A semana começou com o Palácio Araguaia em modo eleitoral no Tocantins. A poucos dias do prazo final de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de 2026, o núcleo mais próximo do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) entrou em contagem regressiva para uma possível saída em série de nomes estratégicos do primeiro escalão. No centro desse movimento estão Fábio Vaz, Atos Gomes e Kátia Chaves, três quadros que passaram a ser tratados nos bastidores como peças importantes da engrenagem governista para a montagem das chapas proporcionais do próximo ano.

Mais do que simples trocas administrativas, o que está em curso nesta semana pode revelar o tamanho real da operação eleitoral do Palácio para 2026. A regra é conhecida nos bastidores: ocupantes de determinados cargos públicos que pretendem disputar o pleito de outubro do ano que vem precisam deixar suas funções até 4 de abril, a depender da natureza do cargo e da vaga desejada. O prazo transformou os últimos dias de março em uma janela decisiva para medir quantos auxiliares de Wanderlei realmente desembarcam do governo para entrar no jogo eleitoral.

O nome tratado como mais consolidado nesse tabuleiro é o de Fábio Vaz, atual secretário estadual da Educação. Integrante de uma das áreas mais sensíveis e capilarizadas do governo, ele aparece como um dos quadros mais fortes do grupo palaciano para a disputa de uma vaga na Câmara dos Deputados, dentro da estratégia do Republicanos de ampliar competitividade na chapa federal. A movimentação em torno do secretário não é nova, mas ganhou força nesta reta final justamente porque o partido já vinha articulando internamente sua nominata com o nome dele entre os prioritários. Na semana passada, a própria leitura de bastidor já apontava Fábio como uma das apostas do Republicanos para a federal, ao lado de outros nomes ligados ao grupo do governador.

Outro nome que passou a circular com mais intensidade é o de Atos Gomes, também citado entre os quadros observados para a corrida proporcional de 2026. Nos bastidores, a leitura é que Atos pode ser encaixado na estratégia do grupo para reforçar a disputa por vaga federal, a depender da composição final e das conversas partidárias que ainda estão em andamento. O Republicanos, partido comandado politicamente por Wanderlei no estado, vem trabalhando para fechar uma chapa com nomes de peso regional e perfis complementares, o que ajuda a explicar a insistência em manter Atos no radar das conversas desta semana.

A terceira peça observada com atenção é Kátia Chaves, nome que vem sendo mencionado com densidade crescente dentro da estratégia palaciana. A força política atribuída a ela está ligada, principalmente, à possibilidade de construção de base no Norte do Tocantins e no Bico do Papagaio, regiões que seguem centrais para qualquer projeto robusto de chapa proporcional. No xadrez governista, Kátia é vista como um nome com potencial de encaixe regional e capacidade de ampliar a presença do grupo em áreas onde o voto é fortemente territorializado e dependente de articulação local.

Mas a movimentação não para nos três nomes mais comentados. O próprio entorno do Palácio acompanha outros quadros que podem entrar no circuito até o fechamento do prazo. Entre eles, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Márcio Antônio Barbosa de Mendonça, o Coronel Barbosa, que já aparece em articulações partidárias do Republicanos para a Câmara Federal, e o professor Adriano, apontado em rodas políticas como nome com lastro no Bico e com potencial para disputa proporcional. O recado que circula entre interlocutores do governo é claro: a operação de 2026 não será individual, mas coletiva, com o Palácio tentando ocupar o maior número possível de espaços competitivos tanto para a Câmara Federal quanto para a Assembleia Legislativa.

A lógica é política e matemática. Com a eleição proporcional cada vez mais dependente de chapas fortes, bem distribuídas territorialmente e com nomes que carreguem voto regionalizado, o governo precisa transformar gestão em ativo eleitoral. Secretários, auxiliares estratégicos, nomes técnicos com exposição pública e quadros ligados a áreas sensíveis da administração viram ativos valiosos na composição das nominatas. Em outras palavras: não se trata apenas de quem sai, mas de onde cada nome entra e qual região do estado cada candidatura ajuda a cobrir.

É por isso que o movimento desta semana tem peso maior do que aparenta. Quando um secretário da Educação, um articulador com densidade partidária e um nome de base regional entram simultaneamente no radar de desincompatibilização, o que está sendo desenhado não é só a lista de candidatos. O que está sendo desenhado é a arquitetura eleitoral do grupo de Wanderlei Barbosa para 2026, com reflexos sobre alianças municipais, composição de chapas, disputa interna por espaço e, sobretudo, sobre a sucessão política no Tocantins.

Nos bastidores, a expectativa agora é saber quantos outros nomes do primeiro escalão também vão desembarcar até sexta-feira. Essa resposta pode dizer muito mais sobre 2026 do que qualquer declaração pública feita até aqui. Se a saída em série se confirmar, o Palácio deixará de apenas administrar o calendário eleitoral e passará a assumir, de forma prática, que a eleição do ano que vem já começou dentro do governo.

E no Tocantins, quando o primeiro escalão começa a se mover em bloco, raramente é só para trocar cadeira. É porque o poder já está mudando de posição antes mesmo de a campanha começar.

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