Amélio cumpre promessa, enterra impeachment de Wanderlei e escancara nova posição de oposição no Tocantins
Amélio Cayres transformou em ato oficial o que já havia avisado publicamente ao governador Wanderlei Barbosa. Depois de declarar na ASSCAM que o pedido de impeachment contra o chefe do Executivo “nem deveria ter aparecido”, o presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins assinou a Decisão nº 001/2026-PRES/ALETO e determinou o não recebimento das denúncias apresentadas contra Wanderlei e também da representação contra o vice-governador Laurez Moreira. No papel, a justificativa foi jurídica; na prática, o gesto teve peso político imediato e mexeu de vez no tabuleiro de 2026.
No discurso feito diante de Wanderlei, Amélio não apenas anunciou que arquivaria os pedidos. Ele também fez um gesto público de blindagem institucional ao afirmar que o impeachment do governador não deveria nem ter surgido e, ao mesmo tempo, procurou separar essa decisão da disputa eleitoral. Foi nesse momento que disse ao governador que ele “não me deve nada”, deixando claro que não exigiria apoio automático para o projeto que construía naquele instante. A fala foi lida como um recado duplo: preservava Wanderlei da crise institucional, mas abria caminho para a divergência política.
A confirmação oficial veio no Diário da Assembleia de 31 de março. Na decisão, Amélio sustenta que os fatos ainda estavam em fase investigativa, sem elementos consolidados para autorizar a abertura de processo por crime de responsabilidade. O texto cita a possibilidade de rejeição liminar quando não há justa causa e registra ainda que havia pedidos supervenientes de desistência e arquivamento de parte das representações. Assim, o presidente da Aleto retirou da pauta uma das maiores bombas institucionais do Estado justamente no momento em que o ambiente pré-eleitoral subia de temperatura.
Mas o gesto de proteção institucional não significou permanência no grupo palaciano. Horas depois, na própria Aleto, Amélio confirmou a saída do Republicanos e passou a vocalizar um discurso de afastamento político. Ao falar da sucessão estadual, negou rixa pessoal com Wanderlei, mas defendeu a “divergência necessária” e disparou que não concordava com um projeto de Tocantins discutido “à beira do Lago Paranoá” e “nas luzes amarelas de Brasília”, numa crítica direta à condução das articulações fora do Estado.
A ruptura ganhou corpo definitivo na noite do mesmo dia, quando Amélio se filiou ao MDB em evento com Vicentinho Júnior, Alexandre Guimarães, Olyntho Neto e Valdemar Júnior. O ato consolidou sua nova posição no bloco adversário ao grupo governista e o colocou formalmente no campo de oposição para a eleição de 2026, como peça central de uma chapa em construção. Ou seja: Amélio enterrou o impeachment de Wanderlei no plano institucional, mas atravessou a linha no plano eleitoral.
O resultado é um movimento de alto impacto. Ao mesmo tempo em que impediu a abertura de uma crise institucional contra o governador, Amélio também desmontou qualquer dúvida sobre seu novo lugar político. O recado ficou cristalino: Wanderlei foi preservado da ameaça do impeachment, mas perdeu um do seu entorno político, agora reposicionado no outro lado da disputa pelo Palácio Araguaia.