De Olho na Política: Kátia, Irajá, Wanderlei, Dulce, Alessandro, Flávio, Caiado e Eli mexem nas peças de 2026

A política tocantinense entrou em outra fase. A janela partidária fechou, mas deixou aberta uma temporada de leitura fina: quem foi para onde, com quem decidiu caminhar e qual mensagem quis mandar. No Tocantins, isso vale para a disputa pelo Palácio, para a composição da Aleto e para a corrida ao Senado. No plano nacional, o campo da direita também começa a se dividir entre quem já mostra mais força em pesquisa e quem saiu primeiro da garagem com candidatura oficializada.
Kátia Abreu e Irajá: o sobrenome continua o mesmo, mas o caminho político já não é igual
O gesto mais simbólico da semana foi o de Kátia Abreu ao entrar no PT e reforçar a construção de um palanque ligado a Lula no Tocantins. Do outro lado, Irajá preferiu não embarcar nessa mesma rota estadual: parabenizou a mãe, reconheceu o peso político da filiação, mas reafirmou apoio “incondicional” à pré-candidatura de Laurez Moreira ao governo. Na prática, o bastidor mostra uma divergência elegante, porém real: há respeito público, mas o desenho eleitoral aponta para trilhas diferentes em 2026.
Wanderlei acena à Aleto e tenta manter até a oposição sob controle político
Wanderlei entra na fase mais delicada do calendário eleitoral sem romper pontes. A base governista segue numerosa na Assembleia, com 15 deputados, enquanto a oposição pode chegar a 9. Ao mesmo tempo, o arquivamento dos pedidos de impeachment contra o governador por decisão de Amélio Cayres ajudou a baixar a temperatura institucional. A leitura de bastidor é clara: o Palácio quer maioria, previsibilidade e uma oposição que faça barulho, mas não crie combustão. Por isso, o governador vai distribuindo gestos, prestígio e acomodação política até para quem não está exatamente no núcleo duro do governismo. Já teve até nomeações dos novos aliados dos opositores.
Dulce Miranda começa, de fato, sua corrida eleitoral e muda de lado com endereço certo

Dulce Miranda deixou o MDB, entrou no União Brasil e passou a orbitar diretamente o grupo de Dorinha. Mais do que uma troca partidária, o movimento marca o início efetivo de sua caminhada por uma vaga na Assembleia. Dulce não chega como nome decorativo: tem trajetória conhecida, já foi deputada federal e ex-primeira-dama, e agora tenta converter capital político acumulado em voto proporcional. Sua entrada reforça o campo dorinhista com um nome de memória eleitoral, densidade simbólica e apelo junto a segmentos que ainda lembram sua presença nos governos de Marcelo Miranda.
Alessandro Borges cresce no norte e entra em modo disputa no Vale do Araguaia

Alessandro Borges já deixou de ser apenas nome observado para virar peça em movimento. Ex-prefeito de Muricilândia por dois mandatos, ele confirmou pré-candidatura a deputado estadual pelo PSDB e passou a fortalecer o projeto de Vicentinho Júnior. O peso de Alessandro está justamente na soma entre gestão local, articulação regional e capacidade de entrar numa faixa do eleitorado que valoriza nome conhecido, presença territorial e discurso municipalista. No Vale do Araguaia e no norte do Estado, ele tende a ser uma candidatura que pode crescer por capilaridade e não apenas por exposição.
Flávio avança nos números, mas Caiado saiu na frente na formalização da direita

No cenário nacional, a direita começa a mostrar duas dinâmicas ao mesmo tempo. Flávio Bolsonaro é hoje o nome que aparece com mais robustez numérica nos cenários testados pela AtlasIntel, surgindo como principal polo do campo conservador na disputa presidencial. Já Ronaldo Caiado, embora ainda apareça bem atrás em intenção de voto nesse retrato nacional, saiu na frente na organização partidária ao ser oficialmente lançado pelo PSD como pré-candidato ao Planalto em 30 de março. Em outras palavras: Flávio cresce como nome mais competitivo no placar; Caiado tenta crescer como alternativa já carimbada, estruturada e em campanha aberta.
Eli Borges é o nome que pode surpreender na vaga ao Senado
Eli Borges entrou de vez no radar. A confirmação de seu nome pelo Republicanos para a corrida ao Senado reorganiza o tabuleiro da majoritária e mostra que o grupo governista quer falar com um eleitorado específico e muito mobilizado: o segmento evangélico. Mas Eli pode ser mais do que isso. Sua relação política antiga com Wanderlei, a mudança para o Republicanos e o espaço que passou a ocupar dentro da composição ligada a Dorinha o colocam numa faixa de candidatura que pode crescer além do nicho religioso, especialmente se conseguir transformar identidade, disciplina partidária e recall em projeto de amplitude estadual. É um nome que não deve ser subestimado