Preço da carne em Palmas tem variação de até 128,66%, aponta pesquisa do Procon Tocantins

Preço da carne em Palmas tem variação de até 128,66%, aponta pesquisa do Procon Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de abril de 2026 1

Levantamento divulgado pelo órgão estadual mostra diferenças expressivas entre açougues da capital; moela lidera alta, seguida por peito de frango, costela dianteira e chambari

O preço da carne em Palmas voltou a acender o alerta no orçamento das famílias. Pesquisa divulgada pelo Procon Tocantins nesta quarta-feira (9) mostrou que a diferença entre estabelecimentos da capital pode chegar a 128,66%, reforçando um cenário já conhecido do consumidor palmense: o mesmo produto pode custar muito mais, dependendo do açougue escolhido. Segundo o órgão, a maior variação foi encontrada na moela, com 128,66%, seguida pelo peito de frango (80,70%), costela dianteira (70,63%) e chambari (68,46%). A informação foi publicada no Diário Oficial do Estado do Tocantins e reproduzida em canais oficiais do governo estadual.

O dado transforma uma compra rotineira em decisão direta sobre economia doméstica. Na prática, a pesquisa confirma que, em Palmas, o consumidor que não compara preços antes de ir ao caixa pode pagar quase o dobro pelo mesmo item. O levantamento do Procon analisou 32 tipos de cortes, entre carnes bovinas, suínas, frango, peixes e linguiças, em dez estabelecimentos comerciais da capital, entre açougues, supermercados e atacarejos. A metodologia segue o padrão que o órgão já vem adotando em levantamentos mensais.

Entre os produtos com maior oscilação, a moela aparece no topo da lista. O dado chama atenção porque se trata de um item tradicionalmente associado a uma proteína mais barata, usada justamente por famílias que tentam reduzir o impacto da inflação alimentar. Em seguida aparece o peito de frango, que teve variação de 80,70%, reforçando um fenômeno que vem se repetindo em Palmas: até proteínas consideradas mais acessíveis passaram a registrar diferenças relevantes entre os pontos de venda.

Nos cortes bovinos, a costela dianteira registrou 70,63% de variação, enquanto o chambari, muito consumido no Tocantins e bastante presente na cozinha regional, teve diferença de 68,46% entre os estabelecimentos pesquisados. O recado da pesquisa é direto: mesmo cortes populares e mais presentes no dia a dia deixaram de ter preço previsível.

Esse tipo de levantamento tem forte apelo porque mexe no bolso de quem compra toda semana. Diferentemente de pesquisas sazonais, ligadas a datas comemorativas, o preço da carne impacta o consumo básico e tem efeito imediato no orçamento doméstico. Em uma compra maior, a diferença acumulada pode representar dezenas de reais a menos — ou a mais — no valor final.

A própria série histórica do Procon Tocantins mostra que o problema não é pontual. Em janeiro de 2026, o órgão já havia encontrado variação de até 88% nos preços das carnes em Palmas, em um levantamento com 33 cortesanalisados em dez estabelecimentos. Naquele mês, o diretor de fiscalização do órgão, Magno Silva, afirmou que a pesquisa serve para “orientar o consumidor” e também para “inibir práticas abusivas e identificar possíveis irregularidades no mercado”. Em fevereiro, nova pesquisa mostrou variação de até 87,55% na capital, o que indica que abril não é um episódio isolado, mas a intensificação de uma tendência de preços desiguais entre os pontos de venda.

Para especialistas, esse tipo de distorção local se soma a um cenário mais amplo de pressão sobre os alimentos no país. Em reportagem publicada pela Agência Brasil no fim de março, sobre um estudo a respeito da inflação alimentar, economistas apontaram que a alta dos alimentos no Brasil não pode ser explicada apenas por fatores pontuais, como clima ou sazonalidade. O texto destaca que há componentes mais permanentes e estruturais pressionando o custo da alimentação. Um dos economistas ouvidos na reportagem resumiu o diagnóstico ao afirmar que a inflação dos alimentos “não pode ser só explicada por fatores conjunturais”, mas por pressões mais duradouras da própria organização econômica do setor.

Aplicado à realidade de Palmas, isso significa que o consumidor lida com duas pressões ao mesmo tempo: a inflação nacional dos alimentos e a diferença local de preços entre estabelecimentos. Para o economista ouvido pela Agência Brasil, quando a inflação alimentar deixa de ser apenas conjuntural, o consumidor precisa mudar o comportamento de compra e adotar estratégias de comparação e substituição de itens. É justamente esse o papel prático da pesquisa do Procon: transformar uma tabela oficial em ferramenta de defesa do bolso.

Além do preço, o Procon reforça orientações que continuam válidas em qualquer compra de proteína animal: observar a aparência do produto, conferir odor, cor, temperatura de conservação, higiene do balcão, procedência e validade. O consumidor também deve ficar atento à forma de exposição da carne e à obrigação de informação clara sobre valores e unidades. Em publicações anteriores, o órgão também lembrou que o cliente tem direito de comprar apenas a quantidade desejada, salvo em casos de produtos já fracionados ou embalados pela indústria.

Se houver indício de irregularidade — como carne vencida, armazenamento inadequado, falta de informação ou divergência entre o preço anunciado e o cobrado — a recomendação é registrar denúncia junto ao Procon Tocantins. Em divulgações anteriores, o órgão informou o canal de atendimento via WhatsApp (63) 9 9216-6840, além dos canais tradicionais de defesa do consumidor.

A pesquisa desta semana reforça um cenário que deve continuar pautando o bolso do consumidor em abril: o problema não é apenas o preço da carne, mas a distância entre um açougue e outro. Em tempos de orçamento apertado, a economia real começa antes de chegar ao caixa — e, em Palmas, passa cada vez mais pela comparação de preços.

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