Briga sem fim? Larissa Manoela volta ao centro da polêmica após nova batalha judicial com gravadora

Deck Produções recorre de decisão que anulou contrato assinado quando a atriz tinha 11 anos; caso reacende debate sobre carreira, bastidores e o controle da imagem da artista
O nome de Larissa Manoela voltou ao centro do noticiário de celebridades e dos bastidores do entretenimento após ganhar um novo capítulo na disputa judicial contra a Deck Produções Artísticas Ltda., gravadora ligada ao contrato que marcou uma das fases mais delicadas da trajetória da atriz e cantora. A empresa decidiu recorrer da decisão que havia favorecido Larissa e extinguido o vínculo firmado em 2012, quando ela tinha apenas 11 anos de idade e era representada legalmente pelos pais. O caso, que já mobilizava a atenção do público desde 2023 por envolver carreira, família, patrimônio e autonomia profissional, retorna agora com um novo ingrediente: a tentativa da gravadora de reverter a derrota na Justiça e sustentar que o contrato continua válido.
A nova movimentação judicial foi revelada em fevereiro pela coluna de Fábia Oliveira, no Metrópoles, e reacendeu uma polêmica que parecia ter sido parcialmente resolvida no ano passado. Segundo a publicação, a Deck Produções entrou com recurso após perder a ação movida por Larissa Manoela, que buscava anular o chamado contrato vitalíciocom a empresa. No recurso, a gravadora voltou a defender que o acordo foi firmado dentro da legalidade, com base no Código Civil, e argumentou que a atriz não teria razão ao tentar encerrar o vínculo por “inconformismo”. A empresa também alegou que a sentença teria deixado brechas ao não delimitar com clareza o direito de exploração do material musical e audiovisual produzido durante a vigência do contrato.
O pano de fundo do processo ajuda a explicar por que o assunto continua rendendo tanta repercussão. Em abril de 2025, a Justiça do Rio de Janeiro reconheceu o direito de Larissa de encerrar o contrato de exclusividade com a Deck Produções. A decisão da 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca, assinada pelo juiz Mario Cunha Olinto Filho, determinou que a empresa não poderia mais utilizar materiais ligados à imagem da atriz, sob pena de multa de R$ 15 mil por ato, além de obrigá-la a entregar à artista os logins e senhas de plataformas como YouTube e Spotify em até 10 dias, sob multa de R$ 5 mil. A sentença teve grande impacto porque atingiu diretamente o controle sobre conteúdos ligados à carreira musical de Larissa e reforçou o entendimento de que o vínculo firmado ainda na infância não poderia se perpetuar de forma automática na vida adulta da artista.
Na época, o caso foi tratado como mais um desdobramento da crise que expôs a ruptura entre Larissa Manoela e os pais, Silvana Taques e Gilberto Elias dos Santos, mas a própria defesa da atriz fez questão de esclarecer que a ação judicial foi movida exclusivamente contra a gravadora, e não contra os genitores. Esse ponto voltou a ser reforçado em novembro de 2025, quando a equipe da artista precisou reagir à repercussão de manchetes que sugeriam, de forma equivocada, que ela estaria processando os pais. A defesa afirmou que a informação era falsa e destacou que o litígio dizia respeito apenas à Deck Produções, apesar de a empresa ter sido criada e controlada pelos pais da atriz em sua fase inicial de carreira.
O que mantém o tema aquecido no interesse do público é justamente a mistura entre direito, bastidor e memória afetiva. Larissa Manoela não é apenas uma celebridade em disputa contratual. Ela é um dos rostos mais reconhecíveis da televisão infantojuvenil brasileira, com trajetória que atravessa SBT, música, cinema, streaming e novelas da Globo. Quando o caso envolve um contrato assinado na infância, cláusulas vistas como abusivas, controle de imagem e a ideia de um vínculo “vitalício”, a narrativa deixa de ser apenas jurídica e passa a tocar em algo maior: a discussão sobre como crianças e adolescentes são inseridos no show business, quem administra esse patrimônio simbólico e financeiro, e o que acontece quando esse artista cresce e tenta assumir o próprio destino.
A repercussão também se alimenta do simbolismo público que Larissa passou a carregar desde que decidiu expor, em 2023, a ruptura com os pais e abrir mão de uma parte significativa do patrimônio acumulado ao longo da carreira. Desde então, cada novo movimento judicial é lido pela internet não apenas como uma ação legal, mas como um novo capítulo de uma história que mistura autonomia, recomeço e disputa por narrativa. No caso da gravadora, isso ganha ainda mais força porque a briga não envolve só dinheiro ou contrato: envolve o controle sobre músicas, plataformas, imagem e legado artístico.
Na prática, o novo recurso da Deck Produções ainda não representa uma reversão da vitória anterior de Larissa, mas recoloca a disputa em evidência e mantém aberto um processo que continua tendo peso simbólico para a imagem pública da atriz. Para o mercado do entretenimento, o caso também serve como alerta: contratos assinados na infância, sobretudo quando carregam cláusulas extensas e assimétricas, podem se transformar anos depois em disputas que extrapolam os tribunais e impactam diretamente reputação, carreira e percepção pública.
Mais do que uma “briga sem fim”, o caso de Larissa Manoela com a gravadora se consolidou como um dos exemplos mais emblemáticos de como fama precoce, interesses empresariais e relações familiares podem se cruzar de forma explosiva nos bastidores do showbiz brasileiro. E, ao que tudo indica, essa história ainda está longe de terminar.