Fábio Vaz fala sobre CPI pela primeira vez, rebate deputados e eleva temperatura política no Tocantins

Ex-secretário da Educação reage publicamente ao avanço das críticas na Assembleia, contesta discurso da oposição, nega irregularidades no edital de redistribuição e trata articulação por CPI como movimento político em ano eleitoral. Até agora, porém, a abertura formal de uma CPI não aparece confirmada nas fontes consultadas.
Fábio Vaz se manifestou pela primeira vez sobre a crise política em torno de sua passagem pela Secretaria de Estado da Educação e respondeu diretamente aos ataques do deputado Professor Júnior Geo. Em nota pública divulgada no domingo, 12 de abril, o ex-secretário disse que o edital da Seduc segue critérios legais, acusou adversários de distorcer informações e afirmou que discursos “falaciosos e distorcidos” estão tumultuando o concurso. A fala ocorre em meio a rumores de CPI e amplia a tensão política no Tocantins.
A tensão em torno de Fábio Vaz saiu dos bastidores e ganhou resposta direta. O ex-secretário de Estado da Educação falou publicamente sobre a crise envolvendo o edital de reaproveitamento e redistribuição do concurso da Educação de 2023, tema que vinha sendo explorado por deputados na Assembleia Legislativa. A manifestação foi divulgada em nota pública no domingo, 12 de abril de 2026, e passou a circular na imprensa estadual como a primeira reação mais contundente de Vaz ao ambiente de pressão política que se formou após sua saída da Seduc.
A fonte da fala de Fábio Vaz foi justamente essa nota pública reproduzida por veículos da imprensa tocantinense, entre eles a Gazeta do Cerrado e o Jornal Opção Tocantins. Nessas publicações, o ex-secretário rebateu as declarações do deputado Professor Júnior Geo, que havia questionado o edital e levado o assunto para o debate político. O Diário Tocantinense, tentou reiteradamente falar com ele.
No texto, Fábio Vaz adotou um tom duro. Ele afirmou que o concurso precisa ser preservado, que o processo é juridicamente complexo e que não pode virar palco de exploração política. Uma das frases centrais atribuídas a ele foi a de que “discursos falaciosos e distorcidos têm tumultuado o concurso”, além de colocar em risco a tranquilidade emocional dos professores aprovados.
O ex-secretário também partiu para o confronto político ao responder diretamente ao deputado. Segundo a nota, Vaz questionou se Júnior Geo está de fato a favor dos professores, já que a redistribuição dos excedentes havia sido defendida anteriormente pelo próprio parlamentar. Na resposta, ele ainda classificou parte da conduta política em torno do caso como eleitoreira e afirmou que trajetórias “insípidas” tentam se promover em cima da angústia dos aprovados.
O centro da polêmica está no item 1.3 do edital, que virou munição no confronto entre oposição e ex-gestão da Educação. Fábio Vaz sustentou que houve interpretação parcial e distorcida do dispositivo. Segundo a explicação reproduzida nas reportagens, o candidato só renuncia à vaga originalmente pretendida caso venha a ser nomeado pela redistribuição, e não no simples ato de inscrição. Assim, quem não aderir ao processo continua normalmente na lista original do concurso.
Vaz também usou a resposta para defender a legalidade do edital. De acordo com a nota, o documento foi elaborado pela Fundação Getulio Vargas e validado por comissão conjunta da Seduc com a Secretaria da Administração, dentro de critérios de legalidade, transparência e lisura. O objetivo, segundo essa versão, seria preencher vagas remanescentes em localidades sem aprovados, e não retirar direitos de quem já está classificado.
Outro ponto explorado por ele foi a tentativa de reduzir o pânico entre aprovados. Fábio Vaz afirmou que o concurso segue válido até dezembro de 2027, o que mantém aberta a possibilidade de novas convocações, conforme a necessidade da rede e a decisão da gestão atual. Ele também argumentou que a posse ocorre em ambiente digital desde 2024, com possibilidade de prorrogação, rebatendo o discurso de que candidatos poderiam ser prejudicados por dificuldades de deslocamento ou de saúde.
Na parte mais política da resposta, o ex-secretário tentou virar o foco do debate. Em vez de aceitar a narrativa de que o edital seria uma “armadilha”, ele disse que o verdadeiro problema seria a exploração do tema em ano eleitoral. Para Vaz, transformar um processo técnico e administrativo em disputa de tribuna gera insegurança jurídica e amplia o sofrimento de professores que aguardam nomeação.
O pano de fundo da crise é a pressão que vinha crescendo na Assembleia. O deputado Professor Júnior Geo havia classificado o edital de redistribuição como uma “armadilha” e fez críticas públicas à forma como a Seduc conduziu o processo. Em publicação institucional ligada ao gabinete do parlamentar, Geo afirmou que o texto exigiria renúncia antecipada à vaga originalmente pretendida e apontou risco aos concursados.
Sobre a CPI, o cenário ainda exige cuidado. As fontes consultadas mostram que o tema está sendo tratado como rumor e articulação de bastidor, mas não apontam, até o momento, uma abertura formal confirmada de comissão parlamentar de inquérito contra Fábio Vaz. A própria Gazeta do Cerrado registrou que a tentativa de CPI era ventilada nos bastidores, porém ainda sem movimentação concreta formalizada.
Isso não impede, no entanto, que o episódio já tenha produzido efeito político. Ao falar publicamente, Fábio Vaz deixou de atuar apenas na defensiva técnica e passou a enfrentar seus críticos no campo político. O gesto eleva o conflito, expõe a disputa entre governo e oposição sobre a narrativa da Educação e ainda reposiciona o ex-secretário no tabuleiro eleitoral, num momento em que seu nome já aparece associado à disputa por vaga na Câmara Federal.
No Tocantins, o caso deixa de ser apenas uma controvérsia administrativa e passa a funcionar como termômetro de 2026. De um lado, deputados tentam empurrar desgaste para a antiga gestão da Seduc. Do outro, Fábio Vaz reage dizendo que há manipulação política sobre um processo técnico. O resultado é um embate que mistura concurso público, desgaste institucional, narrativa eleitoral e pressão sobre o governo Wanderlei Barbosa.
A primeira fala pública de Fábio Vaz sobre a possível CPI e sobre as críticas dos deputados não esfriou a crise. Ao contrário, aumentou a temperatura. O ex-secretário escolheu rebater com dureza, sustentar a legalidade do edital e acusar adversários de fazer palanque com a angústia dos concursados. Sem confirmação formal de CPI até aqui, o que já existe de concreto é a escalada do confronto político em torno da Educação no Tocantins.