R$ 56 milhões em jogo: governo acelera articulação na Aleto e Marcello Lelis vira peça central para destravar projeto ambiental no Tocantins

R$ 56 milhões em jogo: governo acelera articulação na Aleto e Marcello Lelis vira peça central para destravar projeto ambiental no Tocantins
Deputados estaduais aprovam dezenas de projetos na Assembleia Legislativa do Tocantins, incluindo temas como conscientização e educação.
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 15 de abril de 2026 0
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Articulação de última hora, pressão sobre deputados e disputa por influência nos corredores da Assembleia transformam projeto ambiental em teste de força política no Tocantins

O Palácio Araguaia entrou em modo de mobilização máxima nesta quarta-feira, 15, para destravar na Assembleia Legislativa do Tocantins a autorização do contrato de R$ 56 milhões ligado ao projeto SustenTO, operação que o governo considera estratégica para fortalecer a política ambiental, a fiscalização, a regularização fundiária e a assistência técnica no Estado. A ofensiva ocorreu em meio a um ambiente de forte tensão política, cobrança por votos e bastidores cada vez mais ruidosos na Aleto.

No centro da articulação está o secretário do Meio Ambiente, Marcelo Lelis, que assumiu o protagonismo da defesa pública do projeto e passou a liderar pessoalmente o movimento de convencimento junto aos parlamentares. Em fala pública, Lelis confirmou que estaria na Assembleia acompanhado de dirigentes do Naturatins, do Ruraltins, do Batalhão de Polícia Militar Ambiental e da área de comunicação do governo, numa ação direta para sensibilizar os deputados sobre a urgência da matéria.

A operação gira em torno de um prazo crítico. Segundo o governo, o projeto precisa avançar nas comissões e permitir a formalização do contrato até 18 de abril, sob risco de o BNDES rever ou até cancelar a operação, conforme carta mencionada pelo próprio governo estadual e repercutida na cobertura do caso. O recurso é vinculado ao Fundo Amazônia e foi desenhado para fortalecer a gestão ambiental no Tocantins, com cerca de R$ 26 milhões previstos apenas para o Cadastro Ambiental Rural (CAR), peça vista como central para regularização de propriedades e acesso a políticas públicas.

Nos bastidores, porém, a leitura é ainda mais pesada. O que está em jogo não é só um projeto ambiental, mas também a capacidade de reação do governo diante de uma base rachada e de uma oposição que, em alguns momentos, endurece o discurso em público e negocia espaço no privado. O ambiente na Aleto, segundo o pano de fundo político que cerca a crise entre Palácio e Parlamento, vem sendo marcado por disputa por influência, reposicionamento eleitoral e cobrança por participação mais efetiva nas estruturas do governo. Há registro público recente de expectativa da própria Assembleia por conversas com o governador sobre cargos, o que ajuda a explicar por que cada votação mais sensível passou a carregar também peso de bastidor.

É justamente nesse cenário que Marcelo Lelis ganhou musculatura política. Ao puxar a defesa do SustenTO, o secretário não fala apenas em nome da pauta ambiental. Ele aparece como um dos poucos integrantes do primeiro escalão dispostos a enfrentar a crise no corpo a corpo, assumindo desgaste, urgência e exposição. Em um momento em que parte da política prefere o ruído de corredor, Lelis decidiu vestir a articulação, sustentar a narrativa técnica e vender a ideia de que perder os recursos seria um dano direto ao Estado e ao setor produtivo.

O bastidor mais sensível é que a resistência ao projeto não parece ser apenas técnica. O travamento da matéria ocorre num momento em que governo e Assembleia vivem uma relação atravessada por desconfiança, rearranjos de grupo e disputa por espaço no ano eleitoral. Por isso, a votação dos R$ 56 milhões passou a ser lida por aliados como mais do que uma pauta administrativa: virou termômetro de lealdade, força e capacidade de comando. Essa é a razão pela qual o Palácio decidiu agir com mutirão, presença física e pressão concentrada.

Na prática, o discurso do governo é simples: sem aprovação rápida, o Tocantins corre o risco de perder uma operação relevante para reforçar fiscalização, modernização institucional e políticas ambientais. Politicamente, porém, o recado é outro: o Palácio quer mostrar que ainda tem fôlego para reagir, enquanto Marcelo Lelis tenta se consolidar como peça de articulação e de entrega dentro de uma agenda que mistura meio ambiente, gestão e viabilidade política

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