Cultura tocantinense lota sessões no CCBB: Lamira celebra 15 anos com temporada de destaque em Belo Horizonte

Cultura tocantinense lota sessões no CCBB: Lamira celebra 15 anos com temporada de destaque em Belo Horizonte
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 15 de abril de 2026 0
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A companhia tocantinense Lamira Artes Cênicas encerrou o mês de março com um resultado que reforça a força da produção cultural do Norte do país fora do circuito tradicional. Em temporada realizada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Belo Horizonte, um dos espaços mais prestigiados da cena cultural brasileira, o grupo levou ao público mineiro uma programação que reuniu espetáculos, oficinas gratuitas e ações formativas, dentro do projeto “15 anos Lamira!”.

Ao longo da circulação, foram realizadas 20 apresentações dos espetáculos A Jornada de Kokoro e GIBI, com média de ocupação superior a 70% da capacidade do teatro em todas as sessões. No total, mais de 1,3 mil pessoasacompanharam as montagens. O principal destaque ficou para os sábados, quando todas as sessões tiveram ingressos esgotados, indicando forte adesão do público belo-horizontino à proposta artística do grupo tocantinense.

A programação apresentou dois trabalhos centrais do repertório da companhia. A Jornada de Kokoro, voltado ao público infantojuvenil, apostou em uma narrativa que articula dança, teatro e formas animadas. Já GIBI dialogou com crianças e famílias ao transportar para o palco o universo das histórias em quadrinhos, em uma linguagem visual e cênica voltada à experimentação e ao imaginário.

Para a diretora-geral da companhia, Caroline Galgane, a temporada em Belo Horizonte consolida não apenas um marco comemorativo, mas também um reconhecimento à produção artística desenvolvida fora do eixo mais centralizado da cultura nacional.

“Encerrar essa temporada com teatros cheios e uma resposta tão calorosa do público é extremamente significativo para nós. Celebrar 15 anos da Lamira em um espaço como o CCBB, com essa adesão, reforça que existe um interesse real por narrativas e estéticas que vêm de outros territórios do Brasil. É a confirmação de que a arte produzida no Tocantins tem força, qualidade e diálogo com públicos diversos”, afirma.

Além das apresentações, o projeto ampliou seu alcance com ações formativas voltadas ao intercâmbio artístico. As duas oficinas gratuitas, ministradas pelo diretor artístico João Vicente, reuniram artistas e estudantes interessados em investigações sobre corpo, movimento e presença cênica. As 25 vagas de cada atividade se esgotaram rapidamente, com formação de lista de espera.

Segundo João Vicente, a dimensão pedagógica da circulação faz parte da identidade da companhia. “Mais do que apresentar espetáculos, a gente acredita na troca. As oficinas e atividades formativas criam pontes reais entre artistas de diferentes regiões. É nesse encontro que surgem novas possibilidades criativas e que fortalecemos uma rede artística mais diversa e conectada”, destaca.

A temporada também contou com ações de mediação e vivência conduzidas pelo pesquisador Henrique Rochelle, em experiências que aproximaram público e obra e ampliaram o processo de fruição e reflexão crítica.

Com 15 anos de trajetória, a Lamira já passou por 128 cidades brasileiras, realizou mais de 390 apresentações e alcançou um público superior a 70 mil pessoas. A temporada em Belo Horizonte entra, agora, como mais um capítulo relevante dessa trajetória e reforça o papel da circulação cultural na democratização do acesso à arte, no intercâmbio entre regiões e na valorização da produção artística tocantinense em palcos de projeção nacional.

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