Caso Master explode de novo: mensagens entre Vorcaro e ex-presidente do BRB reforçam suspeita de propina milionária e acendem alerta no Tocantins

Caso Master explode de novo: mensagens entre Vorcaro e ex-presidente do BRB reforçam suspeita de propina milionária e acendem alerta no Tocantins
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de nova operação de busca e apreensão — Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 17 de abril de 2026 2
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O caso Banco Master voltou a ganhar força e recolocou o BRB no epicentro de uma das investigações mais sensíveis do sistema financeiro brasileiro. A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 16 de abril, tem como um dos principais pontos mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que, segundo a investigação, reforçam a suspeita de um acerto milionário de propina ligado a negócios entre as duas instituições.

Segundo a PF e decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, Paulo Henrique Costa teria acertado com Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas. O valor, conforme a investigação, seria pago por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília, com rastreamento já identificado de pelo menos R$ 74 milhões. A suspeita central é de que as vantagens teriam sido oferecidas para facilitar operações de interesse do Master no relacionamento com o BRB.

A apuração também sustenta que o pagamento total só não foi concluído porque Vorcaro teria tomado conhecimento da existência de um procedimento sigiloso sobre o caso. Na leitura dos investigadores, esse ponto dá peso extra ao conteúdo das mensagens e à tese de que a negociação não era informal nem isolada, mas parte de uma engrenagem para viabilizar operações consideradas irregulares.

A Polícia Federal informou oficialmente que a quarta fase da Compliance Zero investiga um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, com cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A corporação afirma que apura crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No centro desse novo capítulo está justamente a relação entre o Banco Master e o BRB, banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal. A investigação menciona indícios de um esquema destinado a permitir a fabricação, venda e transferência de carteiras fictícias de crédito do Master para o BRB. Em setembro de 2025, o Banco Central já havia barrado a tentativa de aquisição do Master pelo BRB. Pouco depois, em novembro de 2025, o Banco Master entrou em liquidação, em meio à crise de liquidez que abalou o mercado financeiro.

O novo avanço da investigação fez o caso ultrapassar novamente Brasília e ganhar reflexos políticos e administrativos no Tocantins. Isso porque o BRB já está inserido em discussões locais por ser o banco ligado à folha de pagamento do Estado, tema que reacendeu preocupação entre servidores e agentes políticos após a exposição do banco à crise do Master. O vice-governador Laurez Moreira afirmou que a situação pode “escalar” no Tocantins e voltou a cobrar esclarecimentos sobre a mudança da folha para o BRB. Lembrando que o Senador citado no caso do Vorcaro é aliado de Laurez Moreira.

Ao mesmo tempo, a repercussão no estado ocorre em meio a um discurso de cautela. o economista Higor Franco em entrevista a imprensa afirmou que não há, por enquanto, risco concreto imediato de interrupção do pagamento da folha dos servidores, já que o repasse depende principalmente do ente público. Ainda assim, ele reconheceu que o cenário exige atenção por causa da perda de credibilidade e do aumento da vulnerabilidade institucional do banco.

Na prática, o que se vê é que o caso BRB e Banco Master deixou de ser apenas um escândalo financeiro de repercussão nacional e passou a ter impacto direto no debate tocantinense. O assunto toca em confiança institucional, segurança bancária, estabilidade da gestão pública e potencial desgaste político, especialmente porque qualquer abalo adicional no BRB inevitavelmente repercute sobre contratos, imagem institucional e percepção de risco no estado. Essa conexão com o Tocantins decorre do papel já exercido pelo banco em operações e serviços ligados ao poder público local.

Outro ponto que amplia a gravidade do caso é o fato de a investigação tratar não apenas de suspeitas de favorecimento, mas de uma suposta arquitetura de ocultação patrimonial e jurídica. A Reuters informou que o advogado Daniel Monteiro, apontado como ligado a Vorcaro e descrito na investigação como peça relevante da estrutura jurídica das transações entre Master e BRB, também foi preso nessa nova fase.

As defesas, por sua vez, contestam as acusações. O advogado de Paulo Henrique Costa declarou à imprensa que seu cliente “não cometeu crime algum”. Já a defesa de Daniel Monteiro afirmou ter sido surpreendida com a prisão e sustentou que ele sempre atuou de forma estritamente técnica, no exercício profissional. No material consultado, não localizei manifestação equivalente da defesa de Daniel Vorcaro sobre esse novo episódio específico.

Para o Tocantins, a nova explosão do caso tem pelo menos três efeitos políticos imediatos: recoloca o BRB sob forte escrutínio público; aumenta a pressão por transparência sobre contratos e operações que envolvam a instituição; e transforma o escândalo em munição para o debate eleitoral e administrativo no estado. Mesmo sem prova, até o momento, de irregularidade local diretamente demonstrada por essas decisões, a crise nacional já passou a produzir reflexos concretos no discurso político tocantinense e no ambiente de insegurança em torno do banco. Essa é uma inferência baseada na reação de agentes políticos locais e no debate sobre a folha estadual.

Com isso, o caso Master, Daniel Vorcaro, BRB e a suspeita de propina milionária deixam de ser apenas mais uma manchete de Brasília e passam a ocupar espaço estratégico também no Tocantins. O escândalo agora combina investigação criminal, crise bancária, desgaste político e temor institucional — uma mistura explosiva que ainda pode produzir novos capítulos nos próximos dias.

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