NASA desliga instrumento da Voyager 1 para manter a sonda ‘viva’ após 49 anos no espaço

NASA desliga instrumento da Voyager 1 para manter a sonda ‘viva’ após 49 anos no espaço
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 20 de abril de 2026 0
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NASA desliga instrumento da Voyager 1 para manter a sonda histórica viva no espaço profundo

Brasília, 20 de abril de 2026 – A NASA tomou uma decisão difícil, mas estratégica: desligou um dos instrumentos científicos da sonda Voyager 1 para conservar energia e prolongar a vida útil da lendária espaçonave, que há quase 49 anos viaja pelo espaço interestelar.

Na última sexta-feira (17 de abril), engenheiros do Jet Propulsion Laboratory (JPL), na Califórnia, enviaram comandos a mais de 24 bilhões de quilômetros de distância da Terra para desligar o instrumento Low-energy Charged Particles (LECP). O LECP media partículas carregadas de baixa energia, ajudando a entender o ambiente interestelar além da bolha protetora do Sol (a heliosfera).

A sonda, lançada em 1977, é alimentada por geradores termoelétricos de radioisótopos (RTGs) que perdem cerca de 4 watts de potência por ano. Com o tempo, a energia disponível diminui, obrigando a equipe a desligar instrumentos um a um para evitar um colapso total do sistema.

Segundo a NASA, o desligamento do LECP deve dar à Voyager 1 cerca de um ano extra de operação. Os engenheiros usam esse tempo para testar uma solução mais ambiciosa de economia de energia — apelidada internamente de “Big Bang” — primeiro na Voyager 2 (em maio e junho) e, se der certo, na Voyager 1 a partir de julho.

Atualmente, a Voyager 1 opera com apenas dois instrumentos científicos ativos: um que mede ondas de plasma e outro que registra campos magnéticos. Ambos continuam enviando dados valiosos de uma região do espaço que nenhuma outra sonda humana jamais alcançou.

“Desligar um instrumento científico não é a preferência de ninguém, mas é a melhor opção disponível para manter a espaçonave operando o máximo possível”, explicou Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager no JPL.

A decisão foi acelerada após uma queda inesperada de energia durante uma manobra rotineira em fevereiro de 2026, que quase ativou o sistema automático de proteção da sonda — um procedimento arriscado e demorado de recuperação.

Um legado que continua

Lançadas em 1977, as gêmeas Voyager 1 e 2 revolucionaram o conhecimento sobre os planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) e, desde 2012 (Voyager 1) e 2018 (Voyager 2), exploram o espaço interestelar. A Voyager 1 é, hoje, o objeto feito pelo homem mais distante da Terra.

Mesmo com os desligamentos progressivos, a missão deve continuar enviando dados científicos até o final da década de 2020 ou, com as novas otimizações, possivelmente entrar nos anos 2030.

A Voyager 1 segue seu caminho solitário a mais de 24 bilhões de km, enviando sinais que demoram cerca de 23 horas para chegar à Terra — um testemunho da engenharia humana que, mesmo após quase meio século, ainda resiste nas profundezas do cosmos.

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