EUA avisam Brasil que vão classificar CV e PCC como organizações terroristas; sinal foi dado diretamente a Gabriel Galípolo
O governo dos Estados Unidos comunicou ao Brasil que pretende avançar com a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTO, na sigla em inglês).
A sinalização foi feita por autoridades americanas durante reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e deve prosseguir mesmo com a resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi revelada pela coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles, em 17 de abril de 2026.
Por que o recado foi dado ao Banco Central?
A escolha do interlocutor não foi aleatória. A classificação como FTO ativa mecanismos mais rigorosos do Departamento do Tesouro dos EUA, especialmente o OFAC (Office of Foreign Assets Control), responsável por sancionar e bloquear ativos financeiros de grupos considerados ameaça à segurança internacional.
Com a medida, Washington pretende intensificar a asfixia financeira das duas maiores facções criminosas do Brasil, facilitando o congelamento de contas, restrições bancárias internacionais e sanções contra quem mantém relações comerciais ou financeiras com o CV e o PCC — incluindo operações de lavagem de dinheiro e tráfico transnacional.
Posição do governo brasileiro
O governo Lula resiste à medida. Autoridades brasileiras argumentam que as facções devem ser tratadas como organizações criminosas, e não como grupos terroristas, e que o enquadramento proposto pelos EUA não seria o caminho mais adequado no momento. Apesar disso, a decisão final cabe às autoridades americanas e não depende de aprovação brasileira.
Impactos esperados
- No sistema financeiro brasileiro: maior pressão sobre bancos e instituições para monitorar e reportar operações suspeitas ligadas às facções.
- Geopolítica: representa uma mudança de paradigma na forma como os EUA combatem o crime organizado na América Latina, semelhante ao que já é feito com cartéis mexicanos.
- Para as facções: dificuldade crescente para movimentar recursos no exterior e para quem faz negócios com elas.
O tema já circulava nos bastidores desde o retorno de Donald Trump à presidência americana, com discussões sobre tratar o crime organizado transnacional com ferramentas mais duras de segurança e inteligência financeira.
A Polícia Federal e o Ministério da Justiça ainda não se manifestaram oficialmente sobre o recado entregue ao Banco Central. O caso deve gerar debates intensos nos próximos dias sobre soberania, cooperação internacional e os limites do combate ao crime organizado.