Caneta em ação no Tocantins: governo altera lei por medida provisória e promove 11 novos coronéis na PM

Caneta em ação no Tocantins: governo altera lei por medida provisória e promove 11 novos coronéis na PM
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 22 de abril de 2026 1
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O governo do Tocantins editou medida provisória para alterar a legislação da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar e oficializou, nesta semana, a promoção de 11 tenentes-coronéis ao posto de coronel na PM. Com a mudança, o estado passa a contar com 34 coronéis na corporação, número superior ao limite anterior previsto em lei (que era de 23).

As promoções foram publicadas no Diário Oficial do Estado no dia 17 de abril de 2026 e têm efeito a partir de 21 de abril. Além do topo da hierarquia, a medida beneficiou mais de 100 militares em diferentes patentes, incluindo tenentes-coronéis, majores, capitães e outras graduações, inclusive o quadro de músicos da PM.

O governador Wanderlei Barbosa assinou as nomeações, que fazem parte de um pacote mais amplo de ajustes na estrutura das corporações militares. A medida provisória também altera o Estatuto da Polícia Militar e dos Bombeiros, com o objetivo de atualizar a carreira, corrigir distorções e abrir espaço para novas progressões.

Impacto nas corporações

A Polícia Militar do Tocantins tem um efetivo de cerca de 3,6 mil militares. A criação de novas vagas no posto máximo (coronel) permite a recomposição da estrutura de comando e a ascensão de oficiais que estavam “travados” na carreira.

Entre os promovidos está a coronel Sueli Ferreira dos Santos, que se tornou a nova mulher no alto comando da PM. Houve ainda nomeações para cargos estratégicos, como chefe do Estado-Maior.

A Secretaria de Segurança Pública e as corporações apresentam as mudanças como forma de valorização dos profissionais de segurança, alinhada a discussões anteriores sobre reestruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da PM e dos Bombeiros.

Reações e questionamentos

A medida provisória foi editada pelo Executivo e ainda precisa ser apreciada pela Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto). A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) apresentou ressalvas ao texto, segundo informações da TV Anhanguera.

Dentro das corporações, as promoções são vistas por parte dos militares como reconhecimento e incentivo à carreira. No entanto, movimentos internos e associações de classe acompanham de perto o impacto real na hierarquia e na distribuição de cargos de comando.

Especialistas em gestão pública avaliam que alterações tão abrangentes na estrutura militar costumam gerar debates sobre mérito, antiguidade e equilíbrio de forças dentro das instituições de segurança.

O governo ainda não detalhou publicamente o custo total das promoções nem o impacto orçamentário a longo prazo. A expectativa é que o tema seja debatido na Aleto nas próximas semanas.

Contexto maior

As mudanças ocorrem em um momento em que o governo estadual discute a valorização das forças de segurança, incluindo reajustes salariais e modernização das carreiras. No início de 2026, já havia sido anunciada a reestruturação do PCCR dos militares, com ajustes em subsídios e progressão funcional.

A “caneta em ação” do governador Wanderlei Barbosa reforça o controle do Executivo sobre as duas principais corporações de segurança do estado e acende o debate: trata-se apenas de uma atualização administrativa necessária ou de uma reorganização estratégica de poder dentro da segurança pública tocantinense?

Acompanhe o andamento da medida provisória na Assembleia e eventuais manifestações das associações de militares.

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