Gripe avança no Tocantins, pressiona hospitais e acende alerta para bebês e crianças pequenas

O Tocantins entrou em alerta com o avanço da influenza e de outros vírus respiratórios em 2026, em um cenário que já pressiona a rede de saúde e preocupa especialmente por atingir com mais força bebês e crianças pequenas. Dados recentes do monitoramento da Fiocruz apontam que o estado soma 86 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e duas mortes confirmadas neste ano, em meio à circulação simultânea de influenza, vírus sincicial respiratório, rinovírus e Covid-19.
O quadro acende sinal vermelho porque a maior incidência dos casos graves tem recaído justamente sobre a primeira infância. Segundo a Fiocruz, o avanço recente das síndromes respiratórias graves no país vem sendo puxado principalmente por crianças menores de 2 anos, com impacto também em crianças de até 4 anos, faixa etária que exige vigilância redobrada de pais e equipes médicas. No Tocantins, além da pressão hospitalar, o estado aparece entre os que registram crescimento na tendência de longo prazo dos casos nas últimas semanas epidemiológicas.
No recorte estadual, os dados laboratoriais mostram circulação de múltiplos vírus, com registros de Influenza A (H1N1 e H3N2), Influenza B, VSR, rinovírus, Covid-19 e metapneumovírus. A combinação desses agentes ajuda a explicar o aumento de atendimentos por sintomas gripais e respiratórios mais graves, sobretudo em crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades. O risco maior é quando um quadro inicialmente tratado como “gripe comum” evolui rapidamente para falta de ar, desconforto respiratório e necessidade de internação.
Em cidades estratégicas do estado, a preocupação já se reflete em ações locais. Colinas do Tocantins intensificou a vacinação contra a influenza com ação ampliada para a população a partir de 6 meses. Em Araguaína, a prefeitura também reforçou mobilização de vacinação em unidades de saúde. Em Palmas, a pressão sobre a rede chama atenção pelo volume recente de atendimentos nas UPAs, que ultrapassaram 10 mil registros em apenas oito dias. Em Gurupi, a própria rede local de saúde já vem fazendo alertas públicos sobre a importância da vacinação contra a influenza neste período de maior circulação viral.
O avanço da gripe e das síndromes respiratórias mexe com toda a estrutura hospitalar porque aumenta a procura por UPAs, prontos-socorros e leitos pediátricos, especialmente quando há demora na busca por atendimento. Entre os principais sinais de alerta para bebês e crianças estão febre persistente, cansaço intenso, dificuldade para respirar, chiado no peito, recusa alimentar, sonolência excessiva e coloração arroxeada nos lábios ou extremidades.
A orientação das autoridades sanitárias e de especialistas é reforçar a vacinação, evitar exposição de crianças pequenas a ambientes fechados e aglomerações, manter higiene frequente das mãos, usar etiqueta respiratória e procurar atendimento imediato diante de sinais de agravamento. Em um momento de circulação simultânea de vários vírus, a diferença entre um quadro leve e uma internação pode estar justamente na rapidez da resposta.