Caiado sobe o tom contra Lula por terras raras e debate pode mexer com mineração e empregos no Tocantins

Caiado sobe o tom contra Lula por terras raras e debate pode mexer com mineração e empregos no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de abril de 2026 0

A nova ofensiva verbal de Ronaldo Caiado contra o governo Lula sobre a política nacional de terras raras e minerais críticos colocou no centro da disputa presidencial um tema que parece técnico, mas que pode mexer diretamente com empregos, arrecadação, meio ambiente e investimentos em estados como o Tocantins. Em nova declaração, o pré-candidato ao Planalto elevou o tom ao reagir aos planos do governo federal e afirmou que integrantes do Planalto “precisam deixar de ser analfabetos” e fazer o que, segundo ele, já foi feito em Goiás. “O Lula diz que eu vendi o Brasil, mas quem vendeu foi ele”, disse Caiado em entrevista publicada nesta quinta-feira (24).

A fala ocorre em meio à escalada de uma disputa política e estratégica sobre quem controla os chamados minerais críticos, grupo que inclui as terras raras, insumos usados em baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, eletrônicos, radares, defesa e transição energética. O embate cresceu depois que Lula criticou acordos ligados à exploração desses minerais em Goiás e anunciou a criação de um Conselho Nacional de Política Mineral e de Terras Raras, vinculado à Presidência, para ampliar o controle federal sobre o tema.

Caiado, por sua vez, tem defendido memorandos assinados com Estados Unidos e Japão e rebateu a acusação de que teria “vendido” riquezas estratégicas. Segundo reportagem publicada nesta quinta, ele afirmou que o problema do Brasil é continuar exportando matéria-prima sem agregar tecnologia e valor industrial.

Para o Tocantins, o assunto interessa porque o estado entrou no radar do Serviço Geológico do Brasil (SGB) em projetos recentes de mapeamento de minerais estratégicos, com foco em áreas favoráveis à ocorrência de ouro, cobre, níquel, fosfato, grafita e terras raras. Em janeiro, a estatal informou que a chamada “missão Tocantins” previa cobertura de 20,3 mil km², com investimento de R$ 10,4 milhões em levantamentos geofísicos para identificar potencial mineral.

Na prática, isso significa que a briga entre Brasília e Goiás não é apenas eleitoral. Se o Brasil avançar em regras para exploração, beneficiamento e controle desses minerais, o Tocantins pode entrar em uma rota de disputa por licenças, arrecadação, infraestrutura, pressão ambiental e atração de indústrias. Se ficar só no discurso político, o risco é o estado continuar com potencial no subsolo e pouco retorno real na superfície.

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