Chocolat Amazônia fecha 10ª edição com 100 mil visitantes, R$ 15 milhões em negócios e reforça liderança do Pará no cacau
O Chocolat Amazônia encerrou no domingo (26), em Belém, a sua 10ª edição com números que reforçam o peso do Pará na cadeia produtiva do cacau e do chocolate no Brasil. Realizado no Hangar Centro de Convenções, o evento reuniu cerca de 100 mil visitantes, movimentou aproximadamente R$ 15 milhões em negócios e consolidou o estado como principal vitrine nacional do chocolate de origem. As informações constam no balanço oficial divulgado pela organização do festival .
Apresentado como a maior feira de origem e negócios do segmento na América Latina, o Chocolat Amazônia reuniu durante quatro dias agricultores familiares, chefs de cozinha, empresários, marcas especializadas, lideranças do setor, autoridades públicas e consumidores. O resultado, segundo a organização, foi uma edição mais movimentada, diversificada e com maior volume de transações comerciais, em um momento em que o Pará amplia sua relevância na cacauicultura nacional .
O CEO da MVU Empreendimentos e criador do Chocolat Festival, Marco Lessa, afirmou que o avanço do setor no estado se reflete diretamente na transformação do mercado local de derivados de cacau. Segundo ele, o Pará saiu de praticamente nenhuma marca estruturada de chocolate por volta de 2013 para mais de 200 marcas em 2026, resultado atribuído à combinação entre políticas públicas, organização dos produtores e agregação de valor à produção primária .
“Chegamos à 10ª edição do Chocolat Amazônia e à 45ª do Chocolat Festival no Brasil e no exterior e o impacto é imenso. Tivemos uma transformação de praticamente zero marca de chocolate e derivados por volta do ano de 2013 para mais de 200 em 2026”, afirmou Marco Lessa, no balanço do evento .
Segundo a organização, os R$ 15 milhões movimentados nesta edição abrangem vendas diretas ao consumidor, rodadas de negócios (B2B), networking e parcerias estratégicas entre produtores de cacau e marcas de chocolate. O festival também promoveu mais de 10 horas de fóruns, palestras e workshops, voltados à capacitação técnica e à discussão sobre mercado, origem e posicionamento do chocolate brasileiro .
O coração da feira, segundo os organizadores, seguiu sendo o produtor rural. Vieram para Belém expositores de várias regiões do Pará, com destaque para o Xingu, especialmente a área da Transamazônica, onde se concentra boa parte da produção de amêndoas do estado. Ao todo, cerca de 300 expositores ocuparam os espaços do Hangar Centro de Convenções, apresentando chocolates, derivados, bebidas, geleias e outros produtos ligados à cadeia do cacau .
Entre os participantes esteve Élido Trevisan, produtor de geleias e licores à base de cacau em Medicilândia, município que se tornou uma das referências da produção cacaueira paraense. Em depoimento à organização, ele afirmou que esta foi a quinta participação no festival e classificou a edição de 2026 como mais inovadora e mais organizada, com desempenho de vendas dentro da expectativa .
Além do ambiente de negócios, a programação gastronômica e cultural foi um dos pontos centrais da edição. A Cozinha Show, uma das atrações mais aguardadas do Chocolat Amazônia, reuniu 12 chefs nacionais e internacionais, que ministraram aulas e apresentações voltadas à aplicação do chocolate amazônico em receitas doces e salgadas. A proposta foi reforçar a versatilidade do cacau paraense e ampliar seu espaço dentro da gastronomia regional e contemporânea .
A chef paraense Angela Sicilia destacou, em fala divulgada pela organização, que o cacau e o chocolate produzidos no Pará passaram a ocupar espaço mais consistente na culinária local, não apenas em sobremesas, mas também em pratos salgados. Segundo ela, esse movimento ajuda a reposicionar o ingrediente dentro da identidade gastronômica amazônica .
Outro destaque foi o espaço Ateliê do Chocolate, que atraiu público de diferentes idades com a construção ao vivo de uma escultura inteiramente produzida em chocolate. O chef Léo Vilela criou uma peça inspirada no boto, figura simbólica da cultura e da biodiversidade paraense. A escultura utilizou 140 quilos de chocolate, mediu 1,85 metro e foi produzida de forma artesanal, desde o derretimento até a finalização. Segundo a organização, a obra será doada a uma instituição filantrópica, assim como os alimentos arrecadados durante os quatro dias de evento .
Após o encerramento em Belém, o Chocolat Festival segue com agenda nacional e internacional em 2026. De acordo com a organização, a próxima edição será realizada em Salvador, entre 14 e 17 de maio. Depois, o circuito passa por Brasília (20 a 24 de maio), Altamira, no Pará (11 a 14 de junho), Ilhéus, na Bahia (22 a 26 de julho), e encerra a temporada internacional em Porto, Portugal, entre 22 e 25 de outubro .
Mais do que um evento gastronômico, o Chocolat Amazônia se consolida como instrumento de posicionamento econômico do Pará. O festival funciona como vitrine para produtores, impulsiona marcas regionais, fortalece a cadeia do chocolate de origem e ajuda a projetar o estado como referência nacional em um setor que deixou de ser apenas agrícola para incorporar valor agregado, turismo, gastronomia e identidade regional.
Ao fim da 10ª edição, o saldo divulgado pela organização aponta que o Pará não apenas mantém protagonismo na produção de cacau, mas amplia sua capacidade de transformar matéria-prima em marca, experiência e negócio.