Imigração latino-americana cresce no Brasil e pressiona trabalho, saúde e escolas
O Brasil está vivendo uma mudança silenciosa no mapa da imigração — e ela já pressiona trabalho, saúde, educação e assistência social.
Dados analisados pela USP, com base no Censo 2022 do IBGE, mostram que o número de imigrantes no país passou de 592 mil em 2010 para 1 milhão em 2022, alta de 70,3%. O dado que mais chama atenção é a mudança no perfil: 72% dos imigrantes hoje são latino-americanos, com destaque para a forte presença de venezuelanos, bolivianos, haitianos e colombianos.
Segundo a análise divulgada pelo Jornal da USP, os latino-americanos passaram de 183 mil em 2010 para 646 mil em 2022. Só os venezuelanos já somam 272 mil no país. No mesmo período, a imigração europeia perdeu peso, caindo de 263 mil para 203 mil.
O avanço reforça um debate que já aparece em cidades médias brasileiras: mais demanda por regularização documental, vagas em escolas, atendimento no SUS, assistência social e inserção no mercado de trabalho, especialmente no setor informal.
No Tocantins, o tema tende a ganhar espaço diante da presença de migrantes em circulação por rotas internas e pela necessidade de resposta articulada entre prefeituras, assistência social, Polícia Federal e rede pública. O dado nacional indica uma mudança estrutural: o Brasil deixou de ser, majoritariamente, destino de imigração histórica europeia e passou a receber, em volume crescente, pessoas vindas de crises econômicas, humanitárias e políticas na América Latina.