Por que a água da chuva não pode ir para a rede de esgoto? Ligações irregulares provocam extravasamentos e transtornos

Mesmo com o período chuvoso chegando ao fim no Tocantins, especialistas em saneamento alertam que um problema continua afetando cidades e bairros durante todo o ano: a ligação irregular da água da chuva na rede coletora de esgoto. A prática, considerada incorreta, pode provocar extravasamentos nas ruas, retorno de água para dentro dos imóveis e sobrecarga em todo o sistema de saneamento.
Segundo a BRK/Saneatins, muitas pessoas ainda acreditam que a água da chuva e o esgoto doméstico podem ser descartados na mesma tubulação. No entanto, os dois sistemas possuem funções diferentes e são projetados para operar separadamente.
As redes de esgoto são construídas exclusivamente para receber água utilizada dentro das residências, como:
- vasos sanitários;
- pias de cozinha e banheiro;
- chuveiros;
- tanques;
- máquinas de lavar.
Já a rede de drenagem pluvial é responsável apenas pelo escoamento da água da chuva, captada por bocas de lobo e galerias espalhadas pelas cidades.
Sobrecarga pode causar retorno de água dentro das casas
De acordo com a concessionária, quando calhas, ralos externos e áreas de escoamento da chuva são conectados irregularmente à rede de esgoto, o sistema passa a receber um volume de água muito acima da capacidade projetada.
O resultado pode ser imediato:
- extravasamento de esgoto nas ruas;
- pressão excessiva nas tubulações;
- retorno de água pelos ralos;
- vazamentos em vasos sanitários;
- transtornos em imóveis e vias públicas.
Além do desconforto, o problema também aumenta riscos sanitários e ambientais.
Segundo o gerente de operação da BRK/Saneatins, Bruno Gravatá, o funcionamento correto do saneamento depende diretamente da colaboração da população.
“O saneamento eficiente é uma responsabilidade compartilhada entre a concessionária e a população, e começa dentro de cada imóvel. Manter a separação rigorosa entre a rede de esgoto e o escoamento da chuva, além de realizar a manutenção da caixa de gordura, são ações simples que evitam grandes transtornos para toda a vizinhança”, afirmou.
Redes possuem funções diferentes
Especialistas explicam que o sistema de drenagem pluvial é preparado para suportar grandes volumes de água em períodos de chuva intensa. Essas galerias recebem a água captada pelas chamadas “bocas de lobo”, geralmente instaladas próximas às calçadas.
Já o sistema de esgotamento sanitário possui outra finalidade: transportar exclusivamente o esgoto doméstico até estações de tratamento antes do descarte ambiental adequado.
Quando os sistemas são misturados de forma irregular, o funcionamento urbano é comprometido.
Além disso, há outro problema considerado grave pelas companhias de saneamento: as ligações clandestinas de esgoto na rede pluvial.
Esgoto clandestino polui rios e córregos
Quando o esgoto doméstico é despejado diretamente nas galerias de água da chuva, ele deixa de seguir para tratamento e acaba sendo lançado diretamente em rios, córregos e mananciais.
Esse tipo de irregularidade aumenta:
- contaminação da água;
- proliferação de doenças;
- degradação ambiental;
- impacto sobre fauna e vegetação urbana.
O problema se torna ainda mais preocupante em cidades com crescimento urbano acelerado e expansão desordenada das redes de drenagem e saneamento.
Ligações corretas evitam prejuízos e preservam a cidade
A BRK/Saneatins afirma que manter as redes separadas é uma medida simples, mas considerada essencial para o funcionamento adequado da infraestrutura urbana.
Segundo a concessionária, quando cada imóvel destina corretamente:
- água da chuva para a galeria pluvial;
- esgoto doméstico para a rede sanitária;
todo o sistema opera de forma mais eficiente.
A empresa destaca ainda que a manutenção preventiva da caixa de gordura e das instalações internas também ajuda a reduzir entupimentos, sobrecargas e danos na rede pública.
Especialistas em saneamento apontam que cidades com sistemas corretamente utilizados apresentam:
- menor índice de extravasamentos;
- redução de alagamentos;
- melhora na saúde pública;
- preservação ambiental;
- valorização imobiliária.
Enquanto isso, concessionárias e órgãos públicos seguem orientando moradores sobre o uso adequado das redes para evitar impactos urbanos, ambientais e sanitários.