Por que a água da chuva não pode ir para a rede de esgoto? Ligações irregulares provocam extravasamentos e transtornos

Por que a água da chuva não pode ir para a rede de esgoto? Ligações irregulares provocam extravasamentos e transtornos
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de maio de 2026 0
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Mesmo com o período chuvoso chegando ao fim no Tocantins, especialistas em saneamento alertam que um problema continua afetando cidades e bairros durante todo o ano: a ligação irregular da água da chuva na rede coletora de esgoto. A prática, considerada incorreta, pode provocar extravasamentos nas ruas, retorno de água para dentro dos imóveis e sobrecarga em todo o sistema de saneamento.

Segundo a BRK/Saneatins, muitas pessoas ainda acreditam que a água da chuva e o esgoto doméstico podem ser descartados na mesma tubulação. No entanto, os dois sistemas possuem funções diferentes e são projetados para operar separadamente.

As redes de esgoto são construídas exclusivamente para receber água utilizada dentro das residências, como:

  • vasos sanitários;
  • pias de cozinha e banheiro;
  • chuveiros;
  • tanques;
  • máquinas de lavar.

Já a rede de drenagem pluvial é responsável apenas pelo escoamento da água da chuva, captada por bocas de lobo e galerias espalhadas pelas cidades.

Sobrecarga pode causar retorno de água dentro das casas

De acordo com a concessionária, quando calhas, ralos externos e áreas de escoamento da chuva são conectados irregularmente à rede de esgoto, o sistema passa a receber um volume de água muito acima da capacidade projetada.

O resultado pode ser imediato:

  • extravasamento de esgoto nas ruas;
  • pressão excessiva nas tubulações;
  • retorno de água pelos ralos;
  • vazamentos em vasos sanitários;
  • transtornos em imóveis e vias públicas.

Além do desconforto, o problema também aumenta riscos sanitários e ambientais.

Segundo o gerente de operação da BRK/Saneatins, Bruno Gravatá, o funcionamento correto do saneamento depende diretamente da colaboração da população.

“O saneamento eficiente é uma responsabilidade compartilhada entre a concessionária e a população, e começa dentro de cada imóvel. Manter a separação rigorosa entre a rede de esgoto e o escoamento da chuva, além de realizar a manutenção da caixa de gordura, são ações simples que evitam grandes transtornos para toda a vizinhança”, afirmou.

Redes possuem funções diferentes

Especialistas explicam que o sistema de drenagem pluvial é preparado para suportar grandes volumes de água em períodos de chuva intensa. Essas galerias recebem a água captada pelas chamadas “bocas de lobo”, geralmente instaladas próximas às calçadas.

Já o sistema de esgotamento sanitário possui outra finalidade: transportar exclusivamente o esgoto doméstico até estações de tratamento antes do descarte ambiental adequado.

Quando os sistemas são misturados de forma irregular, o funcionamento urbano é comprometido.

Além disso, há outro problema considerado grave pelas companhias de saneamento: as ligações clandestinas de esgoto na rede pluvial.

Esgoto clandestino polui rios e córregos

Quando o esgoto doméstico é despejado diretamente nas galerias de água da chuva, ele deixa de seguir para tratamento e acaba sendo lançado diretamente em rios, córregos e mananciais.

Esse tipo de irregularidade aumenta:

  • contaminação da água;
  • proliferação de doenças;
  • degradação ambiental;
  • impacto sobre fauna e vegetação urbana.

O problema se torna ainda mais preocupante em cidades com crescimento urbano acelerado e expansão desordenada das redes de drenagem e saneamento.

Ligações corretas evitam prejuízos e preservam a cidade

A BRK/Saneatins afirma que manter as redes separadas é uma medida simples, mas considerada essencial para o funcionamento adequado da infraestrutura urbana.

Segundo a concessionária, quando cada imóvel destina corretamente:

  • água da chuva para a galeria pluvial;
  • esgoto doméstico para a rede sanitária;

todo o sistema opera de forma mais eficiente.

A empresa destaca ainda que a manutenção preventiva da caixa de gordura e das instalações internas também ajuda a reduzir entupimentos, sobrecargas e danos na rede pública.

Especialistas em saneamento apontam que cidades com sistemas corretamente utilizados apresentam:

  • menor índice de extravasamentos;
  • redução de alagamentos;
  • melhora na saúde pública;
  • preservação ambiental;
  • valorização imobiliária.

Enquanto isso, concessionárias e órgãos públicos seguem orientando moradores sobre o uso adequado das redes para evitar impactos urbanos, ambientais e sanitários.

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