Escala 6×1 pode acabar? Debate avança no Congresso e expõe disputa sobre tempo, salário e custo das empresas

Escala 6×1 pode acabar? Debate avança no Congresso e expõe disputa sobre tempo, salário e custo das empresas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 13 de maio de 2026 0

O fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta das redes sociais e entrou no centro da agenda política em Brasília. A Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para analisar propostas que reduzem a jornada de trabalho e podem restringir o modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e descansa apenas um. O colegiado discute a PEC 221/2019, que prevê redução gradual da jornada para 36 horas semanais em dez anos, e a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, que propõe semana de quatro dias e limite de 36 horas.

O assunto ganhou novo peso em maio. Nesta quarta-feira, 13 de maio, a comissão promove dois debates sobre os efeitos da proposta para mulheres, pequenos negócios e relações de trabalho. A pauta inclui comércio, serviços, trabalho doméstico, impacto sobre custos, informalidade e microempresas.

Segundo o Ministério do Trabalho, a escala 6×1 atinge 33,2% dos vínculos registrados no eSocial. A estimativa divulgada pelo governo aponta que pelo menos 37 milhões de trabalhadores podem ser beneficiados por uma mudança no modelo.

O governo federal passou a defender publicamente a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem corte salarial. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou em audiência na Câmara que a jornada 5×2 já é regra em grande parte dos países e que a escala 6×1 se tornou exceção.

A resistência vem do setor produtivo. A CNI estima que a redução da jornada pode gerar impacto de até R$ 267 bilhões para empresas e perda de R$ 76 bilhões no PIB. A CNC calcula que os preços ao consumidor podem subir até 13% em alguns segmentos caso a mudança avance sem negociação coletiva.

O argumento dos defensores da proposta é social e sanitário. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,66% sobre 2024. Ansiedade e depressão aparecem entre as principais causas.

O debate ocorre em um mercado de trabalho aquecido. A taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, abaixo dos 6,8% registrados um ano antes. O rendimento médio real chegou a R$ 3.679, segundo a PNAD Contínua.

A chance de aprovação ainda depende de articulação política. A proposta precisa passar pela comissão especial e, por se tratar de PEC, exige apoio de três quintos dos deputados e senadores em dois turnos. Até agora, o tema avança como pauta de pressão social, mas ainda enfrenta resistência de empresários e de parte do Congresso.

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