Tocantinense que estudava com livros encontrados no lixo conquista formação acadêmica na França

Tocantinense que estudava com livros encontrados no lixo conquista formação acadêmica na França
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de maio de 2026 0
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Uma pilha de livros descartados ajudou a mudar a trajetória de um jovem do norte do Tocantins.

Natural de Araguaína, Wallisson Pereira de Sousa ganhou repercussão nas redes sociais após compartilhar uma história marcada por estudo autodidata, aprendizado de idiomas e acesso à formação acadêmica internacional.

Segundo relatos publicados pelo próprio estudante e por páginas que divulgaram sua trajetória, Wallisson começou a estudar utilizando livros encontrados no lixo durante a adolescência, em um contexto de dificuldades financeiras e acesso limitado a materiais educacionais.

O interesse pelos estudos acabou levando o jovem ao aprendizado independente de idiomas. Hoje, ele afirma falar cinco línguas, entre elas inglês, espanhol e francês, desenvolvidas principalmente por meio de leituras, conteúdos digitais e plataformas gratuitas.

A dedicação aos estudos abriu caminho para oportunidades acadêmicas fora do Brasil.

Wallisson passou a compartilhar nas redes sociais a experiência de formação na França, ligada à área de Engenharia Agronômica e Agroalimentar, trajetória que rapidamente repercutiu entre estudantes, professores e perfis voltados para educação pública.

A história chamou atenção justamente por surgir fora dos grandes centros acadêmicos brasileiros.

Em estados como o Tocantins, o acesso a intercâmbios internacionais, ensino multilíngue e pós-graduação no exterior ainda representa realidade distante para grande parte dos estudantes da rede pública.

Dados do IBGE mostram que o Brasil mantém forte desigualdade no acesso ao ensino superior e à formação internacional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Especialistas em educação apontam que trajetórias autodidatas ganharam mais espaço nos últimos anos com o avanço de plataformas digitais gratuitas e conteúdos educacionais online.

Ao mesmo tempo, pesquisadores alertam que casos como o de Wallisson continuam sendo exceções dentro de um sistema marcado por desigualdades estruturais.

Nas redes sociais, a repercussão da história mobilizou estudantes de Araguaína e de outras cidades tocantinenses. Muitos passaram a compartilhar relatos semelhantes de dificuldades econômicas, rotina de estudos independentes e busca por oportunidades acadêmicas fora do estado.

Mais do que viralizar pela superação pessoal, a trajetória acabou reacendendo um debate maior sobre acesso à educação, leitura e mobilidade social no Brasil.

Porque, em muitos lugares do país, o problema nunca foi falta de talento.

Foi falta de acesso aos livros.

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