Restrição em ponte sobre o Rio Tocantins muda rota de caminhões e acende alerta logístico no agronegócio do Tocantins

Restrição em ponte sobre o Rio Tocantins muda rota de caminhões e acende alerta logístico no agronegócio do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de maio de 2026 0

DNIT limita tráfego na BR-235 entre Pedro Afonso e Tupirama após identificar risco estrutural; medida afeta transporte de cargas, produtores e comércio regional

A decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) de restringir o tráfego de veículos pesados na ponte sobre o Rio Tocantins, no km 164 da BR-235/TO, começou a provocar impactos imediatos no transporte de cargas e no agronegócio do Tocantins.

A ponte liga regiões estratégicas próximas aos municípios de Pedro Afonso, Tupirama e Bom Jesus do Tocantins — áreas fortemente dependentes da circulação de caminhões para escoamento de produção agropecuária, abastecimento comercial e deslocamento entre municípios.

Inicialmente, o DNIT informou restrição para veículos acima de quatro toneladas, alegando necessidade preventiva para preservação da estrutura. O trecho recebeu sinalização emergencial e passou a operar sob monitoramento técnico.

Depois da repercussão regional, o órgão revisou parcialmente a medida e autorizou a passagem de veículos de até 12 toneladas, conforme ofício enviado à Prefeitura de Pedro Afonso.

Mesmo assim, o impacto logístico permanece.

O próprio DNIT confirmou que inspeções técnicas identificaram sinais considerados graves na estrutura da ponte, incluindo indícios de comprometimento estrutural classificados como situação “emergencial”.

A medida ocorre em um momento particularmente sensível para o Tocantins.

A BR-235 se transformou nos últimos anos em um dos principais eixos logísticos ligados ao avanço econômico do MATOPIBA — região agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia que concentra parte da expansão da soja, milho e algodão no Brasil.

Hoje, a rodovia conecta áreas agrícolas estratégicas ao restante da malha nacional, funcionando como corredor para transporte de grãos, insumos, gado e abastecimento regional.

Com a restrição, caminhoneiros passaram a utilizar desvios mais longos definidos pelo DNIT.

A rota alternativa recomendada segue pela BR-153 até Guaraí, acessa a TO-239 em direção a Tupiratins, utiliza travessia por balsa para Itapiratins e depois retorna por rodovias estaduais até Pedro Afonso.

Na prática, isso representa aumento de distância, custo operacional, tempo de viagem e pressão sobre estradas estaduais que já operam com fluxo elevado em períodos de safra.

O caminhoneiro Carlos Henrique Lima, que transporta insumos agrícolas na região, afirma que a mudança altera completamente a logística das viagens.

“Não é só questão de quilometragem. Tem combustível, fila de balsa, desgaste do caminhão e atraso de entrega. Quem trabalha com frete sente imediatamente”, afirmou.

O impacto preocupa principalmente produtores rurais ligados ao agronegócio.

Pedro Afonso é considerado um dos polos agrícolas mais importantes do Tocantins e possui forte integração com cadeias de soja, milho, pecuária e transporte regional.

Para economistas do setor logístico, a situação expõe um problema estrutural que começou a ganhar maior atenção nacional após o colapso da ponte Juscelino Kubitschek entre Tocantins e Maranhão, ocorrido em dezembro de 2024.

Desde então, aumentou a pressão sobre órgãos federais para ampliação das inspeções em pontes estratégicas do país.

O economista de infraestrutura Samuel Andrade afirma que o caso da BR-235 revela como a precariedade logística pode afetar diretamente competitividade econômica.

“O agronegócio brasileiro depende de pontes, rodovias e corredores logísticos funcionando continuamente. Quando uma estrutura estratégica sofre restrição, o impacto ultrapassa o transporte e chega ao custo da produção, frete, abastecimento e exportação”, afirmou.

Segundo ele, o problema se torna ainda mais relevante porque o Tocantins ocupa posição estratégica dentro da nova geografia agrícola brasileira.

“O MATOPIBA cresceu muito mais rápido do que parte da infraestrutura disponível. Hoje existe pressão enorme sobre rodovias federais construídas para uma realidade econômica muito menor”, explicou.

Enquanto o DNIT mantém monitoramento técnico da ponte, produtores, caminhoneiros e comerciantes da região tentam reorganizar rotas e minimizar prejuízos.

Nos municípios próximos, o temor é que uma eventual ampliação das restrições provoque impactos ainda maiores sobre circulação de mercadorias e abastecimento regional.

Por enquanto, o que mudou foi a rotina de milhares de motoristas que cruzavam diariamente a ponte sem imaginar que uma estrutura estratégica para o Tocantins se transformaria em novo ponto de tensão logística no estado.

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