Kátia Abreu volta ao centro do tabuleiro político e amplia influência nas articulações para 2026

Kátia Abreu volta ao centro do tabuleiro político e amplia influência nas articulações para 2026
Kátia Abreu, ex-ministra e ex-senadora, reforça protagonismo político em Brasília e consolida influência entre o governo Lula e o Tocantins.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de maio de 2026 1

Filiação ao PT fortalece estratégia de Lula no Tocantins e recoloca a ex-senadora entre os nomes mais influentes da política estadual

A filiação da ex-senadora e ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu ao Partido dos Trabalhadores (PT) provocou uma das movimentações políticas mais relevantes do Tocantins nos últimos meses e recolocou seu nome no centro das articulações para as eleições de 2026. Embora não exista confirmação oficial sobre uma candidatura ao Governo do Estado, reportagens nacionais e movimentações de bastidores indicam que a ex-parlamentar passou a exercer papel estratégico na construção do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins.

Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, a filiação ocorreu em meio à preocupação de aliados do governo federal com a possibilidade de Lula chegar à disputa presidencial sem uma candidatura competitiva alinhada ao Palácio do Planalto no Estado. Nesse cenário, Kátia teria admitido até mesmo uma eventual candidatura ao Governo em uma situação tratada internamente como “de sacrifício”, caso não surgisse outro nome com densidade eleitoral para representar o grupo governista.

O movimento ampliou ainda mais o peso político da ex-senadora, que possui uma das trajetórias mais consolidadas da história recente do Tocantins. Formada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Kátia construiu sua carreira política a partir do setor agropecuário. Presidiu o Sindicato Rural de Gurupi, comandou a Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins (Faet) por quatro mandatos consecutivos e tornou-se presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), sendo a primeira mulher a liderar a principal entidade do agronegócio brasileiro.

A projeção nacional veio acompanhada de vitórias eleitorais expressivas. Em 2002, foi eleita deputada federal mais votada do Tocantins. Em 2006, derrotou Siqueira Campos na disputa pelo Senado Federal, consolidando-se como uma das principais lideranças políticas do Estado. Posteriormente, assumiu o Ministério da Agricultura durante o segundo governo Dilma Rousseff, posição que ampliou sua influência nacional e fortaleceu sua interlocução com diferentes setores econômicos e políticos do país.

A trajetória de Kátia também é marcada pela capacidade de transitar entre diferentes campos políticos. Ao longo dos anos, saiu de posições historicamente associadas ao campo conservador e ruralista para se aproximar do governo Dilma Rousseff, tornar-se uma das principais defensoras da ex-presidente durante o processo de impeachment e, posteriormente, apoiar Lula nas eleições presidenciais. Em 2018, chegou a disputar a Vice-Presidência da República na chapa de Ciro Gomes.

Nos bastidores do Tocantins, lideranças políticas avaliam que a principal força de Kátia atualmente não está apenas em uma eventual candidatura própria, mas na capacidade de influenciar alianças. Hoje, ela participa das articulações que envolvem a aproximação entre PT, PSD e PDT em torno do vice-governador Laurez Moreira, considerado um dos nomes que podem disputar o Palácio Araguaia em 2026. A movimentação também envolve o senador Irajá Abreu, filho da ex-senadora e uma das principais lideranças do PSD no Estado.

Mesmo entre setores que divergem politicamente de suas posições atuais, existe o reconhecimento de que Kátia permanece como uma das figuras mais conhecidas e com maior capacidade de articulação da política tocantinense. Seu histórico de trânsito entre Brasília, o agronegócio, o Congresso Nacional e lideranças estaduais faz com que continue sendo observada com atenção por aliados e adversários.

Por enquanto, a ex-senadora evita confirmar qualquer projeto eleitoral. Mas sua filiação ao PT já produziu um efeito concreto: recolocou seu nome entre os principais atores da disputa política que começa a se desenhar para 2026.

Em um Estado onde alianças nacionais costumam influenciar diretamente os cenários locais, poucos movimentos recentes tiveram impacto tão imediato quanto o retorno de Kátia Abreu ao núcleo das articulações do governo federal.

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