De Machado de Assis a Guimarães Rosa: clube de leitura leva clássicos da literatura a três cidades do Tocantins

De Machado de Assis a Guimarães Rosa: clube de leitura leva clássicos da literatura a três cidades do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de maio de 2026 0

 

Em um cenário marcado pela disputa constante da atenção entre telas, vídeos curtos e redes sociais, os clubes de leitura têm conquistado espaço como alternativa para quem busca aprofundar reflexões, compartilhar interpretações e redescobrir o prazer da literatura.

No Tocantins, essa proposta ganha destaque em junho com uma nova edição do Clube de Leitura do Sesc, que promoverá debates gratuitos em Palmas, Araguaína e Gurupi sobre três obras que atravessam diferentes períodos da literatura brasileira.

A programação reúne um dos maiores nomes do realismo nacional, Machado de Assis; o escritor mineiro João Guimarães Rosa, considerado um dos autores mais influentes da língua portuguesa; e a cearense Socorro Acioli, representante da literatura contemporânea brasileira.

Os encontros acontecem sempre às 19 horas nas bibliotecas das unidades do Sesc e não exigem leitura prévia das obras, permitindo a participação tanto de leitores habituais quanto de pessoas interessadas em conhecer os livros pela primeira vez.

A programação será aberta em Gurupi, no dia 3 de junho, com Dom Casmurro, romance publicado por Machado de Assis em 1899 e considerado uma das obras mais debatidas da literatura brasileira. A narrativa acompanha Bentinho e Capitu em uma história que atravessa temas como memória, ciúme e construção da verdade.

Mais de um século após sua publicação, a pergunta sobre uma possível traição de Capitu continua provocando interpretações divergentes entre leitores, pesquisadores e críticos literários.

Já no dia 10 de junho, em Araguaína, será a vez de Oração Para Desaparecer, da escritora Socorro Acioli. O romance acompanha a trajetória de uma mulher que acorda sem qualquer lembrança de seu passado e precisa reconstruir sua identidade em um ambiente desconhecido.

A obra aborda questões ligadas à memória, pertencimento e reconstrução pessoal, temas que têm ganhado espaço na literatura contemporânea brasileira.

Encerrando a programação, Palmas recebe no dia 24 de junho o debate sobre Grande Sertão: Veredas, obra-prima de João Guimarães Rosa publicada em 1956.

Considerado um marco da literatura nacional, o romance acompanha as memórias do ex-jagunço Riobaldo em uma narrativa que mistura filosofia, religiosidade, violência, amor e os dilemas humanos presentes no sertão brasileiro.

Além de apresentar diferentes estilos literários, a programação busca aproximar o público de autores que continuam influenciando gerações de leitores e estudiosos.

Segundo especialistas em educação e formação de leitores, clubes de leitura desempenham papel importante no desenvolvimento do pensamento crítico, da interpretação textual e da ampliação do repertório cultural.

A proposta também reforça uma tendência observada em diversas regiões do país: a valorização de espaços coletivos de leitura e debate em um momento em que a produção de conteúdo digital se torna cada vez mais acelerada.

Com encontros gratuitos e abertos ao público, o Clube de Leitura do Sesc busca transformar os livros em ponto de partida para conversas que ultrapassam as páginas e dialogam com temas contemporâneos, históricos e humanos.

:Clubes de leitura crescem no Brasil e atraem público de diferentes gerações

Os clubes de leitura têm registrado crescimento em diversas cidades brasileiras nos últimos anos. A expansão acompanha uma busca cada vez maior por atividades culturais presenciais e por experiências coletivas ligadas aos livros.

Além de incentivar o hábito da leitura, esses encontros ajudam leitores a conhecer novas interpretações sobre uma mesma obra, ampliando a compreensão dos textos e promovendo debates sobre temas sociais, históricos e culturais.

Segundo especialistas da área educacional, a troca de experiências entre participantes fortalece o pensamento crítico e contribui para a formação de leitores mais ativos e reflexivos.

A tendência também tem impulsionado bibliotecas, livrarias e instituições culturais a criarem novos projetos voltados à democratização do acesso à literatura, aproximando autores clássicos e contemporâneos de diferentes públicos.

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