Da Ceasa ao supermercado: banana, arroz, feijão, cenoura e beterraba seguem pressionando o orçamento das famílias no Tocantins

Comprar alimentos básicos continua exigindo pesquisa e planejamento das famílias tocantinenses. Produtos como banana, cenoura, arroz, feijão e beterraba seguem apresentando oscilações importantes de preços entre supermercados, atacarejos, feiras livres, verdurões e centrais de abastecimento.
O cenário acompanha uma tendência observada em diferentes regiões do país e mantém a alimentação entre os itens que mais pressionam o orçamento doméstico.
Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que, apesar de alguns produtos apresentarem queda de preço nos últimos meses, a cesta básica continua sofrendo impactos de fatores como clima, logística, sazonalidade agrícola e custos de distribuição.
Em Palmas, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica realizada pela Conab e pelo Dieese apontou que o custo médio da cesta básica chegou a R$ 695,28 em fevereiro de 2026. Apesar da redução de 0,74% em relação ao mês anterior, os alimentos continuam representando uma das principais despesas das famílias. Entre os produtos que contribuíram para aliviar parte da pressão apareceram justamente banana e arroz.
A diferença entre os pontos de venda também chama atenção.
Levantamentos realizados em reportagens anteriores no Tocantins mostraram cenoura sendo comercializada próxima de R$ 6 o quilo em determinados estabelecimentos, enquanto outros produtos da cesta básica registravam variações significativas dependendo do local da compra.
Segundo análises da Conab, a banana apresentou redução de preços em importantes mercados atacadistas no início de 2026 devido ao aumento da oferta nacional. Já a cenoura seguiu trajetória oposta em vários momentos do ano por causa da diminuição da produção disponível para comercialização. Em janeiro, a raiz registrou alta média de 8,55% nos mercados atacadistas monitorados pela estatal.
A explicação está diretamente ligada ao campo.
A Conab aponta que frutas, legumes e hortaliças possuem comportamento muito mais sensível às condições climáticas do que produtos industrializados. Excesso de chuva, estiagem prolongada, calor intenso e problemas de transporte afetam rapidamente a oferta e acabam refletindo nos preços pagos pelo consumidor.
No caso do arroz, o cenário é mais complexo.
Depois de uma forte queda nos preços ao longo de 2025 — quando o arroz acumulou recuo de 26,6% segundo dados citados pela revista Exame com base no IBGE — o mercado voltou a acompanhar com atenção as projeções da safra 2025/2026. A Conab estima produção próxima de 10,9 milhões de toneladas, volume inferior ao ciclo anterior.
Mesmo assim, analistas do setor avaliam que os estoques existentes e a produção mundial elevada ajudam a reduzir riscos de disparadas bruscas nos preços.
O feijão também continua sob monitoramento.
Relatórios da Conab indicam que a produção nacional enfrenta oscilações associadas à redução de área plantada em algumas regiões e ao comportamento climático das safras. Em diferentes capitais brasileiras, o produto voltou a registrar aumentos nos primeiros meses de 2026.
Mudança de hábitos
Enquanto os preços continuam variando, consumidores têm alterado a forma de fazer compras.
Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o consumo nos lares brasileiros continua crescendo, mas em ritmo mais moderado. A entidade atribui esse comportamento ao cenário de juros elevados e à necessidade de maior controle dos gastos domésticos.
O reflexo aparece diretamente nos hábitos de compra.
Feiras livres, atacarejos, centrais de abastecimento e verdurões têm atraído consumidores que buscam reduzir o impacto da alimentação no orçamento mensal. Em muitos casos, a compra passou a ser dividida entre diferentes estabelecimentos para aproveitar promoções e diferenças de preços.
A própria Ceasa Tocantins passou a ampliar a divulgação de informações de mercado. Em 2025, o Governo do Estado lançou o Painel de Cotações Agropecuárias da Ceasa com o objetivo de oferecer maior transparência sobre preços praticados na cadeia de abastecimento.
O que pode subir e o que pode cair
As perspectivas para as próximas semanas indicam relativa estabilidade para parte dos produtos industrializados da cesta básica, mas continuam apontando oscilações para frutas, verduras e hortaliças.
A Conab destaca que a oferta de banana apresentou melhora em diferentes mercados atacadistas no início do ano, contribuindo para redução dos preços. Já produtos como cenoura continuam sujeitos a movimentos rápidos de alta ou queda dependendo do volume colhido e da entrada de mercadorias nas centrais de abastecimento.
Para arroz e feijão, o comportamento dependerá principalmente da evolução das safras, dos estoques e do ritmo de comercialização dos produtores. Relatórios recentes apontam possibilidade de alta moderada para o arroz e cenário mais dependente do desempenho das próximas colheitas no caso do feijão.
Enquanto isso, a recomendação continua sendo a mesma para o consumidor tocantinense: comparar preços antes de comprar.
A diferença entre um supermercado, um atacarejo, uma feira livre ou um verdurão pode representar economia significativa ao longo do mês, especialmente em um cenário em que os alimentos seguem ocupando parcela importante do orçamento das famílias.