Editorial: 100 dias para as eleições: o Tocantins entra na fase em que discurso bonito já não basta
Faltando 100 dias para o primeiro turno das eleições de 2026, o Tocantins entra definitivamente no período em que a política deixa de ser conversa de bastidor e passa a exigir coragem, presença e verdade diante do eleitor.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro. Até lá, o eleitor brasileiro escolherá presidente da República, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais. No Tocantins, a contagem regressiva tem um peso ainda maior: será uma eleição decisiva para reorganizar forças, testar lideranças e mostrar quem tem, de fato, projeto para o Estado.
A política tocantinense vive um momento de intensa movimentação. Há pré-candidatos tentando consolidar palanques, grupos buscando espaço, partidos negociando apoio, lideranças municipais sendo disputadas e nomes tradicionais tentando provar que ainda têm força. Mas a partir de agora, a régua muda. Não basta dizer que é forte. Será preciso mostrar força.
Os próximos 100 dias serão de filtro. O eleitor vai observar quem tem discurso e quem tem entrega. Quem fala em povo, mas só aparece em evento fechado. Quem promete renovação, mas carrega práticas antigas. Quem se diz municipalista, mas só lembra das cidades quando precisa de voto. Quem fala em desenvolvimento, mas não apresenta caminho concreto para gerar emprego, melhorar a saúde, fortalecer a educação e dar dignidade à população.
No Tocantins, a eleição não pode ser tratada apenas como disputa de grupos. O Estado precisa discutir futuro. Precisa falar de infraestrutura, hospitais, segurança, estradas, produção, habitação, turismo, juventude, mulheres, servidores públicos, empresários, trabalhadores rurais, pequenos comerciantes e famílias que vivem longe dos grandes centros de decisão.
A campanha que se aproxima não será vencida apenas no palanque. Será vencida na rua, no contato direto, na conversa franca, no município pequeno, na periferia, no comércio, na zona rural, nas igrejas, nas associações, nos bairros e nas redes sociais. Quem achar que mandato, sobrenome, cargo ou estrutura resolvem tudo pode se surpreender.
O Tocantins mudou. O eleitor também mudou. Hoje, a população cobra mais, compara mais, desconfia mais e tolera menos. O voto deixou de ser apenas resultado de influência política. Cada vez mais, ele passa pela percepção de quem esteve presente, quem entregou, quem ajudou, quem ouviu e quem apareceu quando não era tempo de eleição.
Por isso, os próximos 100 dias serão decisivos para separar os projetos consistentes das aventuras eleitorais. Também serão importantes para mostrar quais lideranças têm disposição de colocar o nome, o rosto e a energia no front da campanha. Política não se faz apenas no gabinete, nem apenas no grupo de WhatsApp. Política se faz com presença, articulação e coragem.
As principais forças políticas do Tocantins sabem disso. Quem pretende disputar o Governo precisa ampliar base, organizar aliados e apresentar uma mensagem clara. Quem quer chegar ao Senado precisa mostrar densidade estadual. Quem busca vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa terá que provar que não vive apenas de apoio de cúpula, mas de voto real nas cidades.
Também será o momento de os partidos mostrarem se têm projeto ou apenas interesse de ocasião. Federação, coligação, apoio e aliança não podem ser apenas cálculo eleitoral. O eleitor precisa saber quem está com quem, por qual motivo e em defesa de qual proposta.
A democracia exige transparência. E o Tocantins precisa de uma eleição em que o debate seja firme, mas responsável. Crítica faz parte do jogo. Fiscalização é dever da imprensa. Contraditório é obrigação. Mas ataque vazio, fake news, pesquisa falsa, baixaria e manipulação não podem substituir a discussão séria sobre o Estado.
A eleição de 2026 não será apenas sobre nomes. Será sobre confiança. O povo vai decidir quem merece conduzir o Tocantins nos próximos anos e quem merece representar o Estado em Brasília e na Assembleia. Essa decisão não pode ser comprada por marketing bonito nem por promessa feita de última hora.
Faltam 100 dias. Para muitos políticos, parece pouco tempo. Para o eleitor, é tempo suficiente para perceber quem está preparado e quem está apenas tentando sobreviver no jogo.
O Tocantins precisa de candidatos que respeitem a inteligência do povo, que falem com clareza, que apresentem propostas e que tenham coragem de enfrentar os problemas reais. A partir de agora, cada fala pesa, cada ausência aparece, cada gesto comunica e cada erro custa caro.
A contagem regressiva começou. E, desta vez, não será apenas a classe política que estará em campanha. O eleitor também estará em avaliação. Observando. Comparando. Cobrando. E preparando a resposta que só ele pode dar nas urnas.
Porque, no fim, eleição não pertence a palanque, partido ou grupo político. Eleição pertence ao povo. E no dia 4 de outubro, será o povo quem vai dizer quem passou no teste dos próximos 100 dias.