Operação mira núcleo brutal do PCC que fazia “Tribunal do Crime” no Tocantins; 13 são alvos de prisão

Operação mira núcleo brutal do PCC que fazia “Tribunal do Crime” no Tocantins; 13 são alvos de prisão
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 30 de junho de 2026 0

Uma operação deflagrada nesta terça-feira, 30, mirou um núcleo apontado como responsável pelo chamado “Tribunal do Crime” do Primeiro Comando da Capital, o PCC, no Tocantins. A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público do Tocantins, e teve como alvo investigados ligados à atuação da facção em diferentes cidades do Estado.

Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 1 milhão em ativos financeiros ligados aos investigados, como forma de atingir a estrutura econômica usada para sustentar as atividades criminosas.

As diligências foram realizadas em Araguaína, Gurupi, Guaraí, Paraíso do Tocantins e Porto Nacional. A operação mobilizou equipes de segurança em uma ofensiva simultânea para tentar enfraquecer a atuação da facção e interromper o funcionamento de uma estrutura interna de punição e controle.

Segundo as investigações, os alvos integravam uma espécie de núcleo disciplinar da organização criminosa. Dentro da dinâmica da facção, esse grupo seria responsável por fiscalizar o comportamento de integrantes, impor regras, cobrar obediência e aplicar punições contra quem descumprisse determinações internas.

Esse mecanismo ficou conhecido como “Tribunal do Crime”. Na prática, os investigados teriam participação em decisões de punições contra membros da facção, desafetos e pessoas consideradas inimigas pelo grupo. As sanções poderiam envolver ameaças, agressões, torturas e até execuções.

A apuração aponta que a facção mantinha uma organização estruturada, com divisão de tarefas e atuação em várias regiões do Tocantins. O núcleo investigado teria papel importante na manutenção do domínio do grupo, tanto dentro quanto fora do sistema prisional.

A nova fase da investigação é um desdobramento da Operação Regresso II. A partir da análise de aparelhos celulares apreendidos em fases anteriores, o Gaeco identificou novos elementos sobre a atuação da facção no Estado, incluindo conversas, ordens internas, movimentações financeiras e possíveis vínculos entre os investigados.

Além da violência, a operação também mira indícios de lavagem de dinheiro. Conforme as investigações, recursos de origem ilícita teriam sido movimentados por meio de transferências eletrônicas, principalmente via PIX, com uso de contas ligadas a integrantes ou pessoas associadas à organização criminosa.

O bloqueio de cerca de R$ 1 milhão busca impedir que o dinheiro continue sendo usado para financiar a facção, custear atividades criminosas e manter a estrutura de poder do grupo no Tocantins.

A operação contou com apoio da Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Civil. Equipes especializadas participaram do cumprimento dos mandados, incluindo unidades de inteligência, grupos operacionais e delegacias regionais dos municípios envolvidos.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros delitos que forem confirmados no decorrer das apurações.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, rastrear a origem dos valores movimentados e dimensionar o alcance da facção no Tocantins.

A ofensiva reforça a preocupação das autoridades com a atuação de organizações criminosas no Estado. Ao mirar o chamado “Tribunal do Crime”, o Gaeco tenta atingir uma das estruturas mais violentas da facção, responsável por impor medo, disciplina e punições dentro da própria organização.

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