Com voto favorável de Eduardo Gomes, Senado aprova spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres

Com voto favorável de Eduardo Gomes, Senado aprova spray de pimenta para defesa pessoal de mulheres
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 3 de julho de 2026 0

  Projeto segue para sanção presidencial e autoriza compra do produto por mulheres acima de 18 anos; adolescentes a partir de 16 anos poderão adquirir com autorização dos responsáveis

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 727/2026, que autoriza a comercialização, aquisição e posse de aerossol de extratos vegetais, conhecido como spray de pimenta, para defesa pessoal de mulheres.

O texto recebeu voto favorável do senador Eduardo Gomes (PL-TO) e agora segue para análise e sanção do presidente da República.

A proposta é de autoria da deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE). Na Câmara dos Deputados, o projeto teve relatoria da deputada Gisela Simona (União-MT). No Senado, o relator foi o senador Laércio Oliveira (PP-SE).

Pelo texto aprovado, mulheres maiores de 18 anos poderão comprar o spray para uso individual e intransferível. Adolescentes entre 16 e 18 anos também poderão adquirir o produto, desde que tenham autorização expressa dos pais ou responsáveis legais.

O projeto determina que o produto não poderá conter substâncias letais ou de toxicidade permanente. A venda deverá ter rastreabilidade, com registro simplificado da compradora, mantido pelo estabelecimento por cinco anos.

A proposta também prevê punição para uso indevido. Quem utilizar o spray fora das situações de defesa pessoal poderá receber advertência, multa, ter o produto apreendido e ficar proibido de comprar novamente por até cinco anos.

O uso será permitido apenas em caso de agressão injusta, atual ou iminente, e de forma proporcional.

Ao votar a favor da proposta, Eduardo Gomes defendeu que o spray de pimenta pode funcionar como instrumento não letal de proteção para mulheres em situação de risco.

Analistas de segurança pública avaliam que a medida pode ajudar mulheres a ganhar tempo para fugir, pedir socorro ou acionar as autoridades em situações de ameaça. No entanto, especialistas alertam que o spray não substitui políticas públicas de proteção, como medidas protetivas, patrulhas especializadas, canais de denúncia, acolhimento e punição aos agressores.

Para especialistas em violência contra a mulher, o principal ponto do projeto é permitir uma reação imediata em caso de perigo. Por outro lado, eles destacam que o uso exige orientação, já que o manuseio incorreto pode colocar a própria vítima em risco.

O projeto também prevê a criação de um Programa Nacional de Capacitação em Defesa Pessoal e Uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo para Mulheres.

Com a aprovação no Senado, a proposta entra na fase final de tramitação. Caso seja sancionada, o Brasil passará a ter uma regra nacional para venda, posse e uso do spray de pimenta por mulheres para defesa pessoal.

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