Haaland enterra sonho do hexa, elimina Brasil da Copa e amplia maior jejum da história da Seleção

Haaland enterra sonho do hexa, elimina Brasil da Copa e amplia maior jejum da história da Seleção
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 6 de julho de 2026 0

Da promessa de reconstrução milionária ao colapso diante da Noruega, Brasil cai nas oitavas, vê estratégia de Ancelotti desmoronar, jogadores milionários voltarem para casa e abre nova crise sobre o futuro da maior campeã do mundo

O Brasil gastou esperança, tempo e milhões para voltar ao topo do mundo. Buscou um dos treinadores mais vencedores da história do futebol, reuniu jogadores que recebem cifras milionárias nos maiores centros da Europa, recuperou Neymar para mais uma Copa do Mundo e chegou aos Estados Unidos repetindo a palavra que persegue uma geração inteira desde 2002: hexa.

Terminou ajoelhado diante de Erling Haaland. A derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo, 5 de julho, em Nova Jersey, não representou apenas mais uma eliminação brasileira em Copa do Mundo. Foi o fim precoce de um projeto construído para recolocar a maior campeã mundial no lugar de onde saiu há 24 anos.

Haaland marcou duas vezes. Neymar diminuiu de pênalti nos acréscimos. O Brasil tentou transformar desespero em reação quando o jogo já escapava das mãos.

O pentacampeão caiu nas oitavas de final. Pela primeira vez desde 1990, a Seleção Brasileira não conseguiu chegar sequer às quartas de final de uma Copa do Mundo.

O resultado amplia um jejum que já é o maior da história brasileira. Campeão pela última vez em 2002, no Japão e na Coreia do Sul, o Brasil chegará ao Mundial de 2030 com pelo menos 28 anos de distância do último título caso volte a levantar a taça apenas na próxima edição.

Para um país que construiu sua identidade no futebol sobre Pelé, Garrincha, Romário, Ronaldo, Rivaldo e tantos outros, a queda dói ainda mais.

E não foi por falta de investimento. A Confederação Brasileira de Futebol passou anos perseguindo a contratação de Carlo Ancelotti. Durante a espera pelo italiano, a Seleção viveu instabilidade, trocou comandos e atravessou um período marcado por dúvidas até a chegada definitiva do treinador em maio de 2025.

Ancelotti desembarcou carregando cinco títulos da Liga dos Campeões e a fama de especialista em administrar grandes estrelas. Antes mesmo do Mundial de 2026, a CBF estendeu o vínculo do italiano até a Copa de 2030.

O treinador recebe valores estimados em aproximadamente 10 milhões de euros por ano, cifra próxima de R$ 63 milhões. Na média mensal, são cerca de R$ 5,3 milhões envolvendo a remuneração prevista no acordo.

O contrato para o ciclo da Copa ainda previa um bônus milionário em caso de conquista do hexacampeonato. O prêmio estimado era de 5 milhões de euros, aproximadamente R$ 31 milhões. O bônus morreu em Nova Jersey.

No comando da CBF está Samir Xaud. A remuneração bruta ligada à presidência da entidade foi divulgada na casa dos R$ 383 mil mensais. Considerando a estrutura anual de pagamentos, o cargo movimenta valores próximos de R$ 5 milhões ao ano.

Do comando da Confederação ao banco de reservas, o projeto brasileiro foi cercado por cifras altas.

Dentro de campo, o cenário não era diferente. Os dez jogadores mais bem pagos entre os convocados brasileiros somam salários estimados em mais de R$ 850 milhões por ano.

Vinícius Júnior, do Real Madrid, aparece no topo com vencimentos estimados em cerca de R$ 11,2 milhões por mês e mais de R$ 146 milhões por ano.

Casemiro recebe aproximadamente R$ 9,4 milhões mensais. Raphinha aparece com cerca de R$ 7,5 milhões por mês. Ederson tem ganhos estimados em R$ 7,1 milhões mensais.

Fabinho recebe aproximadamente R$ 6,3 milhões por mês. Marquinhos, cerca de R$ 6 milhões. Gabriel Martinelli e Matheus Cunha aparecem próximos dos R$ 4,8 milhões mensais cada.

Ibañez recebe aproximadamente R$ 4,4 milhões por mês e Bruno Guimarães, cerca de R$ 4,3 milhões.

Neymar tem salário estimado em pouco mais de R$ 4 milhões mensais no Santos, além de contratos e receitas ligadas à exploração de imagem e marketing.

Os valores podem variar conforme impostos, bônus, direitos de imagem e cláusulas individuais. Os salários são pagos pelos clubes, e não pela Seleção Brasileira. Ainda assim, os números ajudam a dimensionar o tamanho econômico de um grupo que chegou ao Mundial cercado de estrutura, investimento e experiência internacional.

Dinheiro não faltou. Faltou o hexa.

A caminhada brasileira começou no dia 13 de junho, contra Marrocos. E começou sob desconfiança.

O Brasil saiu atrás e precisou de Vinícius Júnior para buscar o empate por 1 a 1. A Seleção apresentou dificuldades para acelerar a partida, sofreu para encontrar espaços e deixou a primeira impressão de que o time ainda não estava totalmente pronto.

Contra o Haiti, a vitória por 3 a 0 trouxe alívio. O resultado parecia devolver confiança e permitiu que Ancelotti testasse movimentações ofensivas.

Depois veio a Escócia. Outra vitória por 3 a 0.

O Brasil avançou e a palavra hexa voltou a ganhar força entre torcedores. A sensação era de que a Seleção crescia dentro da competição. No mata-mata, porém, os problemas reapareceram.

Contra o Japão, na fase de 16 avos de final, o Brasil venceu por 2 a 1, mas precisou buscar a virada. Mais uma vez, a equipe encontrou dificuldades e deixou sinais de vulnerabilidade.

A classificação manteve o sonho vivo. A Noruega acabou com ele.

O Brasil entrou em campo sabendo exatamente qual era a principal ameaça do adversário. Erling Haaland é um dos atacantes mais letais do futebol mundial. Forte fisicamente, rápido e decisivo dentro da área, o norueguês era o jogador que a defesa brasileira precisava controlar.

Durante boa parte do confronto, o sistema brasileiro conseguiu limitar os espaços do atacante. O problema veio quando a estratégia mudou.

Análises táticas após a partida apontaram que as alterações promovidas por Carlo Ancelotti por volta dos 67 minutos mudaram a estrutura brasileira. O treinador desmontou parte da formação utilizada até aquele momento e apostou em uma organização ofensiva mais agressiva.

Neymar passou a atuar mais centralizado. O Brasil tentou ocupar o ataque com maior número de jogadores e buscar o gol. O preço foi o espaço.

A Seleção perdeu equilíbrio no meio-campo e permitiu que a Noruega encontrasse corredores para acelerar.

Era exatamente o tipo de jogo que Haaland queria.

O atacante aproveitou. Duas vezes.

O Brasil terminou a partida com apenas 35% de posse de bola. Foi um dos menores índices da Seleção em uma Copa do Mundo em décadas e uma imagem simbólica para um país que entrou na competição prometendo protagonismo.

Quando a bola deixou de responder, os nervos apareceram.

A tensão aumentou dentro de campo, jogadores brasileiros se envolveram em discussões e o clima ficou quente diante da marcação norueguesa. Reclamações, empurrões e cobranças tomaram espaço em uma partida que exigia concentração.

O Brasil parecia lutar contra a Noruega, contra o relógio e contra a própria ansiedade.

Bruno Guimarães teve a oportunidade de mudar o roteiro em uma cobrança de pênalti, mas desperdiçou.

O erro pesou. Do outro lado, Haaland não perdoou.

Neymar ainda marcou de pênalti nos acréscimos. O camisa 10, que começou no banco de reservas, entrou no segundo tempo e tentou comandar uma reação.

Era tarde. O apito final deixou jogadores brasileiros espalhados pelo gramado.

Alguns choraram. Outros ficaram parados olhando para o vazio. Haaland comemorava.

O Brasil voltava para casa. A estratégia de Ancelotti imediatamente virou alvo de críticas.

Vanderlei Luxemburgo, ex-técnico da Seleção Brasileira e do Real Madrid, foi um dos mais duros.

Para Luxa, Ancelotti errou nas escolhas durante a Copa e recebeu uma cobrança inferior àquela que seria direcionada a um treinador brasileiro.

“Se fosse um treinador brasileiro, a imprensa já estaria pedindo sua cabeça”, disparou Luxemburgo.

O treinador também questionou a maneira como Neymar foi utilizado e comparou o Brasil à própria Noruega. Na avaliação de Luxemburgo, os noruegueses organizaram a equipe para potencializar Haaland, enquanto a Seleção Brasileira não conseguiu construir um sistema capaz de tirar o máximo dos seus principais jogadores. A crítica atingiu diretamente o trabalho de Ancelotti.

Especialistas e comentaristas esportivos também passaram a questionar a identidade da Seleção. A discussão é sobre um Brasil que possui jogadores decisivos nos clubes, mas que ainda encontra dificuldade para transformar talentos individuais em uma equipe dominante durante uma Copa do Mundo. Vinícius Júnior é protagonista no Real Madrid.

Raphinha se consolidou no Barcelona. Bruno Guimarães é referência no Newcastle.

Marquinhos acumula temporadas no mais alto nível europeu.

Neymar voltou à Seleção carregando a responsabilidade de decidir. Mesmo assim, o Brasil caiu nas oitavas.

Ancelotti, após a derrota, reconheceu problemas no comportamento da equipe sob pressão e apontou dificuldades do Brasil para criar oportunidades e controlar determinados momentos da partida. A explicação, porém, não encerra a cobrança.

O treinador mais caro da história recente da Seleção foi contratado para fazer o Brasil voltar a ganhar. Não conseguiu.

O grupo milionário de jogadores foi montado para disputar o título. Não chegou às quartas.

A CBF apostou em um projeto internacional para recuperar a identidade vencedora.

O Brasil terminou o Mundial eliminado pela Noruega. Agora, as perguntas começam. Ancelotti continuará intocável até 2030?

A CBF manterá o projeto sem mudanças profundas? Neymar terá condições de chegar a mais uma Copa?

E, principalmente, por que jogadores protagonistas em alguns dos maiores clubes do mundo continuam sem transformar a Seleção Brasileira em uma equipe campeã?

O Brasil passou anos dizendo que estava em busca do hexa.

Em Nova Jersey, Haaland mostrou a distância entre o discurso e a realidade.

A Noruega segue na Copa.

O Brasil volta para casa.

E o hexa, mais uma vez, ficou para depois.

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