Terremoto de magnitude 5,4 atinge Cusco durante a madrugada; tremor não representa risco direto ao Brasil
Um terremoto de magnitude 5,4 atingiu a região de Cusco, no Peru, durante a madrugada desta terça-feira, 14 de julho. O tremor foi registrado às 3h21 pelo Instituto Geofísico do Peru.
De acordo com o órgão peruano, o epicentro ficou localizado a 17 quilômetros ao norte de Huayhuahuasi, na província de Espinar. O terremoto ocorreu a uma profundidade de 143 quilômetros e apresentou intensidade entre III e IV na escala utilizada para medir os efeitos sentidos pela população.
A profundidade elevada ajudou a reduzir o impacto do tremor na superfície. Abalos dessa natureza podem ser percebidos em uma área relativamente ampla, mas normalmente provocam menos danos próximos ao epicentro do que terremotos rasos de magnitude semelhante.
Até o momento, não há informação confirmada sobre vítimas ou danos estruturais graves. As autoridades peruanas acompanham possíveis ocorrências em comunidades próximas ao epicentro.
O terremoto voltou a chamar atenção para a forte atividade sísmica do Peru. O país está localizado no Cinturão de Fogo do Pacífico, uma das regiões geologicamente mais ativas do planeta.
Na costa oeste da América do Sul, a placa de Nazca avança por baixo da placa Sul-Americana. Esse processo, chamado de subducção, acumula tensão nas rochas e provoca terremotos frequentes no Peru, no Chile e em outras áreas da Cordilheira dos Andes.
O tremor registrado em Cusco ocorreu em uma profundidade intermediária, dentro da estrutura da placa que mergulha sob o continente. Eventos com essa característica são comuns no território peruano.
Há risco para o Brasil?
Pelas características divulgadas, o terremoto de magnitude 5,4 não representa risco direto ao território brasileiro. A distância do epicentro, a magnitude moderada e a profundidade de 143 quilômetros tornam improvável a ocorrência de danos no Brasil.
Ondas sísmicas atravessam grandes distâncias e podem ser captadas por equipamentos instalados em território brasileiro. Isso, entretanto, não significa que o tremor tenha força suficiente para causar destruição no país.
Em terremotos muito mais fortes ocorridos no Peru, especialmente aqueles com magnitude superior a 7, as oscilações já foram percebidas em estados brasileiros próximos à fronteira, como Acre, Amazonas e Rondônia. Nesses casos, moradores de edifícios altos podem sentir um leve balanço porque as construções amplificam movimentos de baixa frequência.
Mesmo nessas situações, os efeitos registrados no Brasil costumam ser leves e pontuais. Os maiores danos permanecem concentrados nas regiões próximas ao epicentro.
O sismólogo Marcelo Assumpção, professor aposentado do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, é uma das principais referências brasileiras no estudo de terremotos. Seus trabalhos ajudam a explicar que os tremores dos Andes podem ter ondas detectadas ou eventualmente sentidas no Brasil, sem que isso represente uma extensão da ruptura geológica até o território brasileiro.
Outro nome de referência é o sismólogo Lucas Vieira Barros, que atuou no Observatório Sismológico da Universidade de Brasília. Pesquisadores ligados à instituição acompanham terremotos registrados nos países vizinhos e analisam a propagação das ondas sísmicas pelo continente.
Esses especialistas, porém, não concederam entrevista exclusiva ao Diário Tocantinense sobre o terremoto desta terça-feira. Os nomes são citados como referências brasileiras na área de sismologia e podem ser procurados para uma manifestação específica.
Brasil está dentro da mesma placa
O Brasil está localizado no interior da placa Sul-Americana, distante das principais bordas onde ocorre o encontro entre placas tectônicas. Por isso, não enfrenta terremotos frequentes e destrutivos como os registrados no Peru e no Chile.
Isso não significa que o território brasileiro seja completamente livre de abalos. Pequenos terremotos podem ocorrer devido à reativação de falhas geológicas antigas e à transmissão de tensões pelo interior da placa.
A maior parte desses eventos possui baixa magnitude e não causa danos. O Brasil também mantém estações sismográficas capazes de detectar tremores ocorridos em diferentes partes do mundo.
No caso do terremoto em Cusco, a possibilidade mais provável é que as ondas sejam registradas por instrumentos científicos, sem qualquer efeito relevante para a população brasileira.
Sem possibilidade de tsunami
O terremoto também não oferece risco de tsunami. O epicentro ficou no interior do continente, distante do litoral, e a grande profundidade impede um deslocamento significativo do fundo do mar.
Tsunamis normalmente estão associados a terremotos fortes e rasos ocorridos sob o oceano, com movimentação vertical capaz de deslocar um grande volume de água.
As autoridades peruanas devem continuar monitorando a região para identificar possíveis réplicas. Tremores secundários podem ocorrer após o evento principal, mas geralmente apresentam magnitude inferior.
O episódio reforça a necessidade de preparação permanente no Peru, especialmente em cidades com construções antigas ou erguidas sem padrões adequados de resistência sísmica.
Para o Brasil, não existe alerta ou indicação de risco provocado pelo terremoto registrado em Cusco. O fenômeno poderá ser acompanhado pelas redes de monitoramento, mas não possui energia suficiente para provocar danos em território brasileiro.