Galaxy Z Fold8 muda o jogo dos dobráveis: Samsung lança celular “passaporte” com tela de 7,6”, IA Gemini e bateria maior

Galaxy Z Fold8 muda o jogo dos dobráveis: Samsung lança celular “passaporte” com tela de 7,6”, IA Gemini e bateria maior
Crédito CanalTech
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de julho de 2026 0

Novo celular pesa 201 gramas, tem bateria de 4.800 mAh e amplia disputa da Samsung com fabricantes chinesas e a possível chegada do primeiro iPhone dobrável

A Samsung apresentou nesta quarta-feira, 22 de julho, o Galaxy Z Fold8, novo celular dobrável que abandona o formato alto e estreito das gerações anteriores e adota um desenho mais baixo e largo, semelhante às dimensões de um passaporte.

O aparelho foi anunciado durante o Galaxy Unpacked, realizado em Londres, na Inglaterra, ao lado do Galaxy Z Fold8 Ultra e do Galaxy Z Flip8. O novo modelo custará a partir de US$ 1.899 no mercado internacional, valor equivalente a aproximadamente R$ 9,6 mil em conversão direta, sem impostos. Os preços para o Brasil ainda não foram divulgados.

Aberto, o Galaxy Z Fold8 se transforma em um pequeno tablet com tela de 7,6 polegadas e proporção 4:3. Fechado, possui uma tela externa de 5,5 polegadas, que permite responder mensagens, acessar aplicativos, ler notícias e assistir a vídeos sem a necessidade de abrir o aparelho.

O formato foi desenvolvido para aproveitar melhor conteúdos publicados no Instagram, TikTok, YouTube e plataformas de streaming. A tela mais larga reduz as faixas pretas que aparecem ao redor dos vídeos em dobráveis tradicionais e oferece uma área maior para filmes, séries, jogos, livros digitais e redes sociais.

Rafael Aquino, diretor de produtos móveis da Samsung Brasil, afirmou ao UOL que parte dos consumidores procura uma experiência voltada principalmente ao entretenimento.

“Algumas pessoas querem apenas imersão e não produtividade. O Z Fold8 traz a capacidade de ver vídeos em um novo formato, para uma experiência imersiva, fluida e natural”, declarou o executivo. A fala foi publicada originalmente pelo UOL durante a cobertura do lançamento em Londres.

O Galaxy Z Fold8 pesa 201 gramas e tem 4,5 milímetros de espessura quando aberto. Fechado, mede 9,7 milímetros. Segundo a Samsung, é o dobrável da linha Fold mais leve já produzido pela empresa.

A redução do peso e da espessura tenta enfrentar uma das principais reclamações dos consumidores em relação aos celulares dobráveis: o excesso de volume no bolso e o desconforto durante períodos prolongados de uso.

A estrutura da tela utiliza a tecnologia Flex Titanium, formada por camadas de titânio instaladas sob o painel OLED. Segundo a fabricante, o material aumenta a resistência do display, contribui para reduzir o vinco localizado no centro da tela e permite a construção de um aparelho mais fino.

O filme flexível utilizado no painel tem cerca de um terço da espessura de um fio de cabelo e, de acordo com as informações apresentadas no lançamento, oferece resistência até 20 vezes maior que a de polímeros usados nas gerações anteriores.

Na parte traseira, o Galaxy Z Fold8 possui duas câmeras de 50 megapixels. A principal conta com estabilização óptica e zoom digital de até dez vezes. A segunda câmera utiliza lente ultrawide, com campo de visão de 120 graus.

O aparelho também traz duas câmeras de selfie de 10 megapixels, uma na tela interna e outra no painel externo. O formato dobrável permite usar as câmeras traseiras para tirar selfies enquanto o usuário acompanha o enquadramento pela tela externa.

Outro recurso é a gravação simultânea com as câmeras frontal e traseira. A ferramenta pode ser utilizada por criadores de conteúdo, jornalistas, influenciadores e usuários interessados em registrar uma cena e a própria reação ao mesmo tempo.

Entre as novidades de inteligência artificial está o My FanCam. A ferramenta identifica uma pessoa dentro de um vídeo e produz automaticamente um enquadramento vertical, mantendo o personagem selecionado no centro da imagem.

O recurso foi desenvolvido principalmente para vídeos destinados às redes sociais. Em vez de recortar e reposicionar manualmente as imagens, o próprio aparelho acompanha os movimentos da pessoa escolhida e cria uma versão adaptada ao formato vertical.

O Galaxy Z Fold8 utiliza o Snapdragon 8 Elite Gen 5, processador mais avançado da Qualcomm. As versões com 256 GB e 512 GB de armazenamento possuem 12 GB de memória RAM. O modelo com 1 TB de espaço interno terá 16 GB de RAM.

O aparelho também integra recursos do Gemini, sistema de inteligência artificial do Google. A tecnologia pode ser utilizada para pesquisas, organização de informações, edição de conteúdos e execução de tarefas dentro de aplicativos compatíveis.

A bateria tem capacidade de 4.800 mAh e utiliza tecnologia de silício-carbono, que permite armazenar mais energia em um espaço menor. A carga foi dividida em duas células, instaladas nas duas metades do aparelho.

O carregamento chega a 45 watts por cabo e 20 watts sem fio. Segundo a Samsung, o celular pode reproduzir vídeos armazenados por até 26 horas. A autonomia real dependerá do brilho da tela, da conexão utilizada, dos aplicativos abertos e da intensidade de uso.

Além do Fold8, a Samsung apresentou o Galaxy Z Fold8 Ultra, voltado para produtividade, multitarefas e câmeras mais avançadas. O modelo será vendido no exterior a partir de US$ 2.099.

O Galaxy Z Flip8, menor e dobrável no formato de concha, terá preço inicial de US$ 1.199. Os dois aparelhos ficaram US$ 100 mais caros que seus antecessores no mercado internacional.

A apresentação acontece em um momento decisivo para a Samsung. A empresa enfrenta o crescimento das fabricantes chinesas no segmento de dobráveis e se prepara para a possível entrada da Apple nesse mercado.

Francisco Jeronimo, vice-presidente da consultoria IDC, afirmou à Reuters que este é um dos lançamentos de dobráveis mais importantes da história da Samsung. Para ele, a empresa precisa defender a categoria que ajudou a criar e, por isso, não poderia realizar apenas uma atualização conservadora.

A IDC projeta crescimento de 20% nas vendas mundiais de celulares dobráveis em 2026, mesmo diante de uma possível retração de 14% no mercado geral de smartphones. Os números mostram que os dobráveis ainda ocupam uma parcela pequena do setor, mas continuam avançando entre consumidores de aparelhos premium.

Sheng Win Chow, analista sênior da consultoria Omdia, avaliou à Reuters que uma tela maior já não é suficiente para justificar celulares vendidos por mais de US$ 1.500. Segundo ele, o principal desafio das fabricantes é demonstrar quais benefícios reais compensam o preço elevado.

Com o Galaxy Z Fold8, a Samsung aposta no formato de passaporte, na redução de peso, na tela ampliada para vídeos, na bateria de silício-carbono e nos recursos de inteligência artificial para fortalecer sua posição entre os celulares dobráveis.

A expectativa é que o modelo chegue ao Brasil em agosto. A Samsung ainda deverá anunciar as versões disponíveis, as cores, os benefícios de lançamento e os preços oficiais para o mercado brasileiro.

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