Ataques de Milei atravessam a fronteira: Brasil chama embaixador e crise com a Argentina sobe de tom

Ataques de Milei atravessam a fronteira: Brasil chama embaixador e crise com a Argentina sobe de tom
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 27 de julho de 2026 0

Itamaraty classifica declarações contra Lula, Alexandre de Moraes e as instituições brasileiras como afronta e adota duas medidas diplomáticas

O governo brasileiro convocou para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, após os ataques feitos pelo presidente argentino, Javier Milei, durante sua passagem por São Paulo.

Milei participou, no sábado, 25 de julho, da convenção nacional do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o discurso, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e “ladrão” e atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a quem chamou de “lixo careca”.

A reação diplomática ocorreu no domingo, 26 de julho. O Itamaraty determinou o retorno de Julio Bitelli a Brasília para reuniões com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e avaliação dos próximos passos na relação com o governo argentino.

Em manifestação sobre o caso, o Ministério das Relações Exteriores classificou as declarações como uma “afronta ao presidente, ao Poder Judiciário e à população brasileira”.

A convocação de um embaixador para consultas representa uma demonstração formal de forte insatisfação. A medida não significa rompimento das relações diplomáticas, mas mostra que o governo brasileiro considera grave a conduta do presidente argentino em território nacional.

O Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos. O representante argentino foi chamado para ouvir formalmente o protesto brasileiro contra as declarações de Milei.

As duas medidas elevaram o nível da reação. De um lado, o Brasil retirou temporariamente seu representante de Buenos Aires para consultas. Do outro, chamou o embaixador argentino em Brasília para comunicar diretamente o descontentamento.

Além de atacar Lula e Moraes, Milei utilizou sua participação em uma convenção partidária brasileira para defender a candidatura de Flávio Bolsonaro e criticar o governo brasileiro.

A presença de um chefe de Estado estrangeiro em um evento eleitoral já provocava questionamentos. Os ataques diretos às autoridades brasileiras transformaram a passagem de Milei em uma crise entre os dois governos.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também reagiu e classificou o ataque contra Alexandre de Moraes como uma referência desrespeitosa a um integrante da mais alta Corte do país.

A relação entre Lula e Milei já era marcada pelo distanciamento político e por divergências ideológicas. A nova crise, entretanto, ultrapassou os discursos de campanha e chegou oficialmente à diplomacia.

Brasil e Argentina precisam manter diálogo em áreas como comércio, Mercosul, fronteiras, energia e cooperação regional. Por isso, a convocação dos embaixadores funciona como um aviso de que as divergências políticas começaram a ameaçar o funcionamento normal da relação bilateral.

Até o momento, o Itamaraty adotou medidas de protesto, mas não anunciou rompimento diplomático nem suspensão das relações com a Argentina.

A crise agora dependerá da resposta do governo argentino e da possibilidade de novas declarações de Milei. O que começou como um discurso em uma convenção política atravessou a fronteira e colocou dois dos principais países da América do Sul em um novo momento de tensão.

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