É PRECISO AGIR ANTES”: Laurez cobra prevenção nas escolas e rede mais forte contra o feminicídio
O vice-governador e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Laurez Moreira, defendeu a criação de políticas permanentes de prevenção à violência contra a mulher nas escolas, o fortalecimento das delegacias especializadas e uma atuação integrada do Estado para impedir que ameaças e agressões terminem em feminicídio.
A manifestação ocorre diante do aumento dos crimes contra mulheres no Tocantins. Levantamento do Diário Tocantinense, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, mostra que o Estado registrou 20 feminicídios em 2025, contra 13 no ano anterior. O crescimento foi de 52,8%, colocando o Tocantins entre os estados com maior avanço proporcional desse tipo de crime no país.
Até 13 de julho de 2026, cinco feminicídios haviam sido oficialmente contabilizados no Estado, com registros em Palmas, Araguaína e Peixe. A morte da enfermeira e agente socioeducativa Morgana Vieira Monteiro, ocorrida posteriormente em Palmas, voltou a mobilizar a sociedade e ampliou a cobrança por respostas mais efetivas do poder público.
Para Laurez, investigar e punir os responsáveis é indispensável, mas não suficiente. O pré-candidato sustenta que o Estado precisa atuar antes do crime, identificando sinais de risco, acolhendo as vítimas e impedindo que ameaças, agressões psicológicas e ataques físicos avancem até o feminicídio.
“A prevenção precisa ser o centro da política pública”, afirmou Laurez ao defender uma mudança na forma como o Tocantins enfrenta a violência de gênero. Segundo ele, salvar uma mulher antes da agressão deve ser tratado como prioridade da segurança pública.
Entre as propostas apresentadas está a implantação de programas permanentes de prevenção à violência contra a mulher nas escolas estaduais. A intenção é levar o debate para dentro das salas de aula, trabalhar valores como respeito e igualdade e ensinar os jovens a identificar comportamentos abusivos desde o início.
Laurez também defende a capacitação de professores e demais servidores da educação para reconhecer possíveis sinais de violência dentro das famílias dos estudantes. Mudanças de comportamento, medo, isolamento, queda no rendimento escolar e relatos de agressões poderiam acionar os serviços de assistência social, saúde e segurança.
A proposta não é transformar professores em investigadores, mas prepará-los para comunicar situações de risco aos órgãos competentes. Para o pré-candidato, a escola possui papel estratégico porque acompanha diariamente crianças e adolescentes que podem conviver com agressões dentro de casa.
Outro ponto defendido é a realização de campanhas educativas voltadas aos homens e aos jovens. Laurez afirma que combater o feminicídio também exige enfrentar o machismo, o controle sobre a vida da mulher, o ciúme possessivo e a ideia de que ameaças e agressões seriam problemas privados do casal.
O pré-candidato propõe ainda ampliar os grupos de acompanhamento e reeducação destinados a homens autores de violência doméstica. Esses programas trabalham responsabilização, controle da agressividade e mudança de comportamento, sem substituir as punições previstas pela legislação.
Na rede de atendimento, Laurez defende o fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, com mais estrutura, profissionais preparados e capacidade de funcionamento também fora do horário comercial.
A proposta inclui ampliar o atendimento psicológico e jurídico às vítimas, garantir acolhimento seguro para mulheres ameaçadas e melhorar a comunicação entre delegacias, hospitais, unidades de saúde, assistência social, Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário.
A avaliação apresentada pelo pré-candidato é que muitas mulheres procuram ajuda em diferentes órgãos, mas enfrentam demora, falta de informação e dificuldade para conseguir proteção efetiva. A ausência de integração pode fazer com que sinais de risco sejam analisados separadamente, sem que o Estado perceba a gravidade do caso.
Laurez também defendeu investimentos em tecnologia e inteligência para fiscalizar medidas protetivas e acompanhar agressores. Entre as possibilidades estão sistemas de alerta, compartilhamento rápido de informações e monitoramento eletrônico nos casos autorizados pela Justiça.
Para o Diário Tocantinense, a pré-campanha informou que as medidas deverão integrar a construção do programa de governo de Laurez. O detalhamento, entretanto, ainda dependerá da apresentação de metas, previsão orçamentária, quantidade de unidades especializadas e cronograma de implantação.
A proposta de levar o tema às escolas também exigirá formação adequada dos profissionais e materiais pedagógicos compatíveis com cada faixa etária. O trabalho deverá envolver as famílias e respeitar as atribuições das áreas de educação, assistência social e segurança pública.
O enfrentamento ao feminicídio não depende apenas da criação de novas estruturas. O Tocantins precisará garantir profissionais, atendimento permanente, abrigos seguros, transporte para vítimas, investigação rápida, fiscalização das medidas protetivas e proteção às mulheres que decidem denunciar.
Ao colocar a prevenção no centro do debate, Laurez tenta diferenciar sua proposta de uma política de segurança baseada apenas em prisões depois dos crimes. Para ele, um governo eficiente deve ser medido também pela capacidade de identificar o risco e evitar que uma mulher seja assassinada.
A mensagem apresentada pelo pré-candidato é direta: o Estado não pode aparecer apenas depois da tragédia. Precisa chegar antes, proteger a vítima, interromper o ciclo de violência e impedir que mais famílias sejam destruídas pelo feminicídio.