Nem a Lua quase cheia apagou o espetáculo de meteoros que cruzou o céu

Nem a Lua quase cheia apagou o espetáculo de meteoros que cruzou o céu
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 4 de agosto de 2026 1

Pico das Delta Aquáridas do Sul registra cerca de 20 meteoros por hora na madrugada de 31 de julho, apesar da luminosidade lunar e da presença de nuvens

A Lua iluminava quase todo o céu e as nuvens limitavam parte da observação. Mesmo assim, cerca de 20 meteoros por hora cruzaram a atmosfera durante a madrugada de 31 de julho, no pico da chuva Delta Aquáridas do Sul, identificada internacionalmente pela sigla SDA.

O resultado chama atenção porque a luminosidade da Lua costuma reduzir a visibilidade dos meteoros mais fracos. Em 2026, o pico das Delta Aquáridas ocorre apenas dois dias depois da Lua cheia. Na madrugada de 30 para 31 de julho, o satélite natural apresenta aproximadamente 98% de iluminação, condição considerada desfavorável pela American Meteor Society.

Ainda assim, os intervalos de céu aberto permitem o registro dos rastros luminosos. A marca de aproximadamente 20 meteoros por hora se aproxima da taxa horária zenital prevista para a chuva, que pode alcançar 25 meteoros em condições ideais, com céu escuro, sem nuvens, sem interferência luminosa e com o radiante no ponto mais alto. American Meteor Society

Por que o resultado chama atenção

A quantidade anunciada não significa, necessariamente, que uma única pessoa consiga enxergar um meteoro a cada três minutos. A taxa horária varia conforme o local, a quantidade de luz artificial, a presença de nuvens, o campo de visão e o tempo necessário para que os olhos se adaptem à escuridão.

No caso das Delta Aquáridas, a dificuldade aumenta porque a chuva produz, em geral, meteoros menos brilhantes. A própria Nasa alerta que a claridade da Lua interfere na observação desse fenômeno. Por isso, a identificação de aproximadamente 20 ocorrências por hora, mesmo sob nuvens e forte luminosidade lunar, indica uma madrugada de atividade relevante. Nasa

Em Goiânia, a Lua cheia ocorre em 29 de julho, às 11h35. Isso significa que, na madrugada do pico, o céu ainda recebe intensa iluminação lunar. Calendário lunar de Goiânia

O que são as Delta Aquáridas do Sul

As Delta Aquáridas do Sul recebem esse nome porque os meteoros parecem surgir de uma região próxima à constelação de Aquário. Esse ponto aparente de origem é chamado de radiante.

A constelação não produz os meteoros. O efeito ocorre porque a Terra atravessa uma faixa de partículas deixadas no espaço por um corpo celeste. Quando esses fragmentos entram na atmosfera em alta velocidade, o contato com o ar aquece o material e produz os riscos luminosos observados no céu.

A origem das Delta Aquáridas ainda não é considerada completamente definida. O principal candidato é o cometa 96P/Machholz, que completa uma volta ao redor do Sol aproximadamente a cada seis anos.

Os meteoros dessa chuva entram na atmosfera a cerca de 41 quilômetros por segundo. Muitos dos fragmentos possuem dimensões comparáveis às de grãos de areia e desaparecem na atmosfera antes de alcançar o solo.

Hemisfério Sul tem posição privilegiada

As Delta Aquáridas favorecem os observadores localizados no Hemisfério Sul e nas regiões tropicais. Nesses locais, o radiante alcança uma posição mais alta no céu, o que aumenta a quantidade de meteoros visíveis.

A chuva permanece ativa entre 12 de julho e 23 de agosto de 2026, embora a maior concentração ocorra nas noites próximas ao pico de 30 e 31 de julho. A atividade diminui gradualmente ao longo de agosto.

O fenômeno também coincide com outras duas chuvas de meteoros. As Alfa Capricornídeas atingem o pico no mesmo período e costumam produzir meteoros mais lentos e luminosos. Já as Perseidas aumentam de intensidade à medida que se aproximam do pico, previsto para a madrugada de 12 para 13 de agosto.

Próximo espetáculo terá céu mais escuro

Quem não acompanha o pico das Delta Aquáridas encontra condições melhores durante as Perseidas. A próxima chuva alcança o máximo na noite de 12 para 13 de agosto, justamente durante a Lua nova. Com o céu mais escuro, meteoros de menor brilho poderão ser identificados com mais facilidade.

Para acompanhar o fenômeno, não é necessário utilizar telescópio. A observação funciona melhor em áreas afastadas da iluminação urbana, com visão ampla do céu. O ideal é evitar celulares e outras fontes de luz durante cerca de 20 minutos, período necessário para a adaptação dos olhos à escuridão.

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