Cotado para vice de Dorinha, Coronel Barbosa admite aceitar “outra missão”

Cotado para vice de Dorinha, Coronel Barbosa admite aceitar “outra missão”
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 4 de agosto de 2026 1

Ao Diário Tocantinense, ex-comandante da PM afirma que mantém o projeto para a Câmara dos Deputados, mas pode mudar de caminho após decisão do grupo liderado por Wanderlei Barbosa

Cotado para ocupar a vaga de vice-governador na chapa da senadora Professora Dorinha (União Brasil), o coronel Márcio Antônio Barbosa de Mendonça admite que pode deixar a disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados para integrar o projeto estadual. Em entrevista exclusiva ao Diário Tocantinense nesta terça-feira (4), ele afirma que continua dedicado à pré-candidatura a deputado federal, mas se coloca à disposição para assumir “outra missão” caso exista uma decisão coletiva.

A declaração ocorre na véspera da convenção que deve homologar Dorinha como candidata ao Governo do Tocantins. O encontro está marcado para esta quarta-feira (5), às 16h, no Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas. A escolha do vice permanece como um dos pontos ainda não anunciados pela aliança.

Márcio Antônio evita confirmar o recebimento de um convite formal, mas sinaliza que aceitaria discutir a mudança de projeto. A decisão, segundo ele, precisa considerar a estratégia do grupo político e a continuidade da administração comandada pelo governador Wanderlei Barbosa.

O projeto político atual, explica, permanece direcionado à Câmara dos Deputados. “Sempre fui um homem de grupo e nunca coloquei projetos pessoais acima do interesse coletivo”, afirma.

O coronel acrescenta que aceitará avaliar outra função se houver consenso entre as lideranças. “Se, no momento oportuno, houver o entendimento de que posso contribuir em outra missão, estarei à disposição.”

Decisão coletiva pode mudar projeto federal

A eventual escolha de Márcio Antônio como vice exige que ele abandone a candidatura proporcional à Câmara. Questionado diretamente sobre essa possibilidade, o ex-comandante da Polícia Militar condiciona a decisão ao governador Wanderlei Barbosa, a Dorinha e às demais lideranças da aliança.

“Essa decisão será tomada em conjunto, com diálogo, responsabilidade e espírito público. O que será determinante é aquilo que for melhor para o Tocantins, para o fortalecimento do grupo e para a continuidade de um projeto de desenvolvimento”, declara.

A manifestação representa um passo além das articulações de bastidor. Até agora, o nome do coronel aparecia em análises políticas e manifestações de apoiadores. Em 31 de julho, a Associação dos Militares da Reserva e Seus Pensionistas divulgou apoio à indicação dele para a vice-governadoria.

Márcio Antônio também figura entre os nomes analisados pelo núcleo político de Dorinha e Wanderlei. Outro cotado é o ex-secretário estadual da Juventude e Esportes Atos Gomes. A definição deve ser apresentada até a convenção desta quarta-feira.

Experiência na PM entra no cálculo político

Márcio Antônio constrói sua possível participação na chapa a partir da experiência na segurança pública. Natural de Goiânia, ele concluiu a formação de oficial na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais em 2001 e ingressou no quadro operacional da PM do Tocantins.

Ao longo da carreira, exerceu funções administrativas e operacionais antes de chegar ao Comando-Geral. O coronel assumiu o comando da PMTO em agosto de 2022 e permaneceu na função até 31 de março de 2026.

Na ocasião, transmitiu o cargo ao coronel Cláudio Thomaz Coêlho de Souza para se dedicar ao projeto eleitoral.

Ao Diário Tocantinense, ele relaciona a formação militar a princípios que pretende levar para a administração estadual: planejamento, disciplina, responsabilidade, trabalho coletivo e cobrança de resultados.

Na segurança pública, defende integração entre as forças, investimento em inteligência, valorização dos profissionais e políticas de prevenção. O ex-comandante, entretanto, amplia o conceito de segurança para áreas que ultrapassam a atuação policial.

“Segurança pública passa por educação, inclusão social, geração de oportunidades e fortalecimento das instituições”, afirma.

Conservadorismo com tentativa de ampliar alcance

Identificado com o eleitorado conservador, Márcio Antônio sustenta pautas relacionadas à liberdade, ao respeito às leis, à responsabilidade e ao fortalecimento institucional.

Em junho, ele apareceu em um vídeo ao lado do senador Flávio Bolsonaro, no qual os dois trataram de segurança pública, combate às organizações criminosas e mudanças na legislação penal.

Apesar desse posicionamento, o coronel afirma que pretende ampliar o discurso para além do segmento conservador. Segundo ele, o objetivo é representar os tocantinenses interessados em segurança, justiça social e geração de oportunidades.

“O eleitor conservador terá papel importante nas eleições de 2026, mas, acima de tudo, pretendo representar todos os tocantinenses. O diálogo deve estar acima das diferenças”, diz.

A escolha de um nome ligado à segurança pode oferecer à chapa de Dorinha uma ponte com o eleitorado conservador e com os profissionais das forças de segurança. Também manteria a indicação de vice dentro do grupo do governador Wanderlei Barbosa, ao qual o coronel declara alinhamento.

Coronel destaca experiência de Dorinha

Ao avaliar a candidatura de Professora Dorinha, Márcio Antônio cita a experiência da senadora, a presença nos 139 municípios e a articulação com prefeitos, vereadores e lideranças regionais.

“É uma liderança preparada, experiente e que conhece as necessidades do Tocantins. Vejo sua pré-candidatura como um projeto consistente, que reúne competência técnica, sensibilidade e compromisso com o desenvolvimento do Estado”, declara.

Dorinha exerce mandato no Senado desde 2023, após três legislaturas consecutivas na Câmara dos Deputados. A candidatura ao governo recebe o apoio de Wanderlei Barbosa e de partidos que integram a aliança estadual, entre eles o Republicanos e o Podemos.

Cenário nacional influencia, mas não decide disputa local

Na entrevista, Márcio Antônio também comenta o papel do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições de 2026. O coronel participou, no sábado (1º), da convenção do Republicanos que homologou Tarcísio para a reeleição e reuniu lideranças nacionais do campo conservador.

Para Márcio Antônio, Tarcísio deve manter participação no debate nacional pela gestão em São Paulo. Ele evita, contudo, associar automaticamente o cenário presidencial ao resultado da eleição tocantinense.

“As eleições nacionais sempre influenciam o ambiente político dos estados, especialmente na formação de alianças e no debate público. Porém, o eleitor tocantinense também avaliará a capacidade de gestão, as propostas e o compromisso de cada candidato”, afirma.

Na avaliação do coronel, saúde, segurança pública, infraestrutura, emprego e desenvolvimento regional terão peso próprio na decisão do eleitor. A definição sobre seu lugar na eleição — Câmara dos Deputados ou vice-governadoria — deve ocorrer nas próximas horas.

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