Declarações de bens dos candidatos a vice chamam atenção no Tocantins; erro de digitação fez patrimônio de Lúcia Viana saltar de R$ 2 milhões para R$ 2 bilhões
As declarações de patrimônio apresentadas pelos candidatos a vice-governador do Tocantins à Justiça Eleitoral revelam diferenças milionárias entre os integrantes das chapas que disputam o Palácio Araguaia em 2026. Há candidato com mais de R$ 14 milhões em bens, nomes que informaram não possuir patrimônio a declarar e um caso que chamou atenção nacionalmente após um erro no preenchimento fazer aproximadamente R$ 2 milhões aparecerem no sistema como mais de R$ 2 bilhões.
Conforme levantamento apurado pelo Diário Tocantinense a partir das informações eleitorais disponíveis nesta terça-feira, 11 de agosto, o maior patrimônio entre os candidatos a vice já divulgados é o de Amélio Cayres (MDB), integrante da chapa de Vicentinho Júnior. Ele declarou cerca de R$ 14,46 milhões em bens à Justiça Eleitoral. A base que reproduz os dados do TSE registra o candidato com patrimônio de aproximadamente R$ 14,5 milhões e pedido de candidatura ainda em análise.
A relação apresentada inclui imóveis, veículos e equipamentos. O valor coloca Amélio bem acima dos demais candidatos a vice cujas declarações já estavam disponíveis no levantamento consultado pelo DT.
Na chapa encabeçada por Laurez Moreira (PSD), o candidato a vice, coronel Silva Neto, informou patrimônio de R$ 839.757,37. Entre os bens declarados aparecem imóveis e terrenos. Silva Neto é ex-comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins e foi escolhido para compor a chapa de Laurez na disputa estadual.
Mas foi a declaração da candidata a vice Lúcia Viana (PSOL), integrante da chapa de Witer Naves, que provocou maior repercussão.
Nos primeiros dados inseridos no sistema eleitoral, o patrimônio total de Lúcia apareceu como R$ 2.075.000.000, ou seja, aproximadamente R$ 2,075 bilhões. O número imediatamente chamou atenção por colocar a candidata entre os maiores patrimônios apresentados na disputa eleitoral.
O valor, no entanto, estava errado.
Nesta terça-feira, a candidatura divulgou esclarecimento informando que houve um erro formal de digitação durante o preenchimento da declaração patrimonial. Segundo a assessoria, o patrimônio correto de Lúcia Viana é de aproximadamente R$ 2,07 milhões, e não R$ 2,07 bilhões.
A diferença provocada pelo erro supera R$ 2 bilhões.
Entre as inconsistências identificadas nos valores inicialmente lançados estavam veículos registrados por cifras incompatíveis com seu valor real. Em um dos exemplos divulgados, um veículo que deveria aparecer na casa dos milhares foi inserido na casa dos milhões. Outro levantamento apontou uma Fiat Strada 2007 registrada inicialmente por R$ 15 milhões.
A assessoria da candidata informou que as equipes jurídica e contábil já solicitaram à Justiça Eleitoral a retificação da declaração, para que os números corretos substituam as informações inseridas originalmente no sistema.
Em nota, a candidatura afirmou que a inconsistência ocorreu exclusivamente durante a digitação e que não houve intenção de esconder patrimônio ou fornecer informação incorreta à Justiça Eleitoral.
“Trata-se de um erro formal de digitação, plenamente verificável e passível de correção, que não modifica a realidade patrimonial da candidata nem compromete a regularidade de seu pedido de registro de candidatura”, informou a nota divulgada pela equipe de Lúcia Viana.
O episódio chama atenção também porque os dados patrimoniais apresentados pelos candidatos são públicos e fazem parte das informações que ficam disponíveis aos eleitores durante o processo eleitoral.
A declaração de bens é apresentada pelo próprio candidato no momento do pedido de registro da candidatura. Nela devem constar imóveis, veículos, aplicações financeiras, participações empresariais e outros bens e direitos declarados, conforme as regras eleitorais.
O erro na declaração de Lúcia, portanto, não significa que a candidata possua patrimônio bilionário. Até a atualização apurada pelo Diário Tocantinense, sua equipe sustentava que o montante correto está na faixa de R$ 2,07 milhões e que a correção já havia sido formalmente solicitada.
Na chapa de Professora Dorinha (União Brasil), o candidato a vice Atos Gomes (Republicanos) informou não possuir bens a declarar nos dados eleitorais divulgados até o momento.
A informação cria um contraste significativo dentro da própria chapa. Enquanto Dorinha declarou patrimônio superior a R$ 2,35 milhões, conforme dados já levantados pelo DT, Atos aparece sem patrimônio declarado na candidatura a vice.
Outro nome que aparece sem bens declarados é Jair Medeiros, candidato a vice na chapa do Democracia Cristã. Nas informações divulgadas até a consulta feita pelo DT, ele também não havia apresentado patrimônio a declarar.
Já o Partido Novo confirmou Rosileia Dias Carneiro como candidata a vice na chapa encabeçada por Ataídes Oliveira. A subtenente da Polícia Militar tem 22 anos de atuação na corporação e estreia em uma disputa por cargo eletivo.
No levantamento patrimonial divulgado inicialmente na noite de segunda-feira, 10, os dados de Rosileia ainda não apareciam no sistema consultado. Por se tratar de período de registro das candidaturas, as informações podem ser atualizadas à medida que os pedidos e documentos são processados pela Justiça Eleitoral.
O retrato disponível até agora mostra extremos entre aqueles que pretendem ocupar a Vice-Governadoria do Tocantins.
De um lado está Amélio Cayres, com aproximadamente R$ 14,46 milhões declarados. Na sequência, após a correção anunciada, Lúcia Viana deverá aparecer com patrimônio próximo de R$ 2,07 milhões. Silva Neto informou aproximadamente R$ 839,7 mil, enquanto Atos Gomes e Jair Medeiros aparecem sem bens declarados.
É importante destacar que possuir patrimônio maior ou menor não constitui, isoladamente, qualquer irregularidade eleitoral. Da mesma forma, declarar não possuir bens não representa impedimento à candidatura. As informações patrimoniais têm função de transparência e permitem que a sociedade acompanhe a evolução dos bens daqueles que concorrem a cargos públicos.
No caso de Lúcia Viana, entretanto, a diferença entre milhões e bilhões transformou um erro de preenchimento em um dos dados mais curiosos dos primeiros registros eleitorais do Tocantins em 2026.
Se permanecesse sem correção, o valor de R$ 2,075 bilhões colocaria a candidata em uma realidade patrimonial completamente diferente daquela informada por sua própria equipe. Com a retificação solicitada, o número deve cair para aproximadamente R$ 2,07 milhões.
O Diário Tocantinense continuará acompanhando as atualizações da Justiça Eleitoral, já que os registros e declarações podem receber ajustes durante a análise das candidaturas.
Por enquanto, os números mostram que a corrida pelo segundo cargo mais importante do Executivo estadual começa também com um retrato bastante diverso do patrimônio de seus candidatos — indo de nenhum bem declarado a mais de R$ 14 milhões, além de um erro de digitação que, por algumas horas, transformou milhões em bilhões.