Eclipse total do Sol movimenta o céu nesta quarta; Tocantins fica fora da faixa, mas noite reserva outro espetáculo astronômico
O céu promete uma sequência de fenômenos astronômicos nesta quarta-feira (12). Um eclipse total do Sol poderá ser acompanhado em diferentes pontos do Hemisfério Norte, enquanto uma chamada “parada planetária” e o pico da chuva de meteoros Perseidas também movimentam uma das semanas mais aguardadas do ano pelos apaixonados por astronomia.
No Tocantins, porém, o eclipse solar não será visível. Moradores de Palmas, Araguaína, Gurupi, Colinas do Tocantins e dos demais municípios tocantinenses não conseguirão acompanhar nem mesmo a fase parcial do fenômeno diretamente no céu. O Brasil está fora da área de visibilidade do eclipse desta quarta-feira.
Segundo a NASA, a faixa de totalidade passará por regiões do norte da Rússia, Groenlândia, Islândia, Oceano Atlântico, Espanha e uma pequena área de Portugal. Em outros pontos do Hemisfério Norte, incluindo grande parte da Europa, Canadá, regiões dos Estados Unidos e o noroeste da África, o eclipse poderá ser observado parcialmente.
O fenômeno acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol. Para os observadores localizados exatamente dentro da faixa de totalidade, o disco solar fica completamente encoberto durante alguns minutos, permitindo inclusive a observação da coroa solar.
De acordo com os cálculos astronômicos da NASA, o eclipse de 12 de agosto terá duração máxima de totalidade de aproximadamente 2 minutos e 18 segundos. O máximo global ocorrerá por volta das 14h47, no horário de Brasília.
Apesar de o fenômeno não alcançar o território brasileiro, os tocantinenses poderão acompanhar tudo pela internet. A própria NASA anunciou uma transmissão especial com imagens captadas em diferentes pontos da faixa do eclipse e participação de especialistas.
Em entrevista ao Diário Tocantinense, o Prof. Dr. Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário, explicou que a transmissão pela internet será justamente a principal alternativa para quem estiver no Brasil.
“No Brasil, o eclipse não será visível diretamente, mas poderá ser acompanhado pela internet, principalmente por transmissões ao vivo no YouTube”, afirmou Marcos Calil ao Diário Tocantinense. A ausência do eclipse no céu brasileiro, entretanto, não significa uma semana sem atrações astronômicas. A madrugada desta quarta-feira também chama atenção por uma concentração aparente de planetas no céu.
Por volta de 12 de agosto, Júpiter, Mercúrio, Marte, Urano, Saturno e Netuno aparecem distribuídos pela região da eclíptica antes do nascer do Sol, fenômeno popularmente chamado de “alinhamento planetário” ou “parada de planetas”.
A NASA explica que esse tipo de alinhamento não significa que todos os planetas estejam formando uma linha reta perfeita no espaço. O efeito ocorre porque as órbitas dos planetas estão distribuídas aproximadamente no mesmo plano do Sistema Solar, fazendo com que, vistos da Terra, apareçam ao longo de uma mesma faixa no céu, conhecida como eclíptica.
Dos planetas envolvidos, Mercúrio, Júpiter, Marte e Saturno podem ser observados sem equipamentos quando as condições de luminosidade, horizonte e tempo são favoráveis. Urano é muito mais difícil de identificar sem auxílio óptico e Netuno exige o uso de equipamento apropriado. A própria NASA destaca que cinco planetas — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno — estão entre aqueles que podem ser vistos a olho nu em condições adequadas.
No Tocantins, quem pretende tentar observar os planetas deve procurar um local com pouca iluminação artificial e visão livre do horizonte antes do nascer do Sol. A condição do tempo e a posição de cada astro no horizonte também interferem diretamente na observação. E o espetáculo astronômico não termina aí.
Na noite de quarta-feira (12) para a madrugada de quinta-feira (13), ocorre também o pico da chuva de meteoros Perseidas, considerada uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do calendário astronômico.
Segundo a NASA, as Perseidas atingem o pico justamente entre os dias 12 e 13 de agosto. Em 2026, o período coincide com a Lua Nova, proporcionando um céu naturalmente mais escuro e condições especialmente favoráveis para a observação dos meteoros em locais sem poluição luminosa.
As Perseidas acontecem quando a Terra atravessa uma região do espaço com pequenos fragmentos deixados pelo cometa Swift-Tuttle. Ao entrarem em alta velocidade na atmosfera terrestre, essas partículas produzem os riscos luminosos conhecidos popularmente como “estrelas cadentes”.
A orientação da NASA é procurar um local escuro e aberto, distante das luzes urbanas, e permitir que os olhos se adaptem à escuridão por aproximadamente 30 minutos. O radiante das Perseidas fica na direção da constelação de Perseu, embora os meteoros possam surgir em diferentes pontos do céu.
Agosto ainda reserva outros acontecimentos. Entre os dias 14 e 16, Vênus alcança sua maior elongação oriental e ficará em destaque no céu após o pôr do sol. Já entre os dias 27 e 28, um eclipse lunar parcial poderá ser observado em grande parte das Américas, incluindo áreas da América do Sul.
Diferentemente do eclipse solar desta quarta-feira, o eclipse lunar do fim do mês terá visibilidade muito mais favorável para observadores desta parte do planeta e não exige equipamentos especiais para proteção dos olhos.
Para quem estiver nas regiões do planeta onde o eclipse solar desta quarta-feira será visível, os cuidados são indispensáveis. Óculos de sol comuns não oferecem proteção adequada. A observação direta das fases parciais exige óculos próprios para eclipses ou visualizadores solares certificados. Câmeras, telescópios e binóculos também não devem ser apontados para o Sol sem filtros solares apropriados instalados na parte frontal dos equipamentos.
Assim, embora o Tocantins fique fora da rota do eclipse total do Sol, os próximos dias continuam recheados de atrações para quem gosta de olhar para o céu: planetas antes do amanhecer, meteoros durante a madrugada e novos fenômenos previstos para o restante de agosto.