Legendários avança no Tocantins, mas Presbiteriana desaconselha participação; entenda a divergência

Legendários avança no Tocantins, mas Presbiteriana desaconselha participação; entenda a divergência
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 12 de agosto de 2026 0

O movimento Legendários realiza entre esta quinta-feira, 13, e domingo, 16 de agosto, mais uma edição do TOP (Track Outdoor de Potencial) no Tocantins. Enquanto amplia sua presença no Estado e destaca projetos humanitários desenvolvidos no Brasil, na Venezuela e em países da África, o movimento também está no centro de uma discussão religiosa que chegou à instância máxima da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que decidiu desaconselhar seus membros a participarem das atividades do grupo.

A apuração do Diário Tocantinense mostra que o debate ganhou força justamente a partir do Tocantins, onde integrantes da Igreja Presbiteriana levantaram questionamentos sobre a metodologia utilizada pelo movimento e solicitaram uma avaliação formal da denominação sobre a participação de seus membros nas experiências promovidas pelos Legendários.

Entre os dias 13 e 16 de agosto, homens de diferentes idades e profissões participarão de uma nova edição do TOP, experiência realizada em meio à natureza que combina desafios físicos, trabalho em equipe e momentos de reflexão sobre propósito, liderança, comportamento, família e relacionamentos.

Segundo informações encaminhadas ao Diário Tocantinense, a realização de mais uma edição no Estado reforça o crescimento do movimento no Tocantins, que vem reunindo participantes de diferentes cidades em experiências voltadas ao desenvolvimento integral do homem.

O Legendários informa estar presente em 24 países e reunir mais de 220 mil participantes ao redor do mundo. A metodologia utiliza atividades práticas para estimular competências como inteligência emocional, disciplina, persistência, cooperação e responsabilidade individual.

“A proposta vai além da superação física. As experiências permitem que cada participante reflita sobre seus comportamentos, reconheça oportunidades de crescimento e fortaleça valores que impactam todas as áreas da vida”, afirma Chepe Putzu, fundador do movimento.

Além das experiências de desenvolvimento pessoal, o Legendários mantém iniciativas sociais e humanitárias. Entre elas está o Águafrica, projeto voltado à construção de poços artesianos em comunidades de Angola e Guiné-Bissau, ampliando o acesso à água potável em regiões afetadas pela escassez hídrica.

De acordo com informações apresentadas pelo movimento, essas ações já beneficiam mais de 60 mil pessoas no continente africano.

No Brasil, o grupo também relata mobilizações emergenciais. Na última semana, cerca de 200 voluntários participaram de uma força-tarefa para auxiliar comunidades atingidas por temporais em Ribeirão Preto e Guariba, no interior de São Paulo.

O movimento também afirma ter atuado em uma grande operação humanitária após terremotos na Venezuela. Segundo os dados apresentados, apenas 12 horas após o desastre uma primeira equipe já estava em campo. A mobilização teria reunido mais de 1,3 mil voluntários de quatro países, além de viabilizar o envio de aproximadamente 20 toneladas de alimentos, água, medicamentos e outros suprimentos.

Apesar da expansão e das ações humanitárias apresentadas pelo movimento, a participação de membros da Igreja Presbiteriana do Brasil nos Legendários passou a ser objeto de discussão interna.

Conforme apuração do Diário Tocantinense, o assunto chegou ao Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil após questionamentos envolvendo a compatibilidade entre determinadas práticas utilizadas nas imersões e a tradição doutrinária e eclesiástica da denominação.

A Igreja Presbiteriana decidiu desaconselhar a participação de seus membros nas atividades do Legendários. A orientação alcança pastores, presbíteros, diáconos e demais integrantes da denominação.

Entre os pontos analisados estão a intensidade física e emocional das experiências, a dinâmica exclusiva para homens, aspectos de confidencialidade envolvendo determinadas etapas e o uso de metodologias consideradas pela análise presbiteriana como próximas de práticas motivacionais e de desenvolvimento pessoal.

A preocupação da denominação também envolve a possibilidade de que experiências vivenciadas fora da estrutura tradicional da igreja passem a exercer influência sobre a vida das congregações locais ou sejam incorporadas por participantes como referência espiritual paralela à estrutura eclesiástica presbiteriana.

A apuração do DT aponta, porém, que a decisão não deve ser interpretada como uma condenação às ações sociais ou humanitárias desenvolvidas pelos Legendários. O centro da divergência está principalmente na metodologia das experiências e na compatibilidade dessas práticas com a tradição reformada seguida pela Igreja Presbiteriana.

O posicionamento também não significa, de forma automática, que todo membro que participe do movimento será submetido a punição. A discussão interna da denominação considera a conduta do integrante e os eventuais reflexos de sua participação dentro da igreja local.

Por sua vez, o Legendários tem sustentado respeito às diferentes denominações cristãs e às decisões internas de cada igreja. O movimento apresenta como pilares de sua atuação o desenvolvimento pessoal, o fortalecimento de valores cristãos, a responsabilidade familiar e a transformação dessas experiências em ações práticas de ajuda humanitária.

Assim, enquanto uma nova edição do TOP começa no Tocantins nesta quinta-feira, 13, o movimento vive dois cenários simultâneos no Estado: amplia o número de participantes e suas iniciativas sociais, ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos de uma das mais tradicionais denominações protestantes do país.

A apuração do Diário Tocantinense mostra que a divergência não está concentrada no trabalho humanitário realizado pelo Legendários, mas na forma como as experiências são conduzidas e na interpretação que a Igreja Presbiteriana faz de seus possíveis impactos espirituais e eclesiásticos.

No Tocantins, onde o movimento segue crescendo e onde parte importante dessa discussão começou, o assunto coloca frente a frente duas visões: a dos participantes que enxergam nas experiências uma ferramenta de transformação pessoal, familiar e espiritual, e a de uma denominação que entende ser necessário estabelecer limites para preservar sua doutrina, sua organização e sua tradição reformada.

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