Mercados em alerta: petróleo acima de US$ 90 derruba bolsas pelo mundo e investidores aguardam abertura do Ibovespa nesta terça

Mercados em alerta: petróleo acima de US$ 90 derruba bolsas pelo mundo e investidores aguardam abertura do Ibovespa nesta terça
Painel de câmbio acompanha oscilações do dólar, euro e iene em meio às incertezas do mercado internacional e aos impactos sobre a economia brasileira.
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 18 de agosto de 2026 5

Os mercados financeiros atravessam uma terça-feira (18) de forte cautela em diferentes partes do mundo. O petróleo Brent, principal referência internacional, voltou a superar com folga a marca dos US$ 90 por barril e chegou a atingir US$ 91,84 durante a sessão. O movimento ocorre em meio ao aumento das incertezas geopolíticas e aos riscos envolvendo o fluxo internacional de petróleo, aumentando a preocupação dos investidores com inflação, juros e crescimento econômico.

Levantamento realizado pelo Diário Tocantinense (DT) nesta terça-feira mostra que a pressão provocada pela alta do petróleo já alcança diferentes mercados. Bolsas da Ásia e da Europa registraram perdas, enquanto os índices futuros e o mercado acionário dos Estados Unidos também operaram sob pressão. Ao mesmo tempo, os juros dos títulos públicos de longo prazo avançaram em importantes economias.

O petróleo Brent permaneceu negociado acima dos US$ 91 por barril durante parte do pregão, enquanto o WTI, referência norte-americana, ficou na casa dos US$ 85. O avanço da commodity aumenta os custos de transporte, produção e energia em diversas partes do mundo e reacende um temor conhecido dos investidores: uma nova pressão inflacionária em um momento em que os principais bancos centrais ainda acompanham atentamente o comportamento dos preços.

Na Ásia, o clima de aversão ao risco provocou perdas relevantes. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, chegou a cair cerca de 2,5%, em meio às preocupações com os custos de energia e a elevação dos juros. Outros mercados da região também acompanharam o ambiente de maior cautela.

Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 operou em queda de aproximadamente 0,5%, com empresas de tecnologia entre as mais pressionadas. Na direção oposta, companhias ligadas ao segmento de petróleo e energia encontraram algum suporte justamente na valorização da commodity.

Nos Estados Unidos, Wall Street também sentiu o aumento da tensão nos mercados. O S&P 500 operou em baixa, enquanto o Nasdaq registrou perdas mais acentuadas, refletindo principalmente a pressão sobre ações de tecnologia. Empresas desse segmento costumam sofrer mais quando os juros de longo prazo avançam, porque o aumento das taxas reduz o valor presente dos lucros projetados para os próximos anos.

Outro sinal observado pelo levantamento do DT vem do mercado de títulos norte-americanos. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo subiram, aumentando ainda mais a atenção dos investidores. O movimento é acompanhado de perto porque juros elevados nos Estados Unidos podem fortalecer o dólar, provocar retirada de recursos de mercados emergentes e aumentar a pressão sobre bolsas de países como o Brasil.

Especialistas do mercado internacional avaliam que a combinação entre petróleo caro, tensão geopolítica e juros elevados cria um ambiente de maior volatilidade. Vasu Menon, estrategista de investimentos da OCBC, destacou que o avanço das taxas dos títulos de longo prazo norte-americanos passou a representar um risco adicional para os investidores e reforça a busca por posições mais defensivas.

O estrategista Gordon Kerr, da KBRA, também chama atenção para o impacto do mercado de energia sobre a Europa. Além do petróleo, investidores acompanham os preços do gás natural e os estoques do continente, especialmente diante da possibilidade de manutenção das tensões internacionais nos próximos meses.

No Brasil, porém, o cenário apresenta uma particularidade. Apesar das perdas registradas nas principais bolsas internacionais, o Ibovespa tenta reagir nesta terça-feira. O principal índice da Bolsa brasileira chegou a abrir em alta de aproximadamente 0,78%, na região dos 168 mil pontos, mas reduziu o ritmo de valorização ao longo do pregão.

O movimento acontece após uma sequência bastante negativa para o mercado brasileiro. Antes da sessão desta terça, o Ibovespa acumulava dez pregões consecutivos de queda, com perda próxima de 7% no período. Por isso, investidores acompanham o pregão para saber se a Bolsa conseguirá finalmente interromper a série negativa.

A alta do petróleo, embora seja motivo de preocupação para a economia mundial, pode beneficiar algumas das empresas de maior peso do Ibovespa. A Petrobras, por exemplo, tende a encontrar suporte quando o preço internacional do barril avança, ajudando a compensar parcialmente as perdas de outros setores da Bolsa.

Para o investidor brasileiro, o cenário desta terça-feira exige atenção redobrada. De um lado, o petróleo acima de US$ 90 favorece companhias exportadoras e ligadas ao setor de energia. Do outro, aumenta a preocupação com inflação, juros internacionais, dólar e atividade econômica.

O levantamento do Diário Tocantinense mostra, portanto, um mercado dividido: enquanto investidores internacionais reduzem exposição ao risco diante do encarecimento da energia e da alta dos juros, o Ibovespa tenta encontrar espaço para uma recuperação depois de uma longa sequência de perdas. O comportamento do petróleo e os próximos sinais vindos dos Estados Unidos devem continuar no centro das atenções ao longo desta terça-feira.

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