Dorinha mostra força mesmo com proporcionais ainda soltos; desafio agora passa também pelo grupo de Wanderlei
A campanha pelo Governo do Tocantins começa a mostrar uma diferença importante entre força política, organização e capacidade de transformar apoio em voto. Professora Dorinha aparece neste momento com uma das estruturas mais robustas da disputa, uma majoritária forte, presença constante no interior e apoio declarado do governador Wanderlei Barbosa. Ainda assim, parte dos candidatos proporcionais e de lideranças ligadas ao grupo governista parece não acompanhar a candidatura majoritária com a mesma intensidade.
Dorinha tem feito a parte dela. A candidata percorre municípios, participa de reuniões, coloca a campanha na estrada e divide agendas com Wanderlei, o vice Atos Gomes e os candidatos ao Senado Eduardo Gomes e Carlos Gaguim. É uma majoritária que já demonstra capacidade de produzir agenda própria, mobilizar lideranças e ocupar diferentes regiões do Estado.
O problema é que essa mesma intensidade ainda não aparece de maneira uniforme entre os proporcionais. Existem candidatos a deputado estadual e federal que mantêm campanhas muito concentradas em si mesmos, com adesivaços, reuniões, materiais e publicações voltadas quase exclusivamente para o próprio número, enquanto a chapa de Governo e Senado aparece pouco.
Nomes como Lucas Campelo, Luana Nunes, Cláudia Lelis e outros candidatos com estrutura própria, bases municipais e capacidade de mobilização podem contribuir muito mais para ampliar a presença da majoritária. Isso não significa falta de apoio político, mas mostra que existe diferença entre declarar apoio e realmente encabeçar o pedido de voto para a chapa completa.
Sandoval Cardoso, por exemplo, aparece em movimentos nos quais a vinculação com a majoritária se torna mais visível. O desafio agora é fazer com que esse comportamento deixe de ser pontual e passe a representar uma orientação de toda a base.
Dorinha possui uma vantagem importante justamente porque consegue demonstrar força mesmo sem ter toda essa estrutura trabalhando no máximo. A candidatura consegue chegar aos municípios, reunir aliados e manter presença estadual mesmo quando alguns proporcionais ainda desenvolvem campanhas muito individualizadas.
Vicentinho Júnior vive uma realidade diferente. Ele já possui um grupo político definido e vem buscando alinhar cada vez mais sua candidatura ao Governo com o vice, os proporcionais e as lideranças municipais. Em determinadas regiões, essa integração já aparece com mais clareza, com candidatos locais organizando reuniões e colocando a majoritária dentro do mesmo pedido de voto.
Esse alinhamento é um mérito da campanha de Vicentinho, mas não significa que ele tenha hoje uma estrutura política maior do que Dorinha. O que existe é uma diferença de momento. Vicentinho tenta organizar e ampliar um grupo que já possui, enquanto Dorinha precisa fazer uma estrutura muito maior trabalhar de maneira mais sincronizada.
Vicentinho também possui setores ainda em processo de alinhamento, lideranças que precisam ser agregadas e municípios onde sua base ainda está sendo construída. Laurez Moreira e os demais candidatos vivem situação semelhante, com palanques municipais, apoios e candidaturas proporcionais ainda em fase de construção.
No caso de Dorinha, a responsabilidade de organizar essa engrenagem não passa apenas pelos proporcionais. Wanderlei Barbosa também ocupa posição central. Se o governador escolheu Dorinha como candidata para dar continuidade ao seu grupo político, precisa fazer com que lideranças ligadas ao seu primeiro e segundo escalões compreendam a importância dessa eleição.
Isso não significa misturar governo com campanha ou utilizar a estrutura pública eleitoralmente. A questão é política. Secretários, ex-secretários, dirigentes, presidentes de autarquias, lideranças regionais, prefeitos, vereadores e nomes que construíram espaço dentro do grupo de Wanderlei possuem influência e capacidade de articulação que podem ajudar a fortalecer a candidatura fora do exercício das funções institucionais e sempre dentro dos limites da legislação eleitoral.
Wanderlei precisa assumir também esse papel de articulador. Não basta estar pessoalmente na estrada se parte do grupo político que ajudou a construir continua distante da campanha. Primeiro e segundo escalões precisam ser politicamente chamados para o debate, assim como lideranças municipais precisam entender qual é o projeto que o governador decidiu defender para sua sucessão.
A mesma cobrança vale para os proporcionais. Uma majoritária forte ajuda candidatos a deputado a ganhar visibilidade, estrutura e espaço político. A reciprocidade precisa existir. Se Dorinha apresenta seus candidatos a deputado, esses candidatos também precisam levar Dorinha, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim para dentro de suas reuniões, adesivaços, materiais e conversas com o eleitor.
É justamente aí que está talvez a maior margem de crescimento da candidatura de Dorinha. Ela não precisa necessariamente encontrar uma nova estrutura. A estrutura já existe. Está nos proporcionais, nos prefeitos, nos vereadores, nas lideranças regionais e no grupo político de Wanderlei.
Vicentinho aparece mais alinhado em alguns movimentos e trabalha para ampliar seu grupo. Laurez e os demais seguem construindo suas estruturas. Dorinha, porém, parte de uma posição diferente: já possui tamanho, força política e capilaridade potencial. O desafio agora é fazer toda essa engrenagem funcionar na mesma direção.
Se Wanderlei conseguir organizar politicamente seu grupo, se primeiro e segundo escalões entrarem mais fortemente na articulação e se os proporcionais passarem a carregar a chapa majoritária com mais intensidade, Dorinha poderá transformar uma estrutura que já é forte em uma campanha ainda mais difícil de enfrentar nas próximas semanas por causa dos proporcionais que não entenderam o tamanho do projeto.