Alexandre comenta Quaest: candidato aparece com 8% para o Senado, chega a 4% na espontânea e diz não compreender resultado
O deputado federal e candidato ao Senado Alexandre Guimarães (MDB) comentou os números da pesquisa Quaest encomendada pela TV Anhanguera e afirmou não compreender o resultado apresentado pelo instituto. No cenário estimulado consolidado para as duas vagas em disputa, Alexandre aparece com 8% das intenções de voto. Já na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado, ele alcança 4% e aparece numericamente empatado com Eduardo Gomes, que também registra 4%.
A manifestação de Alexandre ocorreu depois da divulgação do levantamento na noite desta terça-feira, 25 de agosto. Em vídeo, o candidato disse não compreender os números apresentados pela Quaest diante do cenário que afirma encontrar durante a campanha e também considerando os resultados de outros levantamentos eleitorais divulgados no Tocantins.
Na pesquisa Quaest, Eduardo Gomes (PL) aparece com 14%, seguido por Carlos Gaguim (União Brasil), com 13%, Paulo Mourão (PT), com 9%, e Alexandre Guimarães (MDB), com 8%. A diferença nominal entre Alexandre e o primeiro colocado é de seis pontos percentuais.
Depois deles aparecem Ronaldo Dimas, com 6%, Vanderlei Luxemburgo, com 5%, e Eli Borges, com 4%. Hélio Rodrigues Bolsonaro e Professor Osvaldo registram 2% cada. Nilton Santos, Fábio Ribeiro e Apóstolo Flávio Braga aparecem com 1% cada, enquanto Osvany Luz não pontuou.
Além da posição dos candidatos, chama atenção o tamanho do eleitorado ainda sem escolha. No cenário consolidado, 24% aparecem como indecisos, percentual superior ao resultado obtido individualmente por qualquer candidato. Branco, nulo ou quem afirma não votar representa outros 10%.
A eleição para o Senado possui uma particularidade em 2026: o eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, porque duas das três cadeiras do Tocantins estão em disputa. Por isso, a Quaest perguntou separadamente sobre o primeiro e o segundo votos e posteriormente apresentou um consolidado reduzido para 100%.
Quando é observado apenas o primeiro voto, Alexandre Guimarães melhora seu desempenho e registra 10%. Eduardo Gomes aparece com 16%, Gaguim com 14% e Paulo Mourão com 12%. Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo têm 7% cada, enquanto Eli Borges aparece com 5%.
Para a segunda vaga, Eduardo Gomes e Gaguim aparecem com 12% cada, enquanto Paulo Mourão e Alexandre Guimarães registram 6% cada. Ronaldo Dimas tem 5%, e Vanderlei Luxemburgo e Eli Borges aparecem com 4% cada. Nesse segundo voto, a indefinição cresce ainda mais entre os entrevistados.
É na pesquisa espontânea que Alexandre apresenta um dos resultados mais destacados após a divulgação da Quaest. Sem que os pesquisadores apresentem qualquer nome, Alexandre Guimarães aparece com 4% e Eduardo Gomes também registra 4%. Gaguim tem 2%, enquanto Eli Borges, Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo aparecem com 1% cada.
Nesse cenário espontâneo, 86% não indicaram candidato, mostrando que a disputa pelo Senado ainda possui um grau muito elevado de ausência de lembrança espontânea. A espontânea mede uma situação diferente da estimulada, porque obriga o entrevistado a lembrar sozinho do candidato, sem receber uma lista com os nomes disponíveis.
Outro número que Alexandre pode observar como espaço para crescimento está relacionado ao seu grau de conhecimento entre o eleitorado. Segundo a Quaest, 23% afirmam que conhecem Alexandre e votariam nele, enquanto 61% dizem não conhecer o candidato. Outros 16% afirmam conhecê-lo, mas não votariam nele.
Entre os principais candidatos, Alexandre é justamente um dos que apresentam maior desconhecimento. Eduardo Gomes tem 49% de entrevistados dizendo que não o conhecem; Paulo Mourão registra 46%; e Gaguim, 27%. O número de Alexandre, de 61%, indica que uma parcela expressiva do eleitorado ainda afirma não conhecê-lo, embora isso, por si só, não permita afirmar que maior conhecimento será automaticamente transformado em votos.
Quando o levantamento observa os entrevistados que conhecem o candidato, mas afirmam que não votariam nele, Alexandre aparece com 16%. Eduardo Gomes registra 18%, Paulo Mourão tem 32% e Gaguim chega a 40%, o maior percentual entre os quatro primeiros colocados.
A reação de Alexandre à Quaest ocorre também porque outros levantamentos recentes apresentam uma fotografia diferente de sua posição na corrida pelo Senado. Nesta quarta-feira, 26 de agosto, o Real Time Big Data divulgou pesquisa em que Eduardo Gomes aparece com 26% e Alexandre Guimarães com 18%, colocando os dois nas duas primeiras posições.
No Real Time Big Data, Gaguim registra 10%, Vanderlei Luxemburgo 9%, Ronaldo Dimas 8%, Eli Borges 7% e Paulo Mourão 6%. Professor Osvaldo aparece com 3%, enquanto Fábio Ribeiro, Hélio Rodrigues Bolsonaro e Nilton Santos têm 1% cada. Branco e nulo somam 5%, e outros 5% não sabem ou não responderam.
A diferença numérica de Alexandre entre as duas pesquisas chama atenção: são 8% na Quaest e 18% no Real Time Big Data, diferença de dez pontos percentuais entre os percentuais publicados pelos institutos. A comparação direta, entretanto, exige cautela, porque os levantamentos possuem desenhos amostrais, questionários, amostras e formas de consolidação que precisam ser considerados antes de qualquer conclusão sobre a razão da diferença.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores do Tocantins entre os dias 21 e 25 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número TO-09655/2026.
A Quaest, por sua vez, ouviu 804 eleitores com 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, considerando nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Anhanguera e registrado na Justiça Eleitoral sob o número TO-02161/2026.
Outra comparação possível é com o Paraná Pesquisas divulgado em 25 de julho. Naquele levantamento, em cenário no qual cada entrevistado poderia indicar até dois candidatos, Eduardo Gomes aparecia com 31,2% e Alexandre Guimarães com 25,1%. Gaguim tinha 16,7%, Irajá 16,1%, Vanderlei Luxemburgo 15%, Ronaldo Dimas 14,7%, Paulo Mourão 13,5% e Eli Borges 13,1%.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.300 eleitores entre 21 e 24 de julho, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número TO-06833/2026.
Assim, Alexandre aparece com 25,1% no Paraná Pesquisas de julho, 18% no Real Time Big Data divulgado nesta quarta-feira e 8% na Quaest divulgada pela TV Anhanguera. Os números ajudam a contextualizar a afirmação do candidato de que não compreende o resultado da Quaest, mas não constituem, isoladamente, prova de erro em qualquer um dos levantamentos. Cada pesquisa precisa ser analisada dentro de sua própria metodologia.
Para ajudar a compreender tecnicamente essas diferenças, o professor e estatístico brasileiro José Carlos Fogo, docente do Departamento de Estatística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), participa de uma série acadêmica da universidade dedicada justamente a explicar pesquisas eleitorais, abordando conceitos como amostragem, margem de erro, percentual de confiabilidade e representatividade da população pesquisada. Fogo possui formação em Estatística e atuação acadêmica na área de Probabilidade e Estatística.
A orientação estatística ajuda a mostrar por que uma pesquisa não deve ser interpretada somente pelo percentual isolado de um candidato. O tamanho e a composição da amostra, a forma de selecionar os entrevistados, o período de campo, a formulação das perguntas e a margem de erro fazem parte da leitura dos resultados. A própria série da UFSCar com José Carlos Fogo trata de questões como “o que significa margem de erro”, “como saber se as pessoas pesquisadas representam a população” e se as pesquisas refletem a realidade de cada momento.
Isso também significa que nível de confiança de 95% não representa 95% de chance de determinado candidato vencer. O conceito diz respeito ao procedimento estatístico utilizado para estimar características da população a partir de uma amostra. Da mesma forma, a margem de erro precisa ser interpretada no contexto metodológico de cada levantamento.
No caso específico da Quaest, outro dado mostra que a eleição ainda possui espaço relevante para mudanças. 47% dos entrevistados dizem que a decisão para o Senado já está definida, enquanto 52% afirmam que ainda podem mudar o voto até o primeiro turno de 4 de outubro.
O percentual significa que mais da metade dos entrevistados ainda admite rever sua decisão. Como o eleitor tocantinense poderá escolher dois senadores, a disputa envolve não apenas conquistar quem ainda não tem candidato, mas também disputar a primeira e a segunda escolhas de quem já definiu parcialmente o voto.
A Quaest apresenta, portanto, Alexandre Guimarães com 8% no cenário estimulado consolidado, 10% quando observado o primeiro voto, 6% no segundo voto e 4% na espontânea, onde aparece numericamente empatado com Eduardo Gomes. Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que 61% afirmam ainda não conhecer Alexandre e 52% dos entrevistados admitem mudar o voto para o Senado.
Ao dizer que não compreende o resultado, Alexandre coloca as diferenças entre os levantamentos no centro do debate eleitoral. A Quaest apresenta uma fotografia, o Real Time Big Data mostra outra e o Paraná Pesquisas divulgado em julho registrou percentuais distintos. A análise técnica, porém, exige que cada levantamento seja observado com sua metodologia, margem de erro e período de realização, enquanto a resposta definitiva sobre a força eleitoral de cada candidatura somente será conhecida nas urnas em 4 de outubro.